Vídeo mensagem para as associações dos
ex-alunos das escolas administradas pela Companhia de Jesus reunidos em
Guayaquil, no Equador, para o XVI Congresso Latino-Americano
Roma,
12 de Novembro de 2015
(ZENIT.org)
Salvatore Cernuzio
Uma pessoa que está "constantemente em tensão entre o céu, a terra e
si mesma", que não esconde sua cabeça - "como um avestruz" - da
"realidade do território”, que não se constrói “um mundo isolado" e que,
acima de tudo, "não vende a própria consciência para o mundano". Este,
de acordo com o Papa Francisco, é o perfil daqueles que estudaram em uma
escola jesuíta. Bergoglio conhece bem e se lembra esses traços em uma
vídeo mensagem – noticiada pela Rádio Vaticana – às associações dos
ex-alunos de escolas administradas pela Companhia de Jesus reunidas
todas em Guayaquil, no Equador, para o XVI Congresso Latino-Americano.
Francisco fala em metáforas - "deus spray”, “religiosidade light”,
“vírus jesuíta” – e traz inspiração para a sua reflexão da contemplação
do Mistério da Encarnação, um dos temas cardeais dos Exercícios
Espirituais de Santo Inácio de Loyola, que – diz – “nos faz olhar para o
céu”, ou seja para as três Pessoas divinas”; depois “a terra”,
portanto, “as pessoas, os homens, os países, as situações”, e, por fim,
“uma pessoa”: Maria, “casa de Nazaré”.
Em particular, o Papa convida os ex-alunos a perguntar-se três
questões, úteis para “avaliar até que ponto a formação recebida pela
Companhia de Jesus foi assimilada ou até que ponto foi conservada em um
armário”. Ou, “como estou diante de Deus? Como eu estou diante do mundo?
Como me encontro diante do espírito mundano que me é sempre proposto?".
Bergoglio faz mais três perguntas ao mundo, olhando para a atualidade
da sua terra, marcada pela fome, pobreza e falta de educação. “O que
está acontecendo na América Latina?", pergunta o Pontífice, “quantos
rapazes não estão indo à escola? Quantas crianças não têm o suficiente
para comer? Quantas crianças não têm saúde?".
Três são, também, as coisas necessárias hoje, segundo o Santo Padre,
diante das “tragédias humanas”: “Assistência sanitária, comida,
educação”. A este respeito, o Pontífice recorda a sua confusão quando,
anos atrás, viu em Buenos Aires uma rua, onde, de um lado, havia 36
restaurantes "caríssimos" e "cheios", e do outro, uma favela muito
pobre. Um exemplo que mostra “a tragédia que provoca a falta de justiça,
a falta de equidade”. “E entre as pessoas que comiam lá – recorda o
Papa – muitos eram cristãos, muitos acreditavam em Jesus Cristo e se
professavam católicos, e, talvez, estudaram em escolas católicas”.
"Se vocês possuem o ‘virus jesuíta’ – recomenda o Papa – devem olhar
para o que dizem para Deus quando vêem esta desigualdade, o que dizem
para Deus quando vêem a exploração das pessoas”. Ao mesmo tempo devem
pensar – exorta – “o que dirão a Deus quando verem que a terra não é
guardada”, quando vejam os “desmatamentos que prejudicam as pessoas” ou
empresas de mineração que "usam o cianeto e o arsénico para a 'extração
mineral”, atacando a saúde de tantos jovens e adultos.
"Vejam como Deus olhava para a face da terra, vejam todos os homens,
alguns nascem, outros morrem, outros choram, outros riem”, diz Francisco
citando Santo Inácio. Vejam, isto é, “a realidade”, perguntem-se: “Como
é a sua relação com a realidade? Ou, de outra forma, como se
transcendem a si mesmos? Vocês são fechados em si mesmos? Vocês podem
imaginar Nossa Senhora fechando a porta para não acolher o chamado de
Deus?".
E ainda: "Como vocês vêem os homens? Com que olhar? O olhar do seu
conforto, da sua tranquilidade, de quem não quer problemas, o olhar do
seu bolso? E como olha para Deus? Cara a cara? De pessoa a pessoa? A
quem você fala? A um ‘deus spray’, diluído... ou fala com o Pai que é
seu Pai, fala com o Filho que é Seu filho, fala com o Espírito Santo
recebido no Batismo?
Não é um interrogatório ou exame de consciência muito exigente; estas
questões - explicou o Papa – servem para permanecer em tensão. Porque
“a verdade sempre se dá na tensão; a verdade não é quieta, não é
cristalizada, coloca em tensão, leva a agir, a mudar, leva a fazer, a
imitar a Deus criador, redentor, santificador”. Leva, em outras
palavras, “a ser humano”.
(12 de Novembro de 2015) © Innovative Media Inc.
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