Angelo Roncalli sempre teve um vínculo profundo com o país do leste -europeu e suas raízes espirituais
Roma, 08 de Abril de 2014 (Zenit.org) Don Mariusz Frukacz
No âmbito dos preparativos para a canonização de João XXIII,
é preciso lembrar o grande afecto que sentia em relação à nação poloca
e seu povo, e a forte estima e amizade que o ligava ao cardeal, Stefan
Wyszynski. Acima de tudo, ele era muito devoto da Virgem Negra de Jasna
Góra.
Antes de ser eleito sucessor de Pedro, o Cardeal Roncalli visitou a Polónia. Foi em peregrinação a Czestochowa, a Jasna Gora, em 17 de Agosto de 1929, durante viagem apostólica à Bulgária.
No livro comemorativo de Jasna Gora, Dom Angelo Giuseppe Roncalli
escreveu: "Fiat pax in virtute tua, Regina Poloniae et al turribus
Abundantia tuis".
Os encontros entre Roncalli e o Primaz do Milenio foram sempre
dedicados a Nossa Senhora de Czestochowa. Como prova de sua devoção, é
preciso lembrar que em 04 de Novembro de 1958, o Papa João XXIII pediu o
Cardeal Wyszynski que fosse celebrada uma Missa todos os dias na Capela
da Imagem Milagrosa de Nossa Senhora de Jasna Gora pelas intenções do
Papa. A demonstração mais evidente teve lugar em Junho de 1963, quando
por morrer, o Papa João XXIII pediu que fosse trazido para perto da cama
dele uma imagem de Nossa Senhora de Czestochowa.
As raízes da ligação entre João XXIII e Polónia são antigas. Parece
que, em 1895, aos 14 anos de idade, Angelo Roncalli, acólito, começou
uma amizade espiritual com São Stanislaus Kostka. Notícia desse fato
está documentado em uma série do Giornale dell`anima. Lê-se que
São Stanislaus Kostka, juntamente com dois jovens santos jesuítas do
século XVI: São Luis Gonzaga e João Berchmans, tornaram-se para o jovem
Roncalli, seus patronos pessoais no processo de preparação para o
sacerdócio.
Angelo Roncalli ligou sua vida espiritual a São Stanislaus Kostka no
período em que era estudante no Seminário Romano (1901-1904): peregrinou
às relíquias do Santo, conservadas na igreja de Sant'Andrea al
Quirinale. Em 13 de Novembro de 1962, quando era já Papa, ele encontrou
os Padres conciliares polacos no lugar onde estavam as relíquias de São
Stanislaus Kostka.
Durante os seus estudos em Roma, Roncalli apareceu com a edição
italiana da Trilogia (1901) de Henryk Sienkiewicz, famoso escritor
polaco. Roncalli era um leitor atento. Tanto é assim que falou com os
bispos polacos durante o Concílio Vaticano II.
A primeira visita de Angelo Roncalli à Polónia ocorreu em Setembro de
1912 (período em que o estado polaco estava fora do mapa), depois,
durante o Congresso Eucarístico de Viena, ele visitou Cracóvia e
Wieliczka e encontrou o Bispo Adam Sapieha. Durante a visita, Roncalli
celebrou a missa na Catedral de Wawel, no altar da Cruz de Rainha
Edviges.
Mas a profunda ligação de João XXIII com a Igreja da Polónia se
revela claramente em 20 de Maio de 1963, durante sua última audiência
privada, que teve lugar com o Cardeal Stefan Wyszynski e outros quatro
bispos polacos. Sobre o episódio o Papa Bom escreveu em seu “Diário da
alma”.
Por fim, é interessante notar que, em 22 de Junho de 1962, a pedido
do bispo de Czestochowa, Zdzislaw Goliński, João XXIII decidiu dar a
Catedral da Sagrada Família de Nazaré, o título de Basílica Menor da
Sagrada Família de Nazaré. Título formalmente anunciado durante a breve
visita papal, que teve lugar em 13 de Janeiro de 1963.
(Trad.:MEM)
(08 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
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