O cardeal Filoni elogia os esforços das famílias missionárias e a força da família no Oriente Médio, mesmo em tempo de guerra
Cidade do Vaticano, 15 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio
Trabalhos em andamento: esta foi, mais uma vez, a forma como
os padres sinodais descreveram a fase actual do seu trabalho, alertando
contra previsões infundadas e contra soluções fáceis para questões como
as relações entre pessoas do mesmo sexo ou o segundo casamento dos
divorciados.
“Não estamos inventando nada”, disse o cardeal Wilfrid Fox Napier,
arcebispo de Durban, na África do Sul, durante a conferência de imprensa na
Sala de Imprensa do Vaticano. “Dissemos que mudará a linguagem, não o
ensinamento da Igreja”.
Por isso, "é preciso ajudar os leitores e telespectadores não a
formar ideias desde já, mas a ter uma ideia da extraordinária riqueza do
debate que está acontecendo", complementou o cardeal Fernando Filoni,
prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos: “Dá a impressão
de que estamos falando só de alguns pontos, quando na realidade há uma
riqueza de debate extraordinária”.
A relatio post disceptationem reflecte essa riqueza de temas. Ela "não
é um documento oficial do magistério", mas "um instrumento de trabalho
do qual surgem muitos pontos de vista", observa o cardeal Napier.
O prelado sul-africano explicou que, neste mosaico a ser completado e
ajustado, os grupos de trabalho, chamados “círculos menores”,
discutirão os vários temas até sexta-feira, dia em que o seu trabalho
será apresentado na Congregação Geral que, depois, publicará o
relatório. Mas nem mesmo aquele relatório terá ainda o valor de um
documento oficial.
“Nós construímos em cima do positivo, não do negativo”, afirmou
Filoni. “O que levamos em consideração são os problemas e os desafios
que afectam as famílias” nos vários momentos da vida: “da manhã da
criação à tarde do desencanto e à noite do sofrimento”, para chegar “à
aurora da ressurreição”.
Tema de consideração dos padres sinodais são tanto as famílias que
conseguem viver na unidade e na fidelidade quanto as "famílias doentes",
que precisam de cuidado pastoral especial: "Nunca devemos ficar com
ciúmes do filho perdido que quer voltar: é como os pais que não amam
nenhum dos filhos menos que os outros, mas sabem que alguns têm menos
dificuldades que outros".
ZENIT perguntou sobre as famílias missionárias. O cardeal Filoni
explicou que, nos últimos 50 anos, este papel cresceu consideravelmente
"não só dentro das paróquias", mas também nas missões realizadas no
exterior, que antes eram feitas quase exclusivamente pelos religiosos e
religiosas. "A novidade está no fato de que as famílias perceberam que
podem ser não apenas objecto, mas também sujeito da evangelização".
"Há muitas famílias que partem para as missões deixando de lado o
trabalho, depois de um caminho de preparação e de formação. Isso dá ao
anúncio do Evangelho uma alta credibilidade, porque, além do anúncio da
doutrina, há também o testemunho", acrescentou o prelado. O anúncio do
Evangelho, portanto, começa no "testemunho", deixando que "Deus ajude a
amadurecer no coração do povo um terreno fértil para a aceitação da Boa
Nova que, além de anunciada, é também vivida". Encontrar referência em
pessoas que vivem o mesmo problema do pai, da mãe, dos avós, no tocante a
educação, escola, doenças infantis e tudo mais, tem um impacto enorme
na experiência da missão.
Filoni também observou que, se por um lado diminuem as vocações, há
cada vez mais leigos e famílias assumindo uma parte activa da
evangelização.
Quanto à sua recente viagem ao Oriente Médio, o prefeito da
Congregação para a Evangelização dos Povos disse que "quando as crianças
se tornam vítimas de guerra, as famílias são as que mais sofrem". Outro
drama desta guerra, destacou ele, é a perda dos postos de trabalho. Por
esta razão, os padres sinodais decidiram levar às famílias do Oriente
Médio a sua mensagem de solidariedade. "Neste drama, uma das coisas que
mais me impressionaram é que as famílias estavam unidas. Os locais de
acolhimento tentaram recriar o sentido de comunidade, mantendo as
famílias das mesmas aldeias umas perto das outras. Eu fui intérprete
desses sentimentos também dentro do sínodo", contou o cardeal.
(15 de Outubro de 2014) © Innovative Media Inc.
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