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quarta-feira, 2 de março de 2022

Guterres lança forte apelo a ajuda. Europa “não pode esquecer a Ucrânia”

Os apelos da ONU e Caritas

Em 25 de fevereiro de 2022, em Kiev, na Ucrânia, uma rapariga olha para a cratera deixada por uma explosão em frente a um prédio de apartamentos que ficou fortemente danificado durante os ataques militares russos em curso. Foto © UNICEF

Em 25 de fevereiro de 2022, em Kiev, na Ucrânia, uma rapariga olha para a cratera deixada por uma explosão em frente a um prédio de apartamentos que ficou fortemente danificado durante os ataques militares russos em curso. Foto © UNICEF

 

Com a situação no terreno a agravar-se, a cada hora que passa, e os rockets russos a choverem nas cidades da Ucrânia, atingindo alvos militares, governamentais, mas também civis, registando-se já centenas de mortos e muitos mais feridos, desde o início da invasão do país pela Rússia, o secretário-geral da ONU lançou um forte apelo para a doação de 1,52 mil milhões de euros para fornecer assistência urgente e necessária. E também a Caritas Europa veio pedir a solidariedade dos cidadãos europeus.

O pedido de António Guterres foi feito na sequência da divulgação dos últimos dados da ONU, que indicaram que 677 mil pessoas fugiram da Ucrânia desde 24 de fevereiro, de acordo com uma notícia avançada pelos serviços de comunicação das Nações Unidas.

Os números associados a esta catastrófica guerra não se ficam por aqui: a ONU estima que 12 milhões de pessoas dentro da Ucrânia precisarão de ajuda e proteção, enquanto mais de quatro milhões de refugiados podem precisar de proteção e assistência nos países vizinhos durante os próximos meses.

“As agências das Nações Unidas e os nossos parceiros estão agora a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana para avaliar as necessidades humanitárias e aumentar a ajuda, principalmente para mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência”, reiterou Guterres, antes de agradecer aos estados-membros que mantiveram as suas fronteiras abertas às pessoas que fogem da violência.

“Temos de ajudar os ucranianos a ajudarem-se uns aos outros, neste momento terrível”, insistiu o responsável máximo da ONU, acrescentando que o abastecimento de eletricidade e água foi interrompido, as estradas foram “danificadas ou destruídas por bombas” e os alimentos e medicamentos estavam em falta em algumas áreas.

Ajudar deslocados e refugiados 
Em 25 de fevereiro de 2022, destroços de um rocket russo junto a um parque infantil, quando decorriam ataques militares a Kiev, na Ucrânia. Foto © UNICEF/Andrii Marienko/UNIAN

Em 25 de fevereiro de 2022, destroços de um rocket russo junto a um parque infantil, quando decorriam ataques militares a Kiev, na Ucrânia. Foto © UNICEF/Andrii Marienko/UNIAN

 

Já em Genebra, o chefe de ajuda de emergência da ONU, Martin Griffiths, explicou que o objetivo do pedido de financiamento humanitário imediato era ajudar as pessoas dentro da Ucrânia – incluindo os deslocados internos – bem como aqueles que procuram refúgio para além das suas fronteiras.

Haverá já seis milhões de pessoas mais vulneráveis na Ucrânia, uma vez que a escalada do conflito desencadeou um aumento imediato e acentuado na procura de ajuda para salvar vidas. Mas bens e serviços essenciais viram o seu fornecimento interrompido, à medida que os civis fogem para salvar as suas vidas, explica a ONU.

O alto comissário para Refugiados, Filippo Grandi, falando aos jornalistas, apelou à doação de “550 milhões de dólares [491 milhões de euros] para a agência de refugiados e 12 agências parceiras”. Notando que se estimava que 520 mil pessoas tinham sido deslocadas pela guerra da Ucrânia, até à noite de segunda-feira, Grandi avançou que este número tinha aumentado de forma acentuada no espaço de apenas algumas horas: “677 mil refugiados já fugiram da Ucrânia para os países vizinhos no últimos seis dias”, revelou. “São mais 150 mil, em menos de 24 horas.”

Caritas: “Europa não pode esquecer a Ucrânia”

Michael Landau, o presidente da Caritas Europa, disse esta terça-feira, 1 de março, que o continente europeu “não pode esquecer a Ucrânia” e que os países têm de estar preparados para oferecer a ajuda necessária.

Citado pela agência Ecclesia, o responsável da organização católica afirmou: “Este é um momento em que precisamos de solidariedade europeia, de uma rede mundial de solidariedade. Precisamos ajudar a Ucrânia. E temos de estar preparados para oferecer o que for preciso nos países vizinhos. Precisamos de corredores humanitários. A Europa, e o mundo não podem esquecer o sofrimento da Ucrânia, precisam de nós e precisam agora.” 

Também a Caritas internacional organizou uma conferência de imprensa com a participação da Cáritas Ucrânia e a Caritas-Spes da Ucrânia no trabalho de apoio à população “deslocada” e aos que “ficaram para trás”.

“Há muitas pessoas em trânsito para a fronteira, que param na Ucrânia ocidental. São maioritariamente mulheres e crianças que tentam passar a fronteira. Temos 25 centros que acolhem as pessoas no caminho, e damos comida e abrigo, apoio psicológico para as acompanhar e elas prosseguirem, mas há muitas pessoas que ficaram para trás por causa dos bombardeamentos”, explicou Tetiana Stawnychy, presidente da Cáritas na Ucrânia, também citada pela agência Ecclesia.




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