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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Só os pobres permanecem em Aleppo


Dom Denys Antoine Chahda, arcebispo siro-católico, relata o drama do inverno iminente na cidade síria, com muitas famílias ainda sem água nem eletricidade


"Os poucos recursos disponíveis não nos permitem atender às muitas necessidades dos nossos fiéis", diz à fundação Ajuda à Igreja que Sofre o bispo siro-católico de Aleppo, dom Denys Antoine Chahda, em visita ao escritório italiano da organização.

O prelado descreve as dramáticas condições da comunidade. "Antes da guerra, a minha diocese tinha 1.500 famílias. Agora são só 800". Delas, cerca de 750 recebem ajuda da Igreja: roupas, alimentos, remédios e até uma contribuição financeira para os itens de necessidade básica, incluindo combustível. "O inverno é muito frio em Aleppo e faz vários meses que a cidade está sem eletricidade. O combustível é a única maneira das famílias se aquecerem".

Junto com falta de eletricidade e água, muitas famílias perderam suas casas, destruídas pelos combates. A Igreja católica proporciona alojamento aos fiéis cedendo igrejas e conventos. "As famílias cristãs que ficaram são as mais pobres. Quem teve a oportunidade foi embora do país". Muitos siro-católicos da diocese de Aleppo fugiram para o exterior e desejam retornar depois da guerra, mas, observa o prelado, "os que acharam trabalho ou colocaram os filhos na escola em outro país não devem voltar".


Os bombardeios não pouparam a catedral nem o arcebispado siro-católico, mas, felizmente, as igrejas da diocese ainda estão de pé ​​e são frequentadas. "Todos os dias celebramos a missa. Graças a Deus, Aleppo é defendida pelo exército sírio e o Estado Islâmico não conseguiu penetrar na cidade. Se eles tivessem entrado, não teriam permanecido nem cristãos nem muçulmanos".


Com o Natal se aproximando, o pensamento de dom Chahda se volta às muitas famílias cristãs que ele tenta apoiar. "Espero que a comunidade internacional ajude a Igreja a continuar na Síria e a cuidar dos fiéis que estão morrendo de fome, de sede, de doenças e por causa da guerra. E que esta guerra acabe o mais rápido possível, para que possamos, finalmente, voltar para as nossas vidas", disse o prelado.


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