A
História ensina-nos que já houve lutas de classes, tempos de conflitos.
Parece-me que estamos a viver uma luta de ideais. Não é esse facto que me faz
confusão. Mas sim o equívoco relativamente ao conceito de liberdade de
expressão.
“Liberdade de expressão é apanágio
da natureza racional do indivíduo e é o direito de qualquer um
manifestar, livremente,
opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura por parte
do governo ou de outros membros da sociedade. É um conceito fundamental
nas democracias modernas nas
quais a censura não
tem respaldo moral.”
Será que vivemos isso em todos os ambientes nos
dias de hoje? Não haverá “alguma” censura dissimulada que poderá provocar
incompreensão, afastamento e sofrimento? Penso que sim e infelizmente essas
pessoas sofrem no silêncio e muitas vezes essas pessoas não são as que os media
constroem como vítimas, mas exactamente as “opostas”, pois juntamente com o
equívoco da liberdade de expressão, há alguma demagogia e desinformação. Há
muitas notícias de crimes, de violência, de corrupção…Sei que não vivemos num
mundo de conto de fadas, mas não acontecerão também bons acontecimentos? Claro
e graças a Deus que sim. E porque não se “fala” também disso? Fala-se muito de
violência e bullying entre os mais novos. Infelizmente, é um mal que existe e
devido à gravidade do assunto deverá ser estudado para ser erradicado. Mas será
correcto o aproveitamento de “desgraças” em bom nome das audiências? Na minha
opinião, há, algumas vezes, desrespeito das pessoas envolvidas que ou são
menores e/ou têm claro famílias, que se vêm envolvidas em plena praça pública –
deixemos que esses assuntos sejam tratados nas instituições responsáveis. Porque
não se fala de jovens que abdicam dos seus tempos de férias para ajudar pessoas
necessitadas e causas solidárias? Há bastantes. Tenta passar-se a ideia que a
Igreja está envelhecida e os jovens afastam-se cada vez mais dos sacramentos. Então
como se explica a multidão de jovens que foi em Janeiro passado ao Panamá para
estar com o Papa nas JMJ? Parece-me que houve pouca cobertura desse facto nos media.
Estamos a viver tempos conturbados e complicados, mas felizmente podemos e devemos
ter esperança, acontecem boas notícias que nos fazem acreditar que ao lado do
mal também está o bem.
Acredito que nos momentos difíceis, devemos confiar em Deus e
enfrentar os problemas, mesmo sem entender. Não podemos nem devemos baixar a
cabeça e cruzar os braços. Devemos continuar o nosso caminho, fazendo a nossa
parte. Dentro do possível, devemos combater a manipulação
de agradar a “massa popular”, não ir atrás de promessas que muito provavelmente
não serão realizadas. Devemos procurar conhecer o cerne das questões que nos “bombardeiam”.
Não devemos acreditar em tudo o que lemos à primeira e devemos procurar a
verdade. Não podemos desanimar. O optimismo exagerado acaba por desenganar, mas
a esperança não desilude. “Precisamos
muito dela nesta época que parece obscura, na qual às vezes nos sentimos
perdidos diante do mal e da violência que nos circundam, perante a dor de
tantos nossos irmãos. É necessária a esperança! Sentimo-nos confusos e até um
pouco desanimados, porque nos descobrimos impotentes e temos a impressão que
esta obscuridade nunca acaba.”, como nos disse o Papa Francisco.
Começámos, esta quarta-feira, o tempo de
preparação para a principal Festa da Vida Cristã, a Páscoa. Na sua mensagem
para esta quaresma, o Papa Francisco explica que “Deus «concede aos seus fiéis
a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as
festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação
cristã, alcancem a plenitude da filiação divina». Assim, de Páscoa em Páscoa,
podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério
pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos». Este mistério
de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico
que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a
criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de
Deus».”
Levemos à prática o conselho do Papa. “A
«quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser
aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do
pecado das origens. Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para
levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão
da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus». Não
deixemos que passe em vão este tempo favorável!”
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| Maria Caetano Conceição |

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