Diálogos entre governo e oposição começam com a leitura de uma mensagem de Francisco
Madrid, 11 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas
O papa Francisco enviou uma carta ao povo da Venezuela e aos
dirigentes que participam desde ontem da primeira jornada de diálogo
entre o governo e a oposição. O papa os convida a "não permanecer na
conjuntura conflitiva, mas a ser autênticos construtores de paz", e
destaca que, no caminho "novo, longo e difícil" rumo à paz, é preciso
ter "paciência e valentia".
"Sou consciente da inquietação e da dor vivida por tantas pessoas",
declara o Santo Padre na carta lida pelo núncio apostólico, dom Aldo
Giordano, o primeiro a tomar a palavra na mesa de negociações em
Miraflores, pouco depois das 8 da noite. O pontífice, que manifesta o
seu afecto por todos os venezuelanos e pelas vítimas da violência, afirma
também que está "plenamente convencido de que a violência nunca trará
paz e bem-estar a um país, já que ela gera sempre e somente violência
(...) Pelo diálogo, vocês podem descobrir a base comum que leva a
superar o momento actual de conflito e de polarização, que fere tão
profundamente a Venezuela, para encontrar formas de colaboração no
respeito e no reconhecimento das diferenças que existem entre as partes,
favorecendo o bem comum".
"Todos vocês compartilham o amor pelo seu país e pelo seu povo, assim
como as graves preocupações ligadas à crise económica, à violência e à
criminalidade. Todos vocês carregam no coração o futuro dos seus filhos e
o desejo de paz que caracteriza os venezuelanos", diz o Santo Padre,
pedindo respeito e convivência para favorecer "o diálogo que urge".
Por último, Francisco observa que "no centro de um diálogo sincero
está o reconhecimento e o respeito pelo outro e, acima de tudo, o
heroísmo do perdão e da misericórdia, que resgatam do ressentimento e do
ódio".
Ao terminar de ler a missiva papal, dom Giordano apresentou uma
mensagem do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolín,
que se oferece para ser uma "testemunha de boa fé" no processo de
diálogo.
"Lamentavelmente, não me é possível estar presente, mas afirmo a
minha disponibilidade de participar, pessoalmente, em qualquer outro
momento", afirma o cardeal Parolín ao recordar que viveu quatro anos na
Venezuela. "Meu coração está com vocês", declara.
O governo da Venezuela tinha convidado o secretário de Estado do
Vaticano a se juntar à Conferência Nacional de Paz para resolver a crise
política que assola ao país há dois meses. A missão foi confiada ao
núncio apostólico.
(11 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
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