A família, suas dificuldades, o desafio educativo e a educação cristã em situações difíceis
Roma, 10 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora
“Há um caminho de reflexão sendo trilhado com serenidade,
sabendo-se que as conclusões não são para os próximos dias; haverá outra
reflexão antes do sínodo de 2015”, declarou hoje o director da Sala de
Imprensa da Santa Sé, pe. Federico Lombardi, ao comentar o andamento do
sínodo dos bispos sobre a família, que entrou em seu quinto dia de
reuniões.
Estavam presentes hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé, além do pe.
Lombardi, os porta-vozes Rosica e Manuel Dorantes, respectivamente para
os idiomas inglês e espanhol, bem como o casal norte-americano Alice e
Jeffrey Heinzen e a jornalista e teóloga libanesa Jocelyne Khoueiry.
“O papa Francisco chega e escuta, dando assim um grande testemunho”,
comentou o porta-voz para o idioma espanhol, ressaltando que a
capacidade de escuta do Santo Padre se faz constantemente presente.
Nas diversas intervenções e respostas apresentadas durante as
discussões, tem ficado claro que existe no sínodo uma grande atenção à
doutrina da Igreja, que aponta para a indissolubilidade do matrimónio, e
ao mesmo tempo uma profunda sensibilidade às exigências pastorais, que
pedem uma resposta evangélica para as famílias e pessoas machucadas por
casamentos desfeitos.
Entre os testemunhos dos padres sinodais, um deles indicou que “não
somos chefes da misericórdia de Deus; a missão que Jesus nos deu é a de
evangelizar e de curar, de levar a boa nova”.
Outro padre sinodal recordou a importância da pastoral infantil, que,
se apresentada de modo adequado, leva os pais a se reaproximarem da
Igreja. Falou-se também da importância da relação entre a família e a
educação dos filhos, com particular referência ao direito dos pais de
escolher o programa educativo mais apropriado, sem imposições por parte
dos governos, para que os seus filhos recebam uma educação de qualidade.
Da vocação ao matrimónio, enfatizou-se que ela não deve se concentrar
no seu aspecto “contratual”, mas sim no amor como doação própria ao
cônjuge.
Abordou-se ainda a necessidade de maior respeito pelo “sacerdócio dos
leigos” e destacou-se que a misericórdia e a verdade não são opostas
uma à outra. Sugeriu-se, além disso, que se abram os tribunais
eclesiásticos para os leigos e para as mulheres no tocante ao estudo das
anulações matrimoniais.
Sobre o número decrescente de casamentos entre os jovens e o aumento
das convivências informais, observou-se a difusão da ideia do casamento
mais como um evento social de alto custo económico do que como um
sacramento, o que leva os namorados, muitas vezes, a deixar o sacramento
em segundo plano a fim de evitar gastos excessivos.
Outro dos padres sinodais participantes convidou a assembleia a olhar
para o matrimónio a partir da perspectiva dos filhos: “Eu sou filho de
divorciados e senti pessoalmente o estigma contra os meus pais e contra
mim”.
Recordou-se também que alguns pais ou mães ficam sós: que as igrejas
estão cheias de “viúvos e viúvas do divórcio”, abandonados pelo outro
cônjuge. Nestes casos, o padre sinodal que tinha a palavra pediu que
seja promovido um caminho de penitência e de reconciliação final.
Levantou-se ainda a necessidade de uma nova pastoral para as crianças
que passam um fim de semana numa casa e o fim de semana seguinte em
outra, e que convivem com realidades como “a namorada do papai” ou “o
companheiro da mamãe”.
Sobre a educação em países laicistas, destacou-se o direito
inalienável de escolha, por parte dos pais, do tipo de educação que
consideram mais acorde aos seus princípios, mesmo que contrariado as
imposições ideológicas do governo. Além disso, abordou-se o facto de os
colégios católicos não estarem ajudando os mais jovens como seria
desejável.
Um auditor leigo solicitou melhor formação dos sacerdotes, tanto do
ponto de vista religioso quanto do antropológico: os padres devem ser
devidamente preparados para explicar questões de família e tratar da
vida quotidiana em suas homilias, já que, para muitos fiéis, as homilias
são a única fonte de formação católica.
No transcurso das oito congregações gerais realizadas até agora, as
intervenções dos padres sinodais totalizaram 180, além de outras 80
durante as horas de debate livre.
Ontem à tarde reiterou-se também a vocação à vida como elemento
fundamental da família e a necessidade de se conhecer bem a encíclica
Humanae Vitae, de Paulo VI, para que haja melhor compreensão da
importância dos métodos naturais de regulação da fertilidade e da não
aceitação da contracepção. União e procriação não estão separadas do ato
conjugal: daí a condenação, reafirmada ontem, da manipulação genética e
da criopreservação de embriões.
Anunciou-se também que a Comissão Especial de Estudo para a reforma
do processo matrimonial canónico, instituída pelo papa Francisco em 20
de setembro de 2014, está preparando um procedimento mais simples e
único para toda a Igreja.
Mais uma vez, reflectiu-se sobre a relação entre migração e família,
reforçando-se que a família é um direito fundamental de cada migrante.
Os responsáveis pelas políticas internacionais de migração foram
exortados a proteger o direito à unidade familiar, porque, para os
migrantes, a família é um elemento essencial de integração nos países de
destino.
(10 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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