Ser feliz! É uma vocação, uma ambição, um desejo ou uma luta
inglória em contra-corrente? Pode ser tudo isto e muito mais, mas um facto é
que a felicidade é a vocação natural de todo o ser humano, é uma inclinação, é
uma meta e também um projecto.
A felicidade é sempre um sonho de chegar a um destino, uma
constante em perpétuo movimento que nos impele a concretizar objectivos, projectando
no futuro uma dimensão da nossa vida cada vez mais além, mais completa, mais
robusta e mais ampla.
A vida sempre decorre com os inevitáveis ingredientes das
alegrias e tristezas, de luzes e sombras, de amargos e doces, de encontros e
desencontros, das chegadas e partidas. Porém a conquista da felicidade consiste
em saber equilibrar, harmonizar e superar estes opostos.
Uma vida feliz implica esforços, renúncias, vontade firme e
um projecto pessoal que envolva amor, cultura e trabalho. São três frentes a
proteger, a defender e a cultivar, depois a felicidade será o resultado e a
consequência do que formos fazendo em prol destes pilares.
Ser feliz não é um fim, mas um meio de viver indo ao encontro
da realização do nosso projecto, a vida não é uma sinfonia acabada, mas uma
melodia que se vai compondo, acrescentando e aperfeiçoando, dia após dia.
A condição humana é sempre de incompletude, porém vivemos num
permanente progresso, o qual nos interpela sobre nós mesmos, sobre as nossas
fragilidades, coerências, fugas, desvios ou fidelidades face ao que delineámos para
a nossa existência.
Na base desta viagem para a felicidade estará sempre uma
educação dos desejos, dum caracter bem moldado, duma personalidade forte com
uma noção bem clara do bem e do mal, do justo e do injusto, da verdade e da
mentira, do belo e do horrendo, trabalho feito na infância, alicerces duma vida
adulta saudável e equilibrada. A felicidade é ainda uma consequência do que os
nossos pais e educadores fizeram da nossa personalidade, acrescentado tudo o
que nos foi possível realizar e prol da sua evolução.
Método, discernimento e projecto pessoal que com muito amor,
trabalho, cultura e sentido da realidade, se vão entrelaçando, complementando e
resultam num sentido de concretização dos objectivos delineados como metas de
felicidade.
“O ser humano está cada vez mais perdido. Nunca antes houve
tanta informação sobre tantos temas ao mesmo tempo, nunca se viu tanta agitação
sem motivo como nos tempos que correm. (…)
Hoje em dia, os educadores vêem-se e desejam-se para
transmitir valores. As vidas exemplares continuam a ser lições abertas, mas os
meios de comunicação silenciam-nas e só os exploradores de tesouros as
encontram. Há que ir além das aparências, do ruído que fazem os que comunicam,
perfurar as superfícies e ali encontrar ingredientes valiosos. (…)
Hoje assistimos a uma certa ditadura da mediocridade:
exaltação da vulgaridade, apresentação até à saciedade de personagens vazias e
sem qualquer mensagem, uma luta contra qualquer tipo de excelência. E, por
consequência, os desejos e as formas de querer que aí se inspiram são de grande
pobreza. É preciso encontrar outros modelos.”*
Ser feliz não é uma utopia, uma quimera, um devaneio ou um
capricho. Ser Feliz é uma obrigação, uma vocação que a todos nos assiste, resta
almejarmos o caminho mais seguro para atingir esse patamar, não relegando para
segundo plano a dimensão espiritual que impera no seu humano, o único animal
que tem sonhos de absoluto, de infinitude, de transcendência e de grandeza
divina, sua origem e seu fim, seu Alfa e seu Ómega, caminhando e lutando na
terra em busca do Paraíso, para o qual foi divinamente criado
.
*in - Uma Teoria da
Felicidade, de Enrique Rojas
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| Maria Susana Mexia |


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