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quarta-feira, 15 de abril de 2015

O papa não é contra os turcos

Patriarca dos arménios comenta as declarações do Santo Padre sobre o genocídio


Cidade do Vaticano, 13 de Abril de 2015 (Zenit.org)


Durante a celebração deste domingo na Basílica de São Pedro para recordar os 100 anos do “Grande Mal”, o papa Francisco falou sobre o genocídio cometido contra os arménios. Esta afirmação do papa causou reacções na Turquia. Segundo a Rádio Vaticano, a embaixada turca perante a Santa Sé define como “inaceitável” o que o papa disse. Francisco, citando textualmente a Declaração Comum de João Paulo II e Karekin II, do ano 2001, definiu o massacre iniciado em 1915 contra os arménios como “o primeiro genocídio do século XX”, durante o qual foram assassinados “bispos, sacerdotes, religiosos, mulheres, homens, idosos e até crianças e doentes indefesos”. Ankara chamou seu embaixador perante a Santa Sé e convocou o núncio apostólico na Turquia, dom Antonio Lucibelo, para manifestar a ele a sua decepção.

O patriarca da Cilícia dos arménios católicos, Nerses Bedros XIX, declarou à agência Fides que “a estratégia do governo turco de impedir que se fale do genocídio arménio está falhando. Por isso existe tanto nervosismo e as reacções diplomáticas da Turquia são tão duras. Mas o papa falou seguindo a sua consciência; repetiu o que já tinha nos dito há dois anos e ninguém pode pretender calar a consciência do papa”.

Ele explica ainda que "alguns jornalistas turcos que estavam assistindo à liturgia saíram da basílica quando o papa mencionou o genocídio arménio, para comunicar a notícia imediatamente. Num espaço de tempo muito breve, já estavam acontecendo as primeiras reacções oficiais”. O patriarca prossegue: “É muito claro o carácter instrumental dessas manipulações. O papa não está 'com' os arménios e 'contra' os turcos. Ele não está contra ninguém”.

A este propósito, Nerses Bedros XIX recorda que, na viagem do pontífice à Turquia em Novembro passado, Francisco “exaltou com palavras cheias de gratidão a missão de diálogo e de reconciliação que a Turquia está chamada a realizar pelo próprio fato de ser uma ponte entre a Europa e o Oriente Médio. Basta considerar as expressões utilizadas pelo papa para ver que ele também citou os extermínios provocados na Europa pelo nazismo e pelo stalinismo, além dos mais recentes que também aconteceram na Europa, na África e na Ásia”.

“O olhar do papa abraça o mundo, expressa o senso de humanidade que todos nós deveríamos compartilhar. A memória e a condenação dos horrores do passado podem servir para evitar que essas coisas voltem a ocorrer, como infelizmente estão ocorrendo agora mesmo em muitas partes do mundo, começando pelo Oriente Médio”.

Finalmente, o patriarca arménio assegura que o papa Francisco “pensa em todo o mundo” e “expressa a recta consciência da humanidade diante das tragédias dos conflitos e da violência. Ele pensa em todos os oprimidos, nos pobres e nos enfermos de qualquer nação e religião. Ele nunca fez distinções entre os sofrimentos dos cristãos e os sofrimentos dos outros, como demonstram todos os seus pronunciamentos sobre os conflitos que dessangram o Oriente Médio”.

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