Reunidos em grupos de trabalho por grupos linguísticos, os padres sinodais propõem novos elementos de trabalho sem chegar ainda a um documento definitivo
Cidade do Vaticano, 16 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García
Durante a décima segunda congregação geral do sínodo dos
bispos, na manhã de hoje, foram apresentados os relatórios dos dez
“círculos menores”, grupos de trabalho divididos por línguas (três em
inglês, três em italiano, dois em francês e dois em espanhol). Os
círculos menores fizeram uma avaliação da “relatio post disceptationem”
apresentada na segunda-feira, junto com possíveis sugestões a ser
incluídas na "relatio synodi", o documento definitivo e conclusivo da
assembleia sinodal.
O padre Federico Lombardi informou à imprensa na sessão informativa
de hoje que o papa Francisco decidiu acrescentar dois novos membros à
comissão encarregada do documento final do sínodo, para ampliar a sua
representação geográfica: o cardeal Napier, da África do Sul, e dom
Hart, da Nova Zelândia. Além disso, o cardeal Müller pediu que fossem
desmentidas as declarações feitas pela imprensa de que ele teria
afirmado que a relatio era "indigna, vergonhosa e completamente errónea".
Para dar mais detalhes sobre os textos apresentados pelos círculos
menores, falaram à imprensa o cardeal Schönborn, arcebispo de Viena, e o
casal Francesco Miano e Pina de Simone.
O purpurado se mostrou impressionado com o interesse que o sínodo
está gerando. "Há poucos temas que tocam tanto cada um de nós quanto a
família", observou. Indo além da questão religiosa e cultural, ela é uma
realidade fundamental e a Igreja sempre esteve muito atenta a essa
realidade.
Schönborn falou do papel fundamentalmente positivo da família: "O
papa não nos convidou a ver só o que não funciona na família (...), mas a
mostrar a beleza e a necessidade da família. Por isso, ele nos convidou
também a olhar atentamente para a realidade. Esta é a ideia do
questionário enviado a todo o mundo: 'contem-nos como vai a família'",
explicou, recordando que esta é a primeira vez que um sínodo se baseia
numa documentação tão ampla.
O cardeal fez referência a uma palavra-chave usada pelo papa
Francisco: "acompanhar". "Não julgar, mas acompanhar. Isto pode ser
entendido como um relativismo, mas não é".
A seguir, falaram Francesco Miano e Pina de Simone. "Para nós é uma
grande e bela experiência", disse Francesco, reconhecendo ainda a grande
responsabilidade e a alegria de viver um momento decisivo da Igreja no
espírito do Concílio Vaticano II. Ele recordou a importância e a
necessidade de narrar as belas experiências de família, o que "não
significa criticar os outros". Por sua vez, Pina observou a "seriedade
com que se está trabalhando. É um debate sério, com a vontade de um
olhar realista, que saiba captar não só os problemas e dificuldades".
Nas sugestões dos círculos menores, que estudam ponto por ponto a relatio, foram feitas várias apreciações.
Em geral, destacou-se que a relatio se concentrou nas preocupações
das famílias em crise, faltando uma referência mais ampla à mensagem
positiva do evangelho da família e ao fato de que o matrimónio, como
sacramento e como união indissolúvel entre homem e mulher, é um valor
ainda muito presente e no qual muitos casais acreditam. "Não podemos dar
a impressão de que a família cristã foi descuidada em nosso diálogo
sinodal", precisa um dos grupos.
Evidenciou-se também, mais adequadamente, a doutrina sobre o matrimónio, insistindo-se no fato de ele ser um dom de Deus. Alguns
temas propostos para a relatio final são as adopções, as questões da
biotecnologia, a difusão da cultura via web, as políticas em favor da
família, a presença dos idosos nos lares e as famílias em extrema
pobreza.
Por outro lado, falou-se em ressaltar o papel fundamental das
famílias na evangelização e na transmissão da fé, destacando-se a
vocação missionária.
Quanto às situações familiares difíceis, vários círculos menores
destacaram que a Igreja tem que ser uma casa acolhedora para todos, mas
com a devida clareza para evitar confusões, hesitações e eufemismos na
linguagem. Fez-se referência à lei da gradualidade, que não deve se
tornar uma “gradualidade da lei”.
Outros círculos pediram aprofundamento do conceito de "comunhão
espiritual", para que seja avaliado e, eventualmente, promovido e
difundido.
A respeito da comunhão para divorciados recasados, foram manifestadas
basicamente duas opiniões. Por um lado, que a doutrina não seja
modificada; por outro, que haja a possibilidade de se conceder a
comunhão na perspectiva da compaixão e da misericórdia, desde que sejam
cumpridas determinadas condições. Pediu-se, de todos modos, que haja
mais atenção pastoral aos divorciados que não voltaram a se casar.
O processo mais ágil de reconhecimento da nulidade do matrimónio e da
constatação da sua validade foi outro dos temas repetidos nos círculos
menores.
Quanto às uniões homossexuais, reiterou-se a impossibilidade de
equiparar o matrimónio entre homem e mulher às uniões entre pessoas do
mesmo sexo, mas quem tem esta orientação deve ser acompanhado
pastoralmente e protegido na sua dignidade.
Sobre a poligamia, em particular dos polígamos convertidos ao
catolicismo que desejam receber os sacramentos, foi sugerido um estudo
mais amplo.
(16 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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