A grande festa está a chegar! Preparemo-nos sem atrasos, em
breve celebramos de um modo especial os grandes Mistérios da Morte e
Ressurreição que diariamente se renovam em cada Santa Missa.
Mas, se há Festa Grande, há que prepará-la! Somos convidados, nas
próximas semanas, adquirir um traja novo, o qual não se compra, mas
conquista-se através da oração, jejum e esmola. Como afirmou o Papa Francisco a
5 de Março de 2014, este tempo serve para consciencializarmo-nos “mais e mais
da misericórdia infinita que Deus usou para connosco (…) e transbordar para os
outros. Abrir-se a Deus e aos
outros”, afirmando ainda que diariamente somos confrontados com uma
cultura do “fazer”, do “útil”, onde sem perceber excluímos a Deus de nosso
horizonte.
Através de uma oração mais intensa conseguimos que Deus preencha
a nossa mente. Já sabemos que estar em oração permanente não significa estar
longas horas dentro da Igreja ou no quarto a rezar, embora possamos dedicar
mais alguns minutos que o habitual. Na realidade, a oração permanente consiste
em referir tudo a Deus, não é mais que isso, fazer tudo sabendo que estamos sob
o olhar de Deus, consciencializarmo-nos que o seu olhar está permanentemente
sobre nós. Mas, para isso, é necessário “despirmo-nos” de nós próprios pelo que
surge o jejum tão pouco compreendido neste mundo hedonista que apela a uma
incansável satisfação dos nossos apetites. O Papa Emérito Bento XVI recordou,
numa das suas audiências, que o jejum não deve ser formal nem para nos
sentirmos justificados, com a noção de dever cumprido, mas sim, se afeta a
nossa segurança e se nos ajuda a inclinar sobre o necessitado
São Basílio recorda que o Jejum foi ordenado no Paraíso. Deus
mandou que se abstivessem de comer da árvore da
Vida, pedindo assim que se abstenham de algo para mostrar o seu amor a Deus,
porque é disso que se trata, jejuamos, dando prioridade a Deus, sobre os nossos
caprichos.
Encontramo-nos entorpecidos
pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio
para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim, Esdras antes da viagem de
regresso do exílio à Terra Prometida, convidou o povo reunido a jejuar aplacando
a “ira” do Senhor desistindo de qualquer castigo, os habitantes de Nínive ao
ouvir a profecia de Jonas fizeram penitência, em que o próprio rei “levantou-se
do seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza” ,Deus viu as suas obras e compadeceu-se
desistindo do castigo que lhes ia infligir.
Finalmente, a esmola indica a
gratuidade, porque é dar a alguém que não pode retribuir, consciente que todos
os nossos bens são uma dádiva de Deus, sem qualquer merecimento da nossa parte.
“ajuda-nos a treinar o coração na essencialidade na partilha. É um sinal de
consciência e responsabilidade diante das injustiças, abusos, especialmente
para com os pobres e os pequeninos, e é um sinal da confiança que depositamos
em Deus e na sua providência”, lembrou Bento XVI.
Estes quarenta
dias não são mais que um “retiro”, esse encontro mais íntimo com Deus,
apressemo-nos, deixemos tudo o que nos estorva para que Ele entre nos nossos
corações.
Maria
Guimarães
Bem haja por nos recordar do que já era suposto sabermos.
ResponderEliminarO texto certo na altura certa, parabens por arriscar o politicamente incorrecto, sem medo, com confiança, vamos em frente, se Deus está connosco, quem pode estar contra nós ou ter medo?