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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sínodo da família, 3° dia. Ser tocha que transmite o fogo da fé

Continuam os discursos sobre diversos temas: do casamento misto na África ao aumento de crianças nascidas fora do matrimónio na América Latina


Roma, 08 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora


O terceiro dia do Sínodo dos Bispos sobre a família, que dura duas semanas, e conta com a presença do Papa Francisco, abriu esta quarta-feira com o canto da "Hora Terça".

O Sínodo tem duas sessões diárias chamadas 'congregações'. Esta manhã o Santo Padre não participou da quinta congregação, porque fez a catequese na Audiência Geral de quarta-feira, na Praça de São Pedro.

A congregação começou com a reflexão do arcebispo escocês de Grasgow, Philip Tartaglia, que lembrou o referendo realizado no mês passado em seu país, onde as posições de sim e não, dividiu fortemente o eleitorado: 85% votou, escolhido por pouco mais da metade, permanecer unido à Grã-Bretanha. Depois, levantou-se a questão da reconstrução da unidade do país. Partindo desta ideia, citou a carta de São Paulo que ensina: "O amor é sempre paciente e compassivo...", e passou para a problemática dos litígios familiares que termina em separação ou divórcio. Ele alertou para a necessidade da Igreja de mediar e reconstruir. E concluiu com um "não podemos falhar nisto."

Hoje aconteceram 78 intervenções, disse o director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, durante a conferência de imprensa em que o presidente da Univesidade Católica de Buenos Aires, Mons. Víctor Fernández, e o bispo africano Ignatius Kaigama estiveram presentes. Além do porta-voz espanhol, o Pe. Manuel Dorantes, e do inglês, Pe. Thomas Rosica.

O porta-voz do Vaticano disse que hoje a África esteve muito presente, com a participação de um casal da Costa do Marfim: a mulher cristã e o marido muçulmano. Assim, a variedade e a complexidade da situação na África foi compreendida, pois em outros países isso não é possível; normalmente, a mulher tem de se tornar muçulmana. E também as diversas realidades pastorais e problemas pastorais específicos.

Falou-se também, disse o Pe. Lombardi, sobre a luz que a Igreja leva ao mundo como “tocha que acompanha o povo no caminho, passo a passo”. Recordaram também que a crise da família está ligada à crise de fé, e que a fé não é apenas aderir ao conteúdo, mas acima de tudo uma adesão pessoal a Cristo.

O director da Sala de Imprensa sublinhou que muitas intervenções destacaram a confiança na graça de Deus, maior do que as nossas fraquezas; bem como a importância da oração na vida familiar. Houve também ​​belos discursos sobre o perdão e a reconciliação na família. Além disso, ​​discursos sobre o amor de Jesus, recordando a samaritana, e este modo evangélico que converte o coração.

Outra questão foi a fidelidade à doutrina do magistério da Igreja e a misericórdia, e os problemas concretos de muitas pessoas. "Tudo isso apresentado em várias intervenções", disse Lombardi, assim como a maneira de “propor a doutrina hoje."

Durante os discursos foi lembrado que o Vaticano II reconciliou a questão entre a verdade e a liberdade religiosa, em analogia com o que o Sínodo tem que fazer em relação a pastoral familiar.

Destacou-se que a missionariedade das famílias deve ser apoiada; e a importância do anúncio que as famílias levam, os movimentos, e o convite do Papa aos jovens no Rio de Janeiro, diante de uma cultura do provisório.

Falou-se também, continuou Pe. Lombardi, sobre os pontos positivos da família como um lugar de acolhimento, especialmente dos idosos e enfermos.

Por sua vez, o porta-voz espanhol, Pe. Dorantes, lembrou que nos discursos nesta língua, sublinhou-se o fato de que muitos casais chegam até o matrimonio sem ter feito a primeira comunhão ou a crisma. 

Ao avaliar a situação da família, um dos padres sinodais comentou sobre as várias ameaças, como a brecha criada pela pobreza, que levam à separação para sustentar as famílias. A pobreza, a falta de educação e trabalho, que provoca o fenómeno migratório.

Outro grande desafio levantado, afirmou o porta-voz em espanhol, foi a solidão dos idosos e das crianças. Além disso, a dificuldade dos jovens em assumir compromissos, e das comunidades indígenas, onde existe um período experimental de três anos antes do casamento, em que muitas vezes a mulher é devolvida para sua casa. Ele disse que outro padre sinodal comentou que em seu país 70% das crianças nascem fora do matrimónio, portanto, sofrem com a falta de uma família e com todos os problemas que isso implica.

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