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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eritreia: boa convivência inter-religiosa apesar da ameaça extremista islâmica


O ponto de vista do embaixador eritreu na Itália: seu país foi denunciado diversas vezes na ONU por violação dos direitos humanos


A Eritreia, um dos países mais pobres da África, tem população de 6 milhões de habitantes: metade são cristãos coptas e a outra metade é muçulmana. Eles convivem com respeito, apesar da pressão fundamentalista de países vizinhos. No entanto, o serviço militar obrigatório é perpétuo, num país que se define “tecnicamente em estado de guerra”.

ZENIT conversou com o embaixador eritreu na Itália, Fessahazion Pietros Menghistu, durante um café-da-manhã de trabalho sobre os fluxos migratórios, organizado pelo Centro de Estudos sobre o Oriente Médio (CEMO) da Fundação espanhola Promoção Social da Cultura (FPSC).

A Eritreia foi denunciada várias vezes na ONU por ferir os direitos humanos. O país tem um sistema de partido único, ou seja, uma ditadura. A situação se agravou quando o presidente Isaias Afewerki decidiu expulsar ONGs e missionários. Numa longa carta pastoral, os bispos afirmaram há pouco mais de um ano que “foi criado um país desolado: por isso a população foge”.

Sobre a ameaça do extremismo islâmico em seu país, o embaixador Menghistu declarou que houve problemas nos primeiros anos de independência [o país se separou da Etiópia] “porque, do exterior, do Sudão, da Arábia Saudita, se infiltravam elementos que criavam problemas na fronteira. Foi no período em que Bin Laden vivia em Cartum. Ele queria iniciar a revolta dos países mais pobres para entrar no Chifre da África. Nós conseguimos debelar essa situação”.

Apesar da ameaça externa, Menghistu assegurou que "as religiões vivem em harmonia, com respeito entre elas. Nossa gente é muito religiosa”.

“A tolerância é histórica em nosso país”, acrescentou. “Quando Maomé começou a pregar o islã em Meca e Medina, enviou para este lado do Mar Vermelho a sua filha, com o marido dela e outras pessoas, quinze ao todo, para pregar o islã. A primeira mesquita foi construída no porto de Massawa”. O diplomata disse que a tolerância religiosa “é uma tradição até hoje e um grande dom que também existe na vizinha Etiópia, que não tem esses problemas”. Em festas religiosas como Páscoa e o Natal, “muçulmanos e cristãos festejam juntos. Não é propaganda: basta ir lá e ver”.

Sobre a gestão das diversas populações locais, Manghistu afirmou que “as nove etnias têm cada uma o seu dialeto; não temos um idioma comum. O que fazemos, e isso é herança dos anos da resistência, é que do primeiro ao quinto ano de instrução, os estudos sejam no próprio dialeto, e do sexto em diante em inglês”.

O Estado leigo, ressaltou o embaixador, não prefere uma ou outra religião e quer manter esta situação, porque, “se cedesse às pressões externas, seria o fim”.

Na Eritreia, o serviço militar é obrigatório e sem limite de tempo. O embaixador alegou que, em muitos outros países, o serviço militar é obrigatório e acrescentou que também existe o serviço civil. Reconheceu que o tempo do serviço é indefinido, mas disse que “temos de nos defender de um vizinho que nos ameaça e faz incursões com suas tropas em nosso território. Tecnicamente, estamos em guerra”.

Manghistu reconheceu também que muitos refugiados fogem do país, mas considera que o número “é menor do que dizem, porque muitos refugiados de outros países africanos se fazem passar por eritreus para conseguir asilo político mais facilmente”.


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