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quinta-feira, 10 de abril de 2014

O seu marido, alcoólico e toxicodependente, batia-lhe; o seu sogro assediou-a, mas Deus refez a sua vida

Jacqueline aferrou-se a Deus na depressão e violência

Jacqueline sofreu maus tractos e violência durante anos,
mas aferrou-se a Deus e pode perdoar e levantar-se
Actualizado 4 de Abril de 2014

Lidia Astudillo Corona / PortaLuz

Jacqueline Bazaéz é uma mulher de 46 anos, nascida e criada na cidade de Los Andes (Chile), mãe de três filhas e viúva desde há seis anos; a sua paixão pela cozinha permitiu-lhe trabalhar vendendo petiscos em colégios e outros lugares da zona.

Jacqueline hoje é feliz, levanta-se às cinco da madrugada cada dia para começar o seu trabalho.

A primeira coisa que faz é orar… “Deus deu-me uma segunda oportunidade, a minha vida era muito tormentosa, estava num círculo vicioso… Deus quer-me tanto que me disse: «Desperta mulher!»”.

Do namoro feliz à violência
Quando iniciou a relação com o seu esposo, ela (que gostava dos boleros) disse-lhe um pouco a brincar… “Não te enamores de mim, porque eu te farei sofrer”, mas a história foi inversa. Já perdoou e refere-se a ele como um homem muito inteligente, jovem com muita vontade de viver, com um talento inato para a pintura.

Jacqueline nunca pensou que aquela linda amizade com Óscar (que logo seria seu marido) poderia terminar numa relação de amor. Ambos eram jovens cheios de ilusões. Óscar estudava Medicina, Jacqueline era muito amiga da sua mãe e belos momentos marcaram o início deste novo caminhar pela vida.

Mas a história começou a tornar-se complexa logo que soube que a sua sogra tinha cancro. “A senhora Nancy era tudo para Óscar” disse comovida. Sem pensar muito decidiram dar-lhe um neto, para dar-lhe a alegria de ser avó. Nasceu uma bela menina, a quem também chamaram Nancy. Houve alegria, ilusões, esperança, mas em pouco tempo o cancro terminou com a vida da avó.

As razões da mudança na alma de Oscar encontram-se na sua história… Talvez o ter padecido por anos o desvario de um pai maltratador e alcoólico, também a sua baixa tolerância à frustração, a herança e o que ele mesmo tinha construído ou não desde a sua alma, pois tampouco ele vivia um vínculo sólido com Deus.

O certo é que o marido de Jacqueline se refugiou nas drogas e rebelando-se, ferido, abriu a comporta da ira

"Eu punha sempre a outra face"
“Ele formou-se Médico, começou pouco a pouco a golpear-me, chegava a casa e agredia-me por diferentes motivos, acreditava que eu lhe escondia a droga. Então revistava-me toda, despia-me inclusive, mas não encontrava nada! Ele consumia drogas duras, como pasta base, cocaína e além disso era alcoólico. Eu sempre punha a outra face, era meu marido, e caí numa depressão muito grande”.

Jacqueline, aprisionada, viveu a sua noite escura e tentou em reiteradas oportunidades deixar a vida… “Sentia-me um estorvo, que eu não valia nada”.

Sem trabalho, sem rendimentos próprios, a sua auto-estima era quase nula.

O sogro em quem procurou ajuda para que aconselhasse Oscar… Justificava o filho. Pior ainda, quando Jacqueline, golpeada, pedia ajuda à polícia, eles acudiam… Mas ao reconhecer que o agressor era seu marido, figura pública naquela pequena cidade chilena, diziam-lhe que se tranquilizasse, que fosse dormir… Quando ela o único que sentia era medo e vontade de arrancar! Recorda.

No ano 2008 Oscar, vítima do seu vício e do resultado do dano espiritual que ele causava, faleceu por sobredose.

Poder para perdoar
Jacqueline recorda que nesse instante se aferrou a Deus e no silêncio da sua alma sentiu que Jesus a enchia e pode ver com outros olhos o seu esposo e perdoá-lo.

O sentimento de amor sobreviveu à tormenta… “Ele foi um homem muito bom, mas estava doente. Como muitos médicos que se crêem poderosos, sábios, não acreditava em Deus”, afirma.

E veio uma nova prova de fé quando nada mais que ao sepultar o corpo do seu esposo, foi acusada pelo sogro perante os tribunais de justiça de ser uma toxicodependente. Procuravam tirar-lhe a tutela das suas filhas. Mas as provas médicas mostraram a verdade.

Deus despejou a sua alma aturdida

“Eu consumia Benzodiazepina com prescrição médica, para a minha depressão. Estive dez anos com muitos medicamentos, mas em 23 de Março do ano 2009 a deixei por completo… Nesse dia estava no limite, via a morte e Deus, que me quer tanto, disse-me em oração: «Para!» «Desperta mulher!». Então reagiu a minha alma e disse «Eu posso»”, conta emocionada.

Jacqueline sentiu em factos a mão de Deus que a sustinha e com amor lhe presta honra reconhecendo que só nele podia confiar… “E aferrei-me de corpo e alma. Hoje tenho as minhas filhas e todos os dias as protejo, cuido-as, digo-lhes que as amo, cozinho-lhes bem… E Deus deu-me umas mãos para cozinhar e dizem que cozinho bem (sorri)… E trabalho aqui em casa pudendo cuidar melhor das minhas filhas”.

Amar-se um para amar os outros
Deus, disse, enviou-lhe bons próximos porque são os mesmos Irmãos Maristas do Instituto Chacabuco de Los Andes, onde estudam as suas filhas pequenas aqueles que “abriram as suas portas para que possa vender os meus petiscos”.

Conta que se pôs de pé porque soube “querer-se” pois para poder querer, disse, primeiro há que amar-se.

“Eu amo-me, porque Deus ama-me, aí posso dar amor”. “Deus te dirá: tu és capaz! Não andemos com mediocridades, essas mamães que dizem: “não posso” eu não o concebo, pois temos um ser maravilhoso que é Deus, Ele acolhe-nos, envolve-nos no seu manto e depois disse: «agora, a esforçar-se». Porque o melhor que a uma mulher lhe pode acontecer na vida é ser mãe, eles não pedem para vir ao mundo, somos nós as que os trazemos e isso é uma bênção de Deus… Vamos mulheres, pode-se! A vida é um barquito e há que remar para um mesmo lado”.


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