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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Começou aos 8 anos a consumir pornografia e a oração libertou-o do vício; hoje ajuda os outros

Matthew Fradd 

Matthew Fradd

Actualizado 28 de Setembro de 2014

Catholic Herald / Portaluz

Uma inesperada conversão na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Roma no ano 2000 situou-o no caminho para libertar-se do seu vício da pornografia. Mas esse foi apenas um ponto de partida, o ponto de quebra ocorreria só depois do seu matrimónio.

Com os anos chegariam as entrevistas nas principais cadeias internacionais de televisão, o escrever livros, dar conferências em colégios e universidades, suster páginas na internet desde onde difunde uma variedade de artigos de evangelização e essencialmente viver a sua vida como um apóstolo que promove as bondades da eucaristia (e adoração eucarística), a confissão e o rosário, como meios para suster-se na pureza e castidade.

Tinha 8 anos quando se iniciou na pornografia

É a vida de Matthew Fradd, australiano, casado, pai de três meninos, que iniciou o seu vício pelo porno quando estando no sótão da casa de um familiar, encontrou uma revista que o deixou "completamente cativado”. Tinha oito anos e não pode resistir ao impulso de rebuscar por toda a casa do seu parente (às escondidas) para ver se encontrava mais revistas.

Depois, entre os 11 e os 12 anos, conta que ele e um amigo roubavam revistas pornográficas das lojas locais e estações de serviço. Fingiam olhar revistas de carros ou de heavy metal, e, quando supunham que ninguém estava olhando, punham um Playboy ou Penthouse debaixo das suas roupas e saíam correndo. Matthew recorda que terminou com uma boa colecção, toda escondida no lugar mais profundo da sua cómoda.

A pornografia paralisa a capacidade de amar
Contou muitas vezes a sua história na televisão e rádio, perante multidões de pessoas no Canadá, Irlanda e Estados Unidos. Fá-lo porque crê que a pornografia não é inofensiva, mas sim um mal, diz, que "paralisa a capacidade de uma pessoa para amar. Castra os homens e degrada as mulheres”.

Deus pai e o dom da fé
A sua vida começa a ser transformada explica, ao iniciar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2000 em Roma. Até então tinha sido um "auto-declarado agnóstico", mas a aventura de viajar a Europa (quase a custo zero para ele) resultava-lhe irresistível… Ainda que para isso tivesse que acoplar-se a essa actividade da Igreja. "A ideia de crescer na fé, descobrir Jesus ou escutar o que o Papa tinha que dizer, para ser honesto 
não eram algo que me motivasse", disse.

Sem dúvida já na viagem surpreenderam-lhe os outros jovens no avião. "Nunca tinha conhecido jovens cristãos que realmente acreditavam na sua fé, que pareciam viver segundo os ensinamentos da Igreja… Sobretudo, incluindo a sua sexualidade. Eu nunca tinha conhecido gente como essa que se viam normais. E não só normais, mas sim muito ‘cool’ (equilibrado num estilo próprio) e próximos".

Em são Pedro começa a orar...
Impactado e arrastado de alguma forma pela espiritualidade que surgia em redor, recorda que num momento, no início do primeiro dia da JMJ estando na Praça de São Pedro, decidiu orar… Em princípio para ver se surgia algum sinal de que Deus existia. E ao que parece esta oração ia ser escutada. "Nunca me tinha sentido tão feliz na minha vida", disse. "Tive a certeza esmagadora de que Deus é real, que Ele me ama… Se isto era certo quanto mudaria tudo em mim?”… “O lento processo da santificação – disse -, começou então”.

Rosário: uma cadeia que liberta
À medida que no decorrer dos meses seguintes a fé se assentava com a prática religiosa e sacramental Matthew assinala que passava períodos mais longos sem recorrer a olhar pornografia e inclusive cada vez significava um menor esforço prescindir dela.

Uma recaída
Mas no ano 2006, precisamente depois de contrair matrimónio, sobreveio a recaída. “Enquanto a minha mulher dirigia um estudo da Bíblia com mulheres, ensinando-lhes acerca da sua dignidade, eu olhava pornografia”, recorda.

Sentia-se, disse, "absolutamente envergonhado", e na sua confissão seguinte comentou ao sacerdote que estava "farto" de repetir a mesma coisa uma e outra vez. Cansado deste apego ao porno. O sacerdote, comenta Matthew, sugeriu-lhe recorrer à ajuda da Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora da Pureza. “Não acreditava que isto realmente ia funcionar, mas nada perdia com tentá-lo”, precisa.

"Desde esse dia tomei o rosário e rezo por esta intenção". "E continuei… No final de rezá-lo gosto de suster o rosário por cima da minha cabeça como uma cadeia com as duas mãos e dizer: «Mãe Bendita, tomei a tua cadeia, agora liberta-me das cadeias da minha luxuria»".

A libertação renova-se no apostolado
Mas ainda que já tenham passado anos desde aquele primeiro rosário, é cauteloso acerca desta tentação. "A minha libertação não sucedeu no decorrer de uma noite, e não estou tratando de dizer que nunca poderia voltar a ocorrer", disse. A pureza, explica, é uma batalha diária. "Não é um destino ao qual chegas, onde despertas e pensas: ‘Oh, olha, sou puro!’".

Depois da sua libertação Matthew começou a perguntar-se como podia ajudar a outros homens e mulheres que lutam com o mesmo problema. Gravou o seu testemunho, e pôs em marcha “a página internet mais simples, directa e barata que nunca viste". E começou a ser contactado por gente viciada de todo o mundo. Depois, no ano 2009 um sacerdote deu-lhe $12.000 dólares para que pusesse em marcha o que hoje é a página, já profissional, www.theporneffect.com que recebe cerca de 7.000 visitantes por dia.

Fradd diz que as pessoas devem ser honestas e admitir que inclusive muitos católicos podem ser viciados na pornografia. "Os que se sentam ao lado de nós na igreja talvez nem sequer imaginam o problema que envolve a pornografia, e talvez a consumem e estão até às sobrancelhas nela".

Não basta só os meios humanos
Desde a sua própria experiência de luta contra a pornografia Matthew crê que só com meios humanos não é possível libertar-se de tal vício e por isso recomenda ele “jejum e a Adoração do Santíssimo Sacramento, a confissão e o rezar do rosário”. Porque só com meios humanos crê não é possível superar tal vício...

"Queremos ser a classe de homens que ao morrer Satanás faça uma festa e diga: Por fim se foi, fez demasiado dano ao meu reino! Esse é o tipo de homem que quero ser. E creio que esse é o tipo de homem que a maioria dos homens quer ser".


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