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quarta-feira, 6 de março de 2019

Lutar pela esperança para encontrar a alegria

A História ensina-nos que já houve lutas de classes, tempos de conflitos. Parece-me que estamos a viver uma luta de ideais. Não é esse facto que me faz confusão. Mas sim o equívoco relativamente ao conceito de liberdade de expressão.

“Liberdade de expressão é apanágio da natureza racional do indivíduo e é o direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura por parte do governo ou de outros membros da sociedade. É um conceito fundamental nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral.”

Será que vivemos isso em todos os ambientes nos dias de hoje? Não haverá “alguma” censura dissimulada que poderá provocar incompreensão, afastamento e sofrimento? Penso que sim e infelizmente essas pessoas sofrem no silêncio e muitas vezes essas pessoas não são as que os media constroem como vítimas, mas exactamente as “opostas”, pois juntamente com o equívoco da liberdade de expressão, há alguma demagogia e desinformação. Há muitas notícias de crimes, de violência, de corrupção…Sei que não vivemos num mundo de conto de fadas, mas não acontecerão também bons acontecimentos? Claro e graças a Deus que sim. E porque não se “fala” também disso? Fala-se muito de violência e bullying entre os mais novos. Infelizmente, é um mal que existe e devido à gravidade do assunto deverá ser estudado para ser erradicado. Mas será correcto o aproveitamento de “desgraças” em bom nome das audiências? Na minha opinião, há, algumas vezes, desrespeito das pessoas envolvidas que ou são menores e/ou têm claro famílias, que se vêm envolvidas em plena praça pública – deixemos que esses assuntos sejam tratados nas instituições responsáveis. Porque não se fala de jovens que abdicam dos seus tempos de férias para ajudar pessoas necessitadas e causas solidárias? Há bastantes. Tenta passar-se a ideia que a Igreja está envelhecida e os jovens afastam-se cada vez mais dos sacramentos. Então como se explica a multidão de jovens que foi em Janeiro passado ao Panamá para estar com o Papa nas JMJ? Parece-me que houve pouca cobertura desse facto nos media. Estamos a viver tempos conturbados e complicados, mas felizmente podemos e devemos ter esperança, acontecem boas notícias que nos fazem acreditar que ao lado do mal também está o bem.

Acredito que nos momentos difíceis, devemos confiar em Deus e enfrentar os problemas, mesmo sem entender. Não podemos nem devemos baixar a cabeça e cruzar os braços. Devemos continuar o nosso caminho, fazendo a nossa parte. Dentro do possível, devemos combater a manipulação de agradar a “massa popular”, não ir atrás de promessas que muito provavelmente não serão realizadas. Devemos procurar conhecer o cerne das questões que nos “bombardeiam”. Não devemos acreditar em tudo o que lemos à primeira e devemos procurar a verdade. Não podemos desanimar. O optimismo exagerado acaba por desenganar, mas a esperança não desilude.Precisamos muito dela nesta época que parece obscura, na qual às vezes nos sentimos perdidos diante do mal e da violência que nos circundam, perante a dor de tantos nossos irmãos. É necessária a esperança! Sentimo-nos confusos e até um pouco desanimados, porque nos descobrimos impotentes e temos a impressão que esta obscuridade nunca acaba.”, como nos disse o Papa Francisco.

Começámos, esta quarta-feira, o tempo de preparação para a principal Festa da Vida Cristã, a Páscoa. Na sua mensagem para esta quaresma, o Papa Francisco explica que “Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina». Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos». Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus».”
Levemos à prática o conselho do Papa. “A «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens. Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus». Não deixemos que passe em vão este tempo favorável!”

Maria Caetano Conceição



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