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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Que os formadores sejam pais e mães dos consagrados

Acabou o primeiro congresso internacional sobre a formação dos religiosos e religiosas. A Santa Sé convoca a próxima reunião, do 16 ao 18 de Setembro em Roma, dedicada aos jovens dos institutos de vida consagrada


Roma, 13 de Abril de 2015 (Zenit.org)


"Viver em Cristo de acordo com a forma de vida do Evangelho” foi o tema do congresso internacional para os formadores da vida consagrada, que aconteceu do 7 a 11 de Abril, organizado pela Santa Sé. Os objectivos do encontro foram esclarecer quais são as urgências formativas actuais. Seus participantes, em torno de 1.400, foram recebidos no sábado, em audiência, pelo Papa Francisco.

"Obrigado, queridos formadores e formadoras, - disse o Santo Padre aos participantes no último dia do fórum celebrado em Roma - pelo seu serviço humilde e discreto, pelo tempo dedicado à escuta – o apostolado “do ouvido”, escutar – pelo tempo dedicado ao acompanhamento e o cuidado de cada um dos vossos jovens”. “Vocês não são só amigos e companheiros de vida consagrada daqueles que lhes são confiados, mas verdadeiros pais, verdadeiras mães, capazes de pedir e dar-lhes o máximo”, acrescentou.

No primeiro dia se analisou o conceito de formação na sua integridade e na conformidade com Cristo. No segundo dia foram analisadas as metodologias de formação, focadas na metodologia de formação exercida por Jesus com os seus discípulos. E na sexta-feira pela manhã se insistiu na missão e na afectividade, e pela tarde, foi celebrada uma mesa redonda onde vários formadores apresentaram as suas experiências formativas.

No dia seguinte, todos participaram de uma missa solene na Basílica de São Pedro. Durante a homilia, o Cardeal João Braz de Aviz expressou sua gratidão e alegria, enfatizando a importância do abandono confiado nas mãos de Deus Pai, especialmente nos momentos difíceis e delicados. “A experiência do congresso – disse – foi maravilhosa e surpreendente e nos faz compreender que temos que caminhar juntos: assim nascerá muita vida em torno de nós”.

Ao meio-dia, os participantes tiveram um encontro com o Papa. O Papa Francisco foi informado em detalhes sobre os trabalhos. Depois se celebrou um fórum liderado por um representante da Congregação para o Clero, o cardeal Beniamino Stella; outro da Congregação para a Educação Católica, com o arcebispo Angelo Vincenzo Zani; e um terceiro da Congregação da Vida Consagrada, sob a responsabilidade do arcebispo José Rodríguez Carballo, e cada um deles expôs um resumo dos aspectos que cada dicastério insiste a nível formativo, informou a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica em um comunicado.

A formação de formadores surgiu como uma necessidade comum. "A formação é arte relacional, que se baseia em uma relação e em uma troca entre aquele que forma e aquele que é formado”, destacou o cardeal Stella. “Existem duas liberdades, que se encontram para contribuir na única acção formativa, que tem, obviamente, diferentes responsabilidades e tarefas, por causa do que cabe a cada um". Em seu discurso, o cardeal também ressaltou a importância de um adequado discernimento vocacional e de uma formação que promova o desenvolvimento da pessoa, e, especialmente, “uma afectividade, plena e realizada, com uma continência perfeita no celibato".

No começo do seu discurso, Mons. Zani listou as escolas católicas e faculdades eclesiásticas, surgidas no mundo graças aos carismas religiosos destinados à educação: “Toda a Igreja está muito agradecida por este valioso serviço”. Em seguida, focou nos desafios educacionais: o desafio da comunicação nas relações entre as gerações, a nova cultura digital; o multiculturalismo, e a necessidade de incentivar o encontro e o diálogo entre as culturas, para construir a unidade na diversidade.

Na sua vez de falar, Mons Carballo destacou algumas urgências da formação: o discernimento vocacional; a necessidade de um encontro pessoal com Jesus; caminhar em profunda comunhão com a Igreja; formar-se e formar para uma vida fraterna em comunidade que seja humana e humanizadora; cuidar a “paixão” pelo Senhor e a “paixão” pela humanidade, especialmente pelos mais pobres; preparar-se para a missão específica do Instituto; cultivar “um amor renovado pelo compromisso cultural, uma dedicação ao estudo como meio de formação integral e como caminho ascético”. Diante da tentação do desalento, do cansaço e da decepção, das as exigências actuais da formação e os pobres resultados obtidos, a partir da minha experiência como formador durante muitos anos, não duvido em dizer a todos os formadores: Não tenham medo”, concluiu.
No final do congresso, foi entregue uma mensagem a todos os formadores do mundo, intitulada “Bem-aventurados vós, formadores e formadoras”, e se convocou a próxima reunião, do 16 ao 18 de Setembro em Roma, para a Conferência das jovens e dos jovens consagrados.

A Igreja está celebrando o Ano da Vida Consagrada, que começou no dia 29 de novembro de 2014 e terminará no dia 21 de Novembro de 2015, no contexto dos 50 anos do decreto Perfectae Caritatis, o documento do Concílio Vaticano II sobre a adequada renovação da vida religiosa.

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