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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A "Relatio post disceptationem" não é um "documento oficial", mas um "instrumento de trabalho"

O cardeal Filoni elogia os esforços das famílias missionárias e a força da família no Oriente Médio, mesmo em tempo de guerra


Cidade do Vaticano, 15 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Luca Marcolivio


Trabalhos em andamento: esta foi, mais uma vez, a forma como os padres sinodais descreveram a fase actual do seu trabalho, alertando contra previsões infundadas e contra soluções fáceis para questões como as relações entre pessoas do mesmo sexo ou o segundo casamento dos divorciados​​.

“Não estamos inventando nada”, disse o cardeal Wilfrid Fox Napier, arcebispo de Durban, na África do Sul, durante a conferência de imprensa na Sala de Imprensa do Vaticano. “Dissemos que mudará a linguagem, não o ensinamento da Igreja”.

Por isso, "é preciso ajudar os leitores e telespectadores não a formar ideias desde já, mas a ter uma ideia da extraordinária riqueza do debate que está acontecendo", complementou o cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos: “Dá a impressão de que estamos falando só de alguns pontos, quando na realidade há uma riqueza de debate extraordinária”.

A relatio post disceptationem reflecte essa riqueza de temas. Ela "não é um documento oficial do magistério", mas "um instrumento de trabalho do qual surgem muitos pontos de vista", observa o cardeal Napier.

O prelado sul-africano explicou que, neste mosaico a ser completado e ajustado, os grupos de trabalho, chamados “círculos menores”, discutirão os vários temas até sexta-feira, dia em que o seu trabalho será apresentado na Congregação Geral que, depois, publicará o relatório. Mas nem mesmo aquele relatório terá ainda o valor de um documento oficial.

“Nós construímos em cima do positivo, não do negativo”, afirmou Filoni. “O que levamos em consideração são os problemas e os desafios que afectam as famílias” nos vários momentos da vida: “da manhã da criação à tarde do desencanto e à noite do sofrimento”, para chegar “à aurora da ressurreição”.

Tema de consideração dos padres sinodais são tanto as famílias que conseguem viver na unidade e na fidelidade quanto as "famílias doentes", que precisam de cuidado pastoral especial: "Nunca devemos ficar com ciúmes do filho perdido que quer voltar: é como os pais que não amam nenhum dos filhos menos que os outros, mas sabem que alguns têm menos dificuldades que outros".

ZENIT perguntou sobre as famílias missionárias. O cardeal Filoni explicou que, nos últimos 50 anos, este papel cresceu consideravelmente "não só dentro das paróquias", mas também nas missões realizadas no exterior, que antes eram feitas quase exclusivamente pelos religiosos e religiosas. "A novidade está no fato de que as famílias perceberam que podem ser não apenas objecto, mas também sujeito da evangelização".

"Há muitas famílias que partem para as missões deixando de lado o trabalho, depois de um caminho de preparação e de formação. Isso dá ao anúncio do Evangelho uma alta credibilidade, porque, além do anúncio da doutrina, há também o testemunho", acrescentou o prelado. O anúncio do Evangelho, portanto, começa no "testemunho", deixando que "Deus ajude a amadurecer no coração do povo um terreno fértil para a aceitação da Boa Nova que, além de anunciada, é também vivida". Encontrar referência em pessoas que vivem o mesmo problema do pai, da mãe, dos avós, no tocante a educação, escola, doenças infantis e tudo mais, tem um impacto enorme na experiência da missão.

Filoni também observou que, se por um lado diminuem as vocações, há cada vez mais leigos e famílias assumindo uma parte activa da evangelização.

Quanto à sua recente viagem ao Oriente Médio, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos disse que "quando as crianças se tornam vítimas de guerra, as famílias são as que mais sofrem". Outro drama desta guerra, destacou ele, é a perda dos postos de trabalho. Por esta razão, os padres sinodais decidiram levar às famílias do Oriente Médio a sua mensagem de solidariedade. "Neste drama, uma das coisas que mais me impressionaram é que as famílias estavam unidas. Os locais de acolhimento tentaram recriar o sentido de comunidade, mantendo as famílias das mesmas aldeias umas perto das outras. Eu fui intérprete desses sentimentos também dentro do sínodo", contou o cardeal.

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