É frequente
escutarmos que é saudável deixar que os filhos busquem seus caminhos ou, de
outra forma, que façam suas escolhas. Se falarmos de paladar, de gosto musical
ou de vocação, não resta sombra de dúvida de que esta parece a direção correta.
Em se tratando de paixão clubística, entretanto, a recomendação parece não
valer. Que pai gostaria de ver um de seus filhos com a camiseta de um time
rival? Creio que poucos seriam indiferentes porque torcer para uma agremiação
desportiva é algo, digamos assim, tribal. Assim, um filho que esteja em hostes
contrárias parece pertencer a outra taba ...
Pois bem, se com
um clube de futebol um pai se ocupa, não o faria com suas crenças, com sua
inclinação espiritual? Parece natural que sim, a menos que este pai tenha menos
convicções espirituais que futebolísticas, seja um indiferente, um agnóstico. Confesso
que ainda fico um pouco incomodado quando me deparo com pessoas assim e sequer
imaginava, na juventude, que este comportamento se alastraria nos nossos dias
quase como uma pandemia.
Há não muito tive
a sorte de conhecer a associação internacional AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), elevada à condição de Fundação
Pontifícia no primado de Bento XVI. Fundada pelo
sacerdote holandês Werenfried van Straaten, a AIS cobre áreas nas quais não há
liberdade religiosa, particularmente aquelas nas quais cristãos são
perseguidos. Recomendo aos interessados que se informem através do portal www.acn.org.br. Cumpre registrar que o Padre
Werenfried ficou famoso por pedir aos flamengos que ajudassem refugiados
alemães após a II Guerra, algo impensável num país que sofrera sob o domínio
nazista. Perdoar é cristão, mas não é nada fácil.
Iniciativas
como esta não contam com muita divulgação. Por quê? Lembro da insistência com
que meu pai falava da perseguição que a Igreja sofre, da maledicência de seus
detratores, dos ataques de seus inimigos. Isto num tempo muito anterior à nítida
apostasia de nações europeias e à nova invasão cultural muçulmana no Velho
Continente. Quando vejo as exigências da prática islâmica, consignadas na
sharia, não posso evitar de recordar as palavras de Cristo: “meu jugo é suave e meu fardo é leve”. Fico
a me perguntar se está distante o momento em que o mundo ocidental descobrirá, com
arrependimento, a sabedoria e a verdade desta afirmação.
É
perceptível a confusão de nosso tempo, gestada silenciosamente pelo
relativismo, afetando inclusive a gente cristã. A ponto de uns e outros
colocarem em dúvida a existência do inferno e o magistério da Igreja. Como se
pudéssemos catar no Evangelho, a nosso talante, as passagens que aceitamos para
constituir um evangelho particular. Assim cada qual seleciona o que lhe convém
e atribui ao que rejeita a condição de coisa atrasada, alegoria, bobagem ou
redação maliciosa da mão humana. Isto sem falar dos ataques mais grosseiros ao
Vaticano e ao Papa.
Já
entrei em embates desta natureza, buscando iluminar discussões. Como nem sempre
o fiz com o mínimo de sabedoria, decidi me policiar neste campo minado, seja
porque careço de melhor formação, seja porque não é sábio debater com eventuais
mal intencionados, dispostos somente a polemizar para denegrir a instituição
fundada pelo próprio Cristo.
Já
escrevera sobre o tema em outras oportunidades, mas decidi retornar a ele
depois de receber pela rede mundial uma charge em que Cristo, chicote à mão,
expulsa o Papa Francisco, como fez com os vendilhões do templo. Trata-se da
velha acusação de que a Igreja é riquíssima e deveria doar tudo que tem para
eliminar a pobreza do mundo. Quem brande esta denúncia deve desconhecer o “pobres sempre os tereis” e sobretudo sequer
suspeita o trabalho social da Igreja mundo afora, como o extraordinário
testemunho da Ajuda à Igreja que Sofre.
O
seriado italiano “Pode me chamar de
Francisco” resumiu a trajetória do Cardeal Bergoglio até sua escolha no
conclave. Numa passagem o Superior Geral da Companhia de Jesus o escolhe como
provençal da América do Sul, porque é firme na doutrina, mas flexível com a humanidade.
É o que de fato o Papa Francisco segue transmitido, demonstrando firmeza, humildade
e amor pelos inimigos. Entre nós, os leigos, silenciar diante das injustiças
assacadas contra a Igreja pode estar entre a caridade e a omissão. Não espero
que se defenda a Igreja com o espírito de quem defende seu clube de futebol, mas
sim para
contrapor a verdade a tanta mentira. Acho que vale o risco. Melhor que sentar
praça entre os mornos, cujo destino bíblico é lastimável.
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| J. B. Teixeira |


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