S. José impressiona-nos pelo seu silencio. Os factos
relatados nos evangelhos, cuja fonte só pode ter sido Nossa Senhora, revelam
que este santo era um homem que obedecia prontamente, sensato, bom trabalhador,
mas sobretudo muito piadoso, recolhido.
Deus comunicava com S. José através de sonhos, ou seja,
quando este estava a dormir, mostrando assim, que até no sono a sua intimidade
com Deus era total. A todas as ordens José obedeceu prontamente.
Tinha decidido repudiar Maria em segredo, Deus revela-lhe que
não tema e explica que no ventre da sua amada está Deus Encarnado, e José leva
Nossa Senhora para casa sem demora. Há um decreto de César Augusto para que
todos se recenseiem na sua Terra Natal e o Santo Patriarca com muita dor
certamente, pelo estado em que se encontra a sua esposa, dirige-se para Belém.
Jesus nasce num lugar que é reservado aos animais, na maior das incomodidades,
mas não há uma lamentação. Após uma semana vai circuncidar o Menino, podia ter
pensado:” purificar a minha esposa que é imaculada? Picar o meu Deus? Nem
pensar!”. Mas não, José não reage assim. Nós talvez… Deus não havia dito nada
para fazer de um modo diferente dos demais concidadãos, pelo que se limitou a
cumprir o que estava prescrito na Lei. Quanto não deve ter custado ouvir o
menino chorar! E escutar a profecia dirigida a Maria profetizando o sofrimento
que iria padecer? Esta profecia dirigiu-se apenas a ela, José fica assim, a
saber que já não estaria presente e que não a poderia consolar!
Quando já teria arranjado um lugar para estarem devidamente
instalados, Deus volta a manifestar-se durante o sono, ordenando a José que
pegasse no Menino e em Sua Mãe, e fugisse para o Egipto porque Herodes queria
matar Jesus. Como terá sido difícil
acordar o Bebé e Sua Mãe que tranquilamente dormiam! Mas fê-lo e de imediato,
sem vacilações, nem uma única queixa ou mau pensamento acerca dos responsáveis
por aquela fuga! Não há maledicência. Terá sido uma viagem cansativa e sempre
em sobressalto, um barulho que ouvissem, olhavam, escondiam-se para ver quem
era.
Chegam ao Egito, instalam-se, nova cultura, diferentes
costumes. Um império pagão, de aparência imponente acabava de hospedar numa
humilde casa, o Verdadeiro Senhor do Egipto e de toda a Humanidade, sem o
saber! Mas, não foi por muito tempo!
José, avisado, novamente em sonho, já pode voltar para a sua terra. Contudo,
não regressa a Belém, sabe que está lá o filho de Herodes e vai para Nazaré.
José obedece, mas de um modo inteligente. Deus quer que usemos as nossas
capacidades e ajamos de um modo responsável. Deus faz o mínimo para que
possamos ter o gosto, com a Sua ajuda, de fazer o resto.
Anos mais tarde, Maria e José não sabe, de Jesus. Que aflição!
Maria diz isso mais tarde a Jesus! Não há recriminações de Maria para José nem
deste para Nossa Senhora! Que grande lição a todos os casais! Metem-se ao
caminho e só ao terceiro dia o vêm a falar calmamente com os Doutores da Lei!
Três dias de coração a sangrar… Era o Deus-Menino que estava desaparecido.
Quando O encontram é o misto de estupefação e de alívio! Questionam Jesus, mas
não entendem a sua resposta, e, perante tal incompreensão não começam a
contestar, mas sim meditam no seu coração, o silêncio, pois é no nosso intimo
que encontramos as respostas de Deus E, depois deste acontecimento José
desaparece nos evangelhos. Sabemos que Jesus obedecia e que trabalhou com o Seu
pai, mas não mais que isto. A missão de José terminou e desaparece das
narrações dos evangelistas no silêncio e na obscuridade que sempre o
caracterizou. Por isso, S. Josemaria o chamou de “Mestre de vida Interior”,
porque, como afirma Santo Agostinho, Deus só é encontrado no nosso íntimo, no
profundo silêncio interior.
Maria Guimarães
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