Encontro no Vaticano entre o Santo Padre e o Escritório Internacional Católico da Infância
Cidade do Vaticano, 11 de Abril de 2014 (Zenit.org) Rocio Lancho García
O Santo Padre pediu perdão pelos danos perpetrados pelos
sacerdotes que abusaram sexualmente de menores. Francisco recebeu uma
delegação do Escritório Internacional Católico da Infância (BICE, na
sigla em francês) e os incentivou na defesa dos direitos dos menores e
na urgência de impulsionar projectos contra "o trabalho escravo, contra o
recrutamento de crianças-soldados e contra qualquer tipo de violência".
Agradecendo as palavras do presidente do BICE, Francisco expressou a
sua dor pelos abusos contra menores cometidos por homens da Igreja,
pediu perdão e assegurou com firmeza que a Igreja não retrocederá diante
deste mal:
"Eu me sinto interpelado a enfrentar todo o mal feito por
alguns sacerdotes; muitos, muitos em número, mas não em comparação com a
totalidade; enfrentar e pedir perdão pelo dano que eles causaram com os
abusos sexuais contra crianças. A Igreja é consciente deste dano, que é
um dano pessoal, moral, cometido por eles, mas como homens de Igreja. E
não vamos dar nenhum passo para trás no tratamento destes problemas e
nas punições que devem ser aplicadas. Pelo contrário, acredito que
devemos ser muito fortes. Com as crianças não se brinca".
Como já fez em outras ocasiões, o pontífice argentino destacou a
importância de privilegiar crianças e idosos na sociedade, pois o futuro
de um povo está nas mãos deles. Do mesmo modo, falou do direito das
crianças de crescer em uma família com pai e mãe, “capazes de criar um
ambiente idóneo para o seu desenvolvimento e para a sua maturidade afectiva. Continuar amadurecendo numa relação com a masculinidade de um
pai e com a feminilidade de uma mãe, para ir consolidando a sua
maturidade afectiva”.
O Santo Padre manifestou ainda firme rejeição a todo tipo de
experimentação educativa: “Com as crianças e com os jovens não podemos
experimentar. Eles não são cobaias de laboratório”. E observou que “os
horrores da manipulação educativa que vivemos nas grandes ditaduras
genocidas do século XX não desapareceram; conservam a sua actualidade sob
roupagens diversas e sob propostas que, com pretensão de modernidade,
forçam crianças e jovens a caminhar pela estrada ditatorial do
'pensamento único'".
Francisco também afirmou que “trabalhar pelos direitos humanos
pressupõe manter sempre viva a formação antropológica, estar bem
preparados na realidade da pessoa humana e saber responder aos problemas
e desafios das culturas contemporâneas e da mentalidade difundida pelos
meios de comunicação social”.
Obviamente, "não se trata de nos encolhermos em cantos protegidos que
hoje são incapazes de dar vida, que dependem de culturas que já estão
ultrapassadas. Não, não é isso! É questão de encararmos com os valores
positivos da pessoa humana os novos desafios das novas culturas. Para
vocês, é questão de oferecer para os seus dirigentes e funcionários uma
formação permanente sobre a antropologia da criança, porque é lá que os
direitos e as obrigações se fundamentam. Dela depende o planeamento dos projectos educativos, que, obviamente, têm que ir progredindo,
amadurecendo, se acomodando aos sinais dos tempos, respeitando sempre a
identidade humana e a liberdade de consciência".
Recordando o logotipo da Comissão da Protecção da Infância e da
Adolescência de Buenos Aires, a Sagrada Família que escapa rumo ao Egipto, Francisco explicou que, “às vezes, para defender, é preciso
escapar. Às vezes temos que ficar e proteger. Às vezes temos que brigar.
Mas sempre temos que ter ternura”.
O BICE nasceu da intervenção do papa Pio XII em defesa das crianças
após a Segunda Guerra Mundial. Desde então, a organização sempre se
comprometeu com os direitos do menor, inclusive na Convenção das Nações
Unidas de 1989. O BICE colabora constantemente com os escritórios da
Santa Sé em Nova Iorque, Estrasburgo e Genebra.
(11 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
in
Sem comentários:
Enviar um comentário