Primeira americana canonizada, de
origem francesa. Admirável no serviço aos indígenas de Potawatomi,
Kansas, que a chamavam de "a mulher que reza sempre"
Madrid,
18 de Novembro de 2015
(ZENIT.org)
Dra. Isabel Orellana Vilches
Hoje dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo, a Igreja celebra também a vida desta primeira americana canonizada.
Sem dúvida, os sonhos apostólicos não têm limites quando a vontade
humana se une à divina. Por isso, um apóstolo nunca calcula seus níveis
de ação. Tempo e idade se empalidecem diante da torrente da graça que
Deus dá para levar a cabo a sua missão. Esta francesa, filha de Pierre
François Duchesne, prestigioso advogado, e Rose Euphrasine Perier, tinha
49 anos esplêndidos anos quando embarcou no projeto de plantar a fé na
América. Três décadas mais tarde, com 72 anos de idade, ela se tornou um
verdadeiro emblema espiritual para os indígenas da reserva Potawatomi
em Sugar Creek (Kansas). Eles a chamavam de "a mulher que reza sempre",
belo apelido para um seguidor de Cristo e um testemunho para o mundo,
claro indício do impacto que lhes causou o exemplo desta grande mulher.
Ela nasceu em Grenoble em 29 agosto de 1769, em uma família rica da
qual surgiria um dos presidentes da República Francesa. Levava inscrito
no seu nome o zelo apostólico de dois grandes santos: Felipe apóstolo e
Rosa de Lima. Seus pais confiaram sua educação às freiras da Visitação
em Sainte Marie d'en Haut. Rosa vivia com grande caridade, era piedosa e
devota do Sagrado Coração de Jesus, solo fértil para os ensinamentos da
escola, de modo que quando adolescente resolveu ingressar nesta
comunidade religiosa, que ela conhecia bem. Tão forte era a sua
convicção que não hesitou em rejeitar o casamento arrumado por seus pais
quando ela tinha 17 anos, e, embora não tivesse permissão para se
tornar uma freira, aos 18 anos, ela entrou para o convento. Seu pai se
opôs à profissão dos votos antes da idade de 25 anos.
A vida da santa tomou um rumo inesperado quando autoridades do
governo fecharam o mosteiro e elas foram expulsas da comunidade em meio a
uma situação política turbulenta. De volta à família, Rosa se envolveu
em ações sociais e de caridade, ajudando os pobres, doentes e
prisioneiros. Em 1801, ela comprou o convento em que havia ingressado a
fim de dinamiza-lo novamente, acompanhado por outras jovens, mas o
projeto não teve êxito. Em 1804, uniu-se à recente fundação criada por
Santa Madalena Sofia Barat: Religiosas do Sagrado Coração. Colocou o
convento à disposição e professou seus votos religiosos um ano depois.
Toda a madrugada da Quinta-feira Santa de 1806, durante a oração
diante do sacrário, viveu uma experiência mística singular que marcou
seu coração com um profundo sentimento missionário, acentuando o que já
possuía. Ela se viu misticamente transportada para o continente
americano, delineada por um intenso amor nos momentos da Paixão: "Eu me
via a sós com Jesus ou cercada por uma multidão de crianças negras,
flores selvagens da floresta, sentindo-me mais feliz entre eles do que
em qualquer outro lugar da terra...." Um momento sublime que a fez
reviver as façanhas de outros missionários ilustres, São Francisco
Xavier e São Francisco Regis, deixando seu espírito invadido pela paz e
pela urgência apostólica: "... tudo corria tão bem; não havia lugar no
meu coração com qualquer tristeza...”
Ela queria voar para a missão, mas teve que esperar. Enquanto isso,
enfrentava o que dificultaria a sua vida espiritual. Madre Barat,
consciente desses sentimentos e de outros que fervilhavam em seu
interior, aconselhou um período de espera em que deveria crescer na
humildade, no espírito de abandono e no desprendimento de si. Seu
conselho preciso de que a "angústia interior" seria aliviada apenas
"buscando a glória de Deus", ajudou Rosa a progredir na virtude. O tempo
de partir chegou em 1818. O bispo de Louisiana, Dom Doubourg, pediu a
presença das religiosas e Rosa viajou com quatro delas. A primeira
fundação, foi firmemente erguida em uma cabana modesta, em Saint
Charles, perto de St. Louis (Mississippi), e depois outras cinco, além
de uma escola em 1820. Sua fé inabalável brilhava com especial fulgor,
apesar das difíceis condições que enfrentavam: a pobreza, a fome, o
frio, as epidemias, o mau tempo ... Seu espírito de austeridade e de
entrega foi heroico em todos os momentos.
Recebeu o alívio de sua missão como superiora geral em 1841, e estava
livre de responsabilidades para dedicar-se inteiramente aos índios. A
saúde frágil não foi um obstáculo para atender a demanda de um jesuíta
considerava sua presença essencial na reserva. Ela cuidou dos doentes e
erradicou o flagelo do alcoolismo. Não era dotada para idiomas, então a
linguagem da oração lhe permitiu superar esta deficiência; era o seu
meio de comunicação e assim tocou os corações dos índios. Depois de um
ano de intensas realizações, de entrega a eles, dada a sua condição
física, voltou para Saint Charles em 1842. Dez anos depois, em 18 de
novembro de 1852, ela faleceu. Foi beatificada pelo Papa Pio XII em 12
de maio de 1940 e canonizado por João Paulo II em 03 de julho de 1988.
(18 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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