Arcebispo de Dublin conta à imprensa a sua experiência como participante do sínodo sobre a família em 1980
Cidade do Vaticano, 13 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García
O sínodo dos bispos finalizou a sua primeira fase de
trabalhos e os padres sinodais e auditores descansaram durante o fim de
semana para retomar as reuniões na manhã de hoje. Neste breve intervalo,
os relatores e o secretário especial, junto com alguns colaboradores,
trabalharam na “relatio post disceptationem”, que foi apresentada hoje.
Reuniram-se pela primeira vez na sexta-feira os “circuli minores”,
ou círculos menores, que compõem a segunda fase dos trabalhos sinodais.
Foram nomeados moderadores dos grupos os cardeais Sarah, Schönborn,
Burke, Napier, Filoni, Bagnasco, Robles Ortega e Martínez Sistach, além
de dom Kurtz e dom Massagra.
Enquanto eram ouvidos os delegados fraternos, uma segunda parcela dos
participantes se dedicou a uma reunião dos “circuli minores”. Os grupos
retomaram suas actividades na tarde de hoje.
Na sessão informativa com os jornalistas, realizada no sábado pela
manhã, o padre Lombardi, director da Sala de Imprensa do Vaticano,
declarou que todos os delegados fraternos se manifestaram na
sexta-feira, excepto Hilarion, o representante do patriarcado de Moscovo,
que não pôde estar presente e se manifestará em outra data. O porta-voz
vaticano considerou muito interessante a intervenção de Atenágoras,
metropolita da Bélgica, que tocou em pontos da visão ortodoxa comentados
muitas vezes durante os debates.
Dom Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin, esteve presente na sala de
imprensa com os jornalistas e compartilhou a sua experiência como
participante do sínodo realizado em 1980, também sobre a família.
Ele destacou que "é interessante que o tema da família tenha sido
escolhido por João Paulo II e pelo papa Francisco para os seus primeiros
sínodos. Acredito que isso vem do fato de que ambos eram bispos
diocesanos um ano antes dos respectivos sínodos e viam a centralidade da
família para o desenvolvimento da Igreja e para a estabilidade da
sociedade". Eles também viam, segundo o arcebispo, os desafios que a
família como instituição e as famílias concretas tinham que enfrentar na
cultura das suas respectivas épocas.
O arcebispo de Dublin chamou a atenção para o fato de o sínodo de
1980 ter sido o primeiro em que houve um grande número de auditores,
entre os quais muitos casais. Além disso, recordou que o relator geral
foi o cardeal Ratzinger e, a este propósito, afirmou que é interessante
ler a “relatio ante disceptationem” daquele sínodo e ver "que muitos dos
temas eram os mesmos [de hoje]". Ratzinger "também falou da relação
entre a fé e a validade do matrimónio", por exemplo.
Fazendo uma comparação com o sínodo actual, o arcebispo de Dublin
matizou que agora se percebe que a cultura geral da família mudou mais
ainda. "O que me impressiona desta vez é escutar problemáticas que antes
eram encaradas só pelos bispos europeus. Hoje, as mesmas 'invasões' de
uma cultura diferente são registadas na América Latina e na África".
Falando da sua experiência pessoal, dom Diarmuid Martin observou que
"encontra em sua diocese cada dia mais pessoas em situações muito
difíceis e que, mesmo assim, vivem de verdade os valores da fidelidade,
da dedicação aos filhos, mas nunca seriam capazes de expressar isso nas
formulações da nossa teologia: isso não quer dizer que elas não vivam
esta realidade".
É necessário, afirmou o arcebispo, ter um novo tipo de diálogo com as famílias e uma nova linguagem.
(13 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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