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sábado, 15 de setembro de 2018

A joia de Fátima que Portugal não usa e a dívida pública a Santa Maria…

Fátima, tal como o Evangelho e fazendo eco dele, é uma mensagem muito simples, muito clara, não dá margens a dúvidas e é acessível a todos.

Foi entregue a 3 crianças, não letradas, mas de coração puro e atento, que foram coerentes e viveram admiravelmente tudo quanto lhes foi confiado por Aquela Senhora mais brilhante do que o Sol.

Muitos quiseram dizer que eram histórias que não passavam de uma invenção e a própria Igreja demorou 13 anos a reconhecer oficialmente as Aparições como verdadeiras. Mas Nossa Senhora tinha já prometido em 13 de Julho de 1917, com 3 meses de antecedência, um milagre, a realizar em dia e hora marcados (a 13 de Outubro desse mesmo ano, durante a aparição ao meio-dia solar), para que todos acreditassem.

Dos muitíssimos testemunhos desse milagre, entre os quais se encontram os do Dr. Almeida Garrett e do poeta Afonso Lopes Vieira, nomeio um parágrafo relatado no jornal o «Século» de então, dada a sua total independência: «Aos olhos deslumbrados daquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos, fora de todas as leis cósmicas, - o sol bailou, segundo a típica expressão dos camponeses.»

Em Fátima, a Virgem Maria falou de muitas coisas, todas elas relacionadas com os maiores anseios do coração humano, como Deus, a Eternidade e a Paz.

Interessante que, no meio de uma Mensagem que se apresenta riquíssima para quem a quiser conhecer (não cabendo aqui esse estudo), há uma oração que se vem a apresentar como uma joia, quer pela insistência com que é pedida, quer pela universalidade de problemas que Deus diz, pelos lábios de Maria, que ela está escolhida para resolver: o Terço do Rosário!

Passo a palavra a Nossa Senhora (e também à Lúcia).

Em 13 de maio de 1917:

- E o Francisco (também vai para o Céu)? 
– perguntou Lúcia.- Também, mas tem que rezar muitos terços. 
– respondeu Nossa Senhora.
- Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra. 
– disse Maria no final desta aparição.

Em 13 de junho:
- Quero […] que rezeis o terço todos os dias. 
– insistiu Nossa Senhora.

Em 13 de julho:
- Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhe pode valer. – disse a Virgem Maria.
- Tenho aqui por pedido se Vossemecê melhora um aleijadinho da Moita (João Carreira). – disse Lúcia.
- Sim, melhorá-lo-ei, ou dar-lhe-ei meios de se governar. Que reze, sempre, o terço com a família. – respondeu a Aparição.
- Tenho aqui por pedido se Vossemecê melhora uma mulher do Pedrogão. – continuou a Lúcia.
- Que reze o terço. Dentro de um ano, curar-se-á. – respondeu Nossa Senhora.

E assim por diante, em agosto, setembro e outubro, a Senhora da Aparição insiste na oração diária do Terço… Nos Seus lábios, ele é solução para tudo: para a paz do mundo, para a salvação eterna de cada alma, para a cura ou melhoria de doentes…

Poderiam ser dadas muitas explicações de Fé, teológicas e históricas para que Deus tenha escolhido o Terço para ser revelado em Fátima com tanto poder para resolver os problemas do nosso tempo, como uma verdadeira joia espiritual. Não cabem aqui! Mas há uma razão que Portugal não deve esquecer…

Dom Afonso Henriques, fundador deste país, fez para com Santa Maria o seguinte compromisso: «Desejando agora ter também por advogada diante de Deus a Bem-aventurada Virgem, coloco-me a mim, ao meu reino, ao meu povo e aos meus sucessores debaixo do amparo e proteção de Santa Maria» (…) «pagando-Lhe todos os anos, como feudo e vassalagem, 50 maravedis de ouro… e o Abade Dom Bernardo e os seus sucessores para sempre receberão cada ano este feudo no dia da Anunciação de Santa Maria».

Séculos mais tarde, na Restauração, D. João IV vem renovar este compromisso. Por decreto real de 25 de março de 1646, D. João IV declarou: «… e uma vez mais eu ofereço-Lhe» (à Virgem da Imaculada Conceição) «em meu nome e em nome dos meus descendentes, sucessores, reinos, senhores e vassalos, entregando à Sua Santa Casa da Imaculada Conceição 50 cruzados de ouro todos os anos, como um sinal de tributo e vassalagem. Eu escolho esta Igreja, situada em Vila Viçosa, porque ela é a primeira na Península Ibérica chamada com o título de Imaculada Conceição.»

Onde estão os sucessores destes reis a cumprir a promessa feita por eles de se colocarem debaixo do amparo e proteção de Santa Maria, atitude simbolizada na entrega anual dos 50 maravedis ou cruzados de ouro?! Há muito que esta promessa foi esquecida…

Por isso, Maria, que não quer que nos esqueçamos de Lhe confiar as nossas vidas, como boa e cuidadosa Mãe que é, veio lembrar-nos este compromisso de Portugal, pedindo-nos em Fátima 50 Ave-Marias diárias, com as quais Lhe entregamos o coração e Ela derrama sobre nós todo o tipo de bênçãos…
         
Quereremos nós, portugueses, pagar esta dívida pública a Santa Maria, contribuindo assim eficazmente para resolver pelos meios espirituais trazidos do Céu tantas ‘crises’ que se vivem em Portugal e que os meios somente humanos não conseguem ou não querem resolver?

Que nos tornemos a geração da confiança, com o Terço nos lábios e no coração, diariamente, para que se realize entre nós a promessa da Senhora de Fátima: «Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará».

Fernanda Mendes






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