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terça-feira, 14 de outubro de 2014

As autoridades chinesas derrubam 2 igrejas católicas e detêm um pároco perante as escavadoras

Actualizado 22 de Setembro de 2014

AsiaNews/ReL 

Ordenação episcopal do bispo Qu Ailin,
que agora protesta pela demolição de
paróquias
Num só dia, os governos regionais de 3 províncias chinesas ordenaram a demolição de duas igrejas católicas e a retirada de uma cruz que estava no tecto de uma terceira.

O clero local denuncia que as estruturas foram demolidas sem o acordo com a comunidade ou desprezando os planos pré-estabelecidos.

O pároco de uma das igrejas destruídas, que tentou impedir a passagem às escavadoras, foi atado e levado pela polícia.

A igreja de Jinxi, na província central de Hunan, foi demolida em 15 de Setembro passado. A igreja dedicada à Virgem de Jingdezhen, na província oriental de Jiangxi, foi destruída depois da meia-noite do mesmo dia. A cruz da igreja de Jingtou, na província meridional de Zhejiang, foi destruída em 15 de Setembro.

A narração destas demolições publicou-se nos sítios da internet católicos chineses.

O primeiro a circular, assinado pela "Igreja católica da cidade", comenta que o padre Dong Guohua, pároco da igreja de Jingdezhen foi enganado pelos agentes de Assuntos religiosos. Convocaram-no para uma ceia na noite de 14 de Setembro para um lugar muito distante da igreja com a desculpa de falar de uma reestruturação da paróquia. Depois de falar até tarde, convenceram-no para que ficasse a dormir num quarto reservado "de propósito para ele".

À meia-noite, uma chamada telefónica despertou-o para informá-lo que a igreja tinha sido demolida.

O outro texto está assinado pelo "guarda da igreja". O autor escreve que foi raptado por alguns desconhecidos enquanto estava de guarda na entrada da paróquia.

Os raptores disseram-lhe que estivesse calmo e cooperasse "para que tudo terminasse bem".

Depois de ter passado toda a noite num automóvel, abandonaram-no na manhã de 15 de Setembro longe da paróquia.

Voltando ao lugar, encontrou só ruínas. Alguns artigos religiosos levaram-nos antes da demolição, mas o tabernáculo foi destruído pelas escavadoras e coberto de escombros.
Este solar era uma paróquia... Até à noite de
15 de Setembro quando as escavadoras do
governo local derrubaram tudo
A destruição da igreja de Jinxi foi confirmada à agência Ucan, pelo bispo de Changsha, Metodio Qu Ailin.

O prelado confirma que o governo local "tinha escolhido os terrenos para um projecto de desenvolvimento. Tinham-lhe prometido que lhe teriam construído outra igreja antes da demolição. Fizeram-no, mas não construíram nem um lugar para os sacerdotes nem o oratório. Não sabemos que fazer".

O sacerdote preso diante das escavadoras "foi libertado e os agentes pediram desculpas". "Agora está num hotel".

Desde há meses na China há toda uma campanha de demolição de igrejas cristãs. O epicentro desta campanha é justamente a província de Zhejiang, onde quase uma centena de igrejas foram destruídas ou lhes removeram as cruzes.

As autoridades locais sustêm que os lugares de culto violam os planos municipais, ainda que os planos de construção das igrejas foram todos aprovados pela administração competente no seu momento.

Na realidade, a campanha iniciou-se depois que Xia Baolong, secretário do Partido de Zhejiang, no início do ano realizou uma inspecção e notou em Baiquan uma igreja com uma cruz que se mostrava "demasiado evidentemente" e ofensiva à vista.

Vendo depois em outras cidades uma selva de cruzes no skyline, deu a ordem de "rectificar" esta visão.

Desde esse momento, demolir as cruzes, destruir as estátuas e demolir igrejas converteu-se no compromisso mais conspícuo do Partido.

O bispo Vicente Zhu Weifang de Wenzhou (Zhejiang) e os seus sacerdotes da Igreja oficial difundem os actos do governo local e denunciam-nos perante a opinião pública.

Numa carta pastoral, difundida no passado dia 30 de Julho, o prelado sublinhou que esta campanha "aumenta a instabilidade".



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