O Papa Francisco adverte contra o perigo da mundanidade espiritual e lembra que o único antídoto possível é a oração
Roma,
17 de Novembro de 2015
(ZENIT.org)
Luca Marcolivio
Evitar a "vida dupla" e a "mundanidade" é o conselho que o Papa
Francisco deu esta manhã durante a homilia na Casa Santa Marta, voltando
ao tema da salvaguarda da identidade cristã, já mencionado ontem.
A inspiração vem da primeira leitura (2Mc 6,18-31), onde o velho
homem Eleazar "não se deixa enfraquecer pelo espírito da mundanidade” e
prefere morrer de fome em vez de cair na apostasia do “pensamento
único”.
Os "amigos mundanos" tinham pedido para Eleazar comer carne de porco,
mas o velho, estoicamente e "com nobreza”, conserva até o fim uma “vida
coerente” e “caminha para o martírio”, dando “testemunho”.
A "mundanidade espiritual" é a primeira armadilha na qual os cristãos
podem cair: vive-se sem uma “coerência de vida”, finge-se uma atitude,
mas, nos bastidores, se atua de “outra forma”.
O demónio da mundanidade, observou o Pontífice, é difícil de
reconhecer “porque é como o verme que lentamente destrói, degrada, o
tecido”, tornando-o inutilizável e quem é sua vítima, no final, “perde a
identidade cristã”.
Muitas são as pessoas que descaradamente declaram: “eu sou muito
católico, padre, eu vou à missa todos os domingos, mas sou muito
católico”. Mas, em seguida, são as mesmas pessoas que, no trabalho,
pagam ou pedem propinas, lamentou o Santo Padre.
"A mundanidade – destacou – leva para a vida dupla, aquela que
aparece e aquela que é verdadeira, e afasta de Deus e destrói a sua
identidade cristã”.
É por isso que Jesus pede ao Pai para proteger os seus discípulos do
espírito mundano, um pouco como, há muito tempo, tinha feito Eleazar,
sacrificando sua vida para não dar o mal exemplo aos mais jovens.
A identidade cristã, ao contrário do espírito mundano, não é
"egoísta" mas, sim, "tenta cuidar com a própria coerência, cuidar,
evitar o escândalo, cuidar dos outros, dar um bom exemplo”, destacou o
Papa.
Se, por um lado, "as tentações são muitas, e o truque da vida dupla
nos tenta a cada dia", tornando "impossível" enfrentar tudo sozinho, “o
nosso apoio – recordou Francisco – contra a mundanidade que destrói a
nossa identidade cristã, que nos leva à vida dupla, é o Senhor”,
recordou Francisco.
A ferramenta para superar essas tentações, acrescentou, é sempre a
oração: "Senhor, eu sou um pecador, realmente, todos somos, mas peço-lhe
o seu apoio, dai-me o seu apoio, porque, de um lado eu não finja ser um
cristão e do outro viva como um pagão, como mundano”.
Em conclusão, o Papa Francisco sugeriu a meditação atenta da primeira
leitura de hoje: “Fará muito dará, dará coragem para ser exemplo a
todos e também dará força e apoio para levar adiante a identidade
cristã, sem pacto, sem vida dupla”, disse.
(17 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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