Entrevista com o Pe. Heinrich Walter, presidente da Presidência Geral do Movimento Internacional de Schoenstatt e Superior Geral dos Padres de Schoenstatt
Roma, 13 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Paul De Maeyer
Está quase chegando a hora. O Movimento apostólico de
Schoenstatt celebra seu aniversário de 100 anos no sábado, 18 de Outubro. Em um dia como esse, há exactamente 100 anos atrás, o sacerdote
Pallotino – Padre José Kentenich – selou uma Aliança de Amor com a
Santíssima Virgem, acto fundacional do Movimento. Por ocasião do Jubileu,
o Pe. Walter concedeu uma entrevista ao ZENIT.
Zenit: Em breve, o Movimento Apostólico de Schoenstatt celebrará seu centenário. O que deu origem ao Movimento?
Pe. Heinrich Walter: Schoenstatt nasceu no ano de 1914 em Vallendar,
próximo ao Rio Reno. Neste tempo, o Pe. José Kentenich era o director
espiritual dos jovens do Seminário Menor que se preparavam para ser
sacerdotes Pallotinos. Em uma conferência dada para estes estudantes,
revelou a eles um programa para a fundação de um lugar mariano de
peregrinação. Eles pediram a Maria que tomasse posse deste lugar. A
ideia do Pe. Kentenich caiu em terra fértil. Os jovens se dispuseram a
viver e a trabalhar para esta causa, e convidaram outros a se unirem
também. Isso aconteceu na capelinha de Schoenstatt, a qual chamamos
"Santuário Original", alí surgiu uma comunidade de fé crescente e
alegre, formada por cristãos de todos os estados de vida. Schoenstatt
cresceu rapidamente e logo foram surgindo as primeiras formas, regras e
estatutos.
Zenit: E como cresceu o Movimento?
Pe. Heinrich Walter: Cresceu através da juventude. Estes jovens vão
crescendo e dando vida à comunidades de adultos. As comunidades se
dividem em três grandes ramos: Sacerdotes, homens e mulheres. A primeira
comunidade independente foi a das Irmãs de Maria, fundada em 1926. Já
nos anos 30, o Movimento estendeu-se em outros continentes graças a seu
trabalho missionário. Hoje em dia contamos com mais de 100.000 membros
activos do Movimento e milhões de pessoas que, em aproximadamente 100
países, tem algum tipo de contacto com Schoenstatt.
Zenit: Qual é o núcleo ou “carácter próprio” da espiritualidade de Schoenstatt?
Pe. Heinrich Walter: Em Schoenstatt cada indivíduo forma sua vida de
acordo com a sua relação pessoal com Deus. Isto se dá a partir de sua
experiência com a pessoa de Maria. Vemos nela a pessoa que viveu a mais
profunda relação com Jesus. Ela é nosso modelo e exemplo no caminho da
fé. Ela nos convida a caminhar de mãos dadas e nos conduz a uma relação
pessoal com seu Filho. A esta especial decisão de fé, chamamos Aliança
de Amor. A Aliança de Amor é nossa forma de fé. Caracteriza o modo em
que escutamos a Deus, como nos unimos a Maria e como seguimos a Cristo. A
partir da Aliança damos forma a nossa vida e a nossas relações e também
determina nosso modo de actuar em nosso trabalho e na vida diária.
Também é o catalisador com o qual se encerra um período da vida ou se
abre outro. Por exemplo: Muitas famílias renovam conscientemente sua
Aliança de Amor cada vez que nasce um filho.
Zenit: Schoenstatt é um movimento “apostólico”. O que quer dizer isso exactamente?
Padre Heinrich Walter: Na Igreja existem comunidades contemplativas,
com um lugar estável, e há também movimentos missionários, que vão aos
lugares onde o Evangelho ainda não é conhecido. Schoenstatt trabalha
pelo aprofundamento da fé em todos os níveis. Nós nos entendemos como
enviados às pessoas para dar testemunho de fé. Nosso apostolado inclui
trabalho de relações, cursos de fé, projectos pedagógicos e sociais,
análises científicas com as perguntas de nosso tempo, assim como
trabalhos em rede com outros que vão em uma mesma linha.
Zenit: Uma particularidade é que o chamado “Santuário Original” em
Schoenstatt, tem muitas réplicas em todo o mundo. O que pode nos dizer
sobre isso?
Padre Heinrich Walter: À medida em que o movimento crescia nos outros
continentes surgiu a necessidade, de transmitir às pessoas o que
significava a capela de graças. No Uruguai surgiu a pergunta se não
seria possível simplesmente fazer uma réplica do Original. O Padre
Kentenich, que naquela época estava como prisioneiro em Dachau, teve uma
reacção positiva e assim surgiu o primeiro Santuário filial. O Santuário
nasceu como sinal de identidade, como marca de Schoenstatt, sem
importar em que idioma ou cultura, os membros do movimento encontram,
lugares no mundo inteiro onde possam se sentir em casa. Hoje temos 210
réplicas. Há apenas um mês foi abençoado um novo Santuário em Austin,
Texas.
Zenit: No domingo, 5 de Outubro, aconteceu no santuário mariano de
Pompeia a tradicional Súplica à Virgem de Pompeia. Que relação existe
entre Pompeia e Schoenstatt?
Padre Heinrich Walter: A reportagem sobre a origem do santuário
mariano em Pompeia, na Itália, foi para o Padre Kentenich um sinal de
Deus. Neste sentido, Pompeia tem um significado como impulso inicial.
Por isso, durante 9 dias que antecedem o Jubileu, cerca de 90 jovens de
aproximadamente 10 países, levam uma tocha ao longo de 1.800 km desde
Pompeia até Schoenstatt. No entanto não existe nenhuma relação concreta
ou trabalho em conjunto com Pompeia.
Zenit: Em Roma está acontecendo o Sínodo das famílias. Qual o papel das famílias no movimento?
Padre Heinrich Walter: Nos últimos 50 anos, o ramo das famílias está
se convertendo, cada vez mais, em uma figura emblemática do movimento. É
a parte do movimento que cresce mais fortemente e com isso se produziu
muitos elementos de um estilo de vida e de relacionamentos. Nas áreas de
espiritualidade e relação do casal há incontáveis programas e cursos de
formação em todo o mundo.
Zenit: O que o movimento faz para acompanhar casais que se preparam para o matrimónio ou que já estão casados?
Padre Heinrich Walter: Oferecemos uma ampla escala de preparação de
casais em cursos intensivos que se estruturam em semanas ou módulos, e
que tomam forma de encontros ao anoitecer durante meses. As reuniões de
fim de semana, que surgem destes cursos e que se realizam ano a ano
depois de estarem casados, tem dado bons resultados. Há cursos para
perguntas sobre o relacionamento e formação para outros casais guias, a
chamada Academia de Famílias. Queremos capacitar famílias para que
ajudem outras famílias. Disso surgiu uma ampla rede.
Zenit: Hoje se fala muito do desafio que apresenta a questão dos
casamentos de segunda união. O Movimento de Schoenstatt, tem programas
pastorais para casais que passam por crises ou que já se separaram?
Padre Heinrich Walter: Em Schoenstatt não é indiferente a realidade
dos casamentos de segunda união. Há distintos programas, dependendo o
país e o desafio. No Paraguai, por exemplo, trabalham, atentamente, com a
chamada “Pastoral da esperança”, iniciativa que já tem alguns anos.
Trata-se de uma pastoral dirigida unicamente casais de segunda união.
Com esta iniciativa queremos deixar claro que, na Igreja, há um lugar
para eles. O projecto foi criado com a colaboração da Conferência
Episcopal.
Zenit: O que Schoenstatt espera da celebração do Jubileu de seus 100 anos?
Padre Heinrich Walter: Esperamos, em primeiro lugar, poder
experimentar profundamente a grande comunidade multicultural que possui a
mesma identidade. Esperamos também uma motivação de renovação e da
missão do espírito original. e confiamos no fogo da nova geração, para
que o movimento possa contribuir de maneira adequada ao futuro nos
desafios actuais.
Zenit: Com que espírito o movimento se prepara para seu encontro com o Papa Francisco, no próximo 25 de Outubro no Vaticano?
Padre Heinrich Walter: Nós estamos muito unidos a ele e às suas
directrizes para a Igreja, pois nos tempos do concílio o Padre Kentenich
falou da pobre e humilde Igreja como uma Igreja peregrina que vai ao
encontro das pessoas. Também falava de uma Igreja que é movimento e
família ao mesmo tempo. Nos alegramos muito de poder nos encontrar com
ele, lhe expressaremos nossa solidariedade e esperamos uma mensagem
inspiradora. Como a Igreja também é família, o Papa Francisco é uma
figura paterna que fortalece o espírito desta família.
Agradecemos profundamente esta conversa.
(13 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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