Nalo Enrique Quiroz, ajudado por Caminhos de Liberdade
Actualizado 3 de Setembro de 2013
Danilo Picart / PortaLuz
Durante catorze anos Nalo Enrique Quiroz permaneceu recluído na penitenciária La Dorada, da Colômbia. Ali pode aprender em si mesmo o belo e transformador impacto do perdão, e decidiu partilhá-lo.
“Aos 17 anos escolhi mal os caminhos e convivi com a delinquência. Fui chefe de um bando e tive muitos problemas. Eu era um perigo, roubava e com os amigos que tinha, fizemos bastantes maldades. A verdade é que não me orgulho, estou muito arrependido de ter feito tanto dano, do equivocado que estava”.
Assaltante... E assassino
Nascido na andina cidade de Itaguí, próxima de Medellín, Nalo recorda que o ponto de quebra com a família e a sociedade ocorreu na sua adolescência.
Deixou o seu gosto pelo futebol e deixou-se arrastar por alguns dos seus irmãos até ao mundo da delinquência quadrilheira.
“Cada vez que assaltava, drogava-me e tinha o aliciante de sentir a adrenalina para conseguir os fundos. Não me importava o que me tocava fazer, sempre pensei em conseguir dinheiro”.
O vagar pelas ruas e semear medo tornou-se num novo passatempo para o precoce delinquente que ignorava, viciado no seu novo estatuto de homem com arma, todas os ensinamentos dos seus pais.
Esqueceu os ensinamentos paternos
“A minha família era muito humilde, muito pobre, eles ensinaram-me valores, a respeitar, a trabalhar, a ganhar as coisas honradamente, a não magoar ninguém. Éramos pobres e não podíamos ter boas coisas, e ainda assim, nunca receberam o que eu roubava. Gastava-o todo com os amigos, investia-o em armas, para continuar fazendo dano, para continuar molestando”.
Envergonhado e ainda que tenham passado anos, emociona-se ao contar-nos que durante um assalto, “cheguei a tirar a vida a outro ser humano; e não me sinto orgulhoso disso, vivo muito arrependido!”
Cruzar este limite o disparou até um caminho de violências e imoralidade que inclusive hoje, por respeito à saúde espiritual que lhe foi presenteada, evita sequer mencionar.
Roubos e vinganças, mas não narcotráfico
Disse que em tempos onde brilhavam as máfias dos cartéis narcotraficantes na Colômbia, rejeitou todas as propostas que lhe fizeram para trabalhar ao serviço de Pablo Escobar, Rodríguez Gacha ou os irmãos Ochoa.
“Eu gostava de roubar”, sentencia. Arriscando a vida própria e de outros, sempre ao limite, disputando territórios com outras quadrilhas, os seus irmãos foram assassinados e Nalo jurou vingar as suas mortes. Vingar os que se ama é uma questão de honra, uma regra de ouro no submundo do crime, disse-nos.
Não temia matar com as suas próprias mãos e arriscar a sua vida, a dor, a honra e a raiva pesavam mais.
| Nalo Quiroz, ladrão, toxicodependente e homicida, mudou na cadeia com o Pai Nosso |
Danilo Picart / PortaLuz
Durante catorze anos Nalo Enrique Quiroz permaneceu recluído na penitenciária La Dorada, da Colômbia. Ali pode aprender em si mesmo o belo e transformador impacto do perdão, e decidiu partilhá-lo.
“Aos 17 anos escolhi mal os caminhos e convivi com a delinquência. Fui chefe de um bando e tive muitos problemas. Eu era um perigo, roubava e com os amigos que tinha, fizemos bastantes maldades. A verdade é que não me orgulho, estou muito arrependido de ter feito tanto dano, do equivocado que estava”.
Assaltante... E assassino
Nascido na andina cidade de Itaguí, próxima de Medellín, Nalo recorda que o ponto de quebra com a família e a sociedade ocorreu na sua adolescência.
Deixou o seu gosto pelo futebol e deixou-se arrastar por alguns dos seus irmãos até ao mundo da delinquência quadrilheira.
“Cada vez que assaltava, drogava-me e tinha o aliciante de sentir a adrenalina para conseguir os fundos. Não me importava o que me tocava fazer, sempre pensei em conseguir dinheiro”.
O vagar pelas ruas e semear medo tornou-se num novo passatempo para o precoce delinquente que ignorava, viciado no seu novo estatuto de homem com arma, todas os ensinamentos dos seus pais.
Esqueceu os ensinamentos paternos
“A minha família era muito humilde, muito pobre, eles ensinaram-me valores, a respeitar, a trabalhar, a ganhar as coisas honradamente, a não magoar ninguém. Éramos pobres e não podíamos ter boas coisas, e ainda assim, nunca receberam o que eu roubava. Gastava-o todo com os amigos, investia-o em armas, para continuar fazendo dano, para continuar molestando”.
Envergonhado e ainda que tenham passado anos, emociona-se ao contar-nos que durante um assalto, “cheguei a tirar a vida a outro ser humano; e não me sinto orgulhoso disso, vivo muito arrependido!”
Cruzar este limite o disparou até um caminho de violências e imoralidade que inclusive hoje, por respeito à saúde espiritual que lhe foi presenteada, evita sequer mencionar.
Roubos e vinganças, mas não narcotráfico
Disse que em tempos onde brilhavam as máfias dos cartéis narcotraficantes na Colômbia, rejeitou todas as propostas que lhe fizeram para trabalhar ao serviço de Pablo Escobar, Rodríguez Gacha ou os irmãos Ochoa.
“Eu gostava de roubar”, sentencia. Arriscando a vida própria e de outros, sempre ao limite, disputando territórios com outras quadrilhas, os seus irmãos foram assassinados e Nalo jurou vingar as suas mortes. Vingar os que se ama é uma questão de honra, uma regra de ouro no submundo do crime, disse-nos.
Não temia matar com as suas próprias mãos e arriscar a sua vida, a dor, a honra e a raiva pesavam mais.
Preso e encarcerado
Sem dúvida, foi capturado pela polícia, frustrando todo o plano urdido para eliminar os assassinos dos seus irmãos. “Quando entrai para a cadeia andava muito arrebatado, dia e noite, de um sítio para outro, angustiado, ansiava sair. Mas saiu a sentença e estava já fechado o caminho… Condenaram-me por um roubo e por porte ilegal de armas brancas”.
Dizer que os dias, mas em especial as noites, eram um inferno naquele lugar é um tópico que Nalo também padeceu.
“Isolado sentia-me então destinado para o esquecimento”. E se quebrou.
"Deus não me deixava tranquilo"
O quadrilheiro duro estava só… Repassando uma e outra vez na sua mente, disse, o sem sentido da sua história.
“Deus não me deixava tranquilo e começou a mudar a minha forma de vida, e eu, a deixar os vícios; chorava muito e pedia-lhe arrependido, de coração, que enchesse a minha vida, me transformasse. Não queria continuar sendo escravo da droga e com esse ódio que mantinha. O Senhor pode aparecer e mudar-me. Deu-me essa paz interior, essa fortaleza. Não foi fácil, foi uma luta constante, de muito tempo, de dias, meses para deixar os meus vícios, pedindo a Deus”.
“Caminhos da Liberdade”
Nalo alegra-se quando recorda a etapa da sua vida iniciada com a Fundação católica “Caminhos da Liberdade” (www.caminosdelibertad.org).
Devido aos seus méritos, optou pela redução da condenação e pode obter a liberdade condicional em Fevereiro de 2010.
Foi então que os conheceu, porque - por exigência e ajuda do sistema judicial colombiano - Nalo foi também apoiado com um acompanhamento integral à reinserção social desde a entidade católica.
“A ajuda da Fundação foi quando eu saí, com essa liberdade condicional, a começar de novo na rua. Na verdade houve muitas provas, havia numerosos conhecidos que sabiam quem eu era, e que me ofereciam novamente armas e coisas para seguir na maldade. Todas eram propostas más, pu-las de parte, e não lhes fiz caso. Eu tinha outro pensamento, protegido por Deus”.
O poder do Pai Nosso
Hoje, com 42 anos, para este homem…“é um orgulho dizer que pude sair da droga e de elementos bem aditivos”.
Capacitou-se, trabalha e “ainda que tenho os meus anitos”, diz, continua jogando futebol.
Ao finalizar o seu diálogo e quase como um legado, Nalo volta a recordar aquilo que fez dele um homem novo: “A ajuda que eu recebi veio de Deus, pois foi ele Senhor quem me deu o amor à oração do Pai Nosso, que repetido sem descanso me ofereceu a graça, a força, a capacidade de mudar, de retroceder e voltar ao caminho que era quando Ele me criou, junto aos meus seres queridos, disfrutar da vida saudavelmente”.
Sem dúvida, foi capturado pela polícia, frustrando todo o plano urdido para eliminar os assassinos dos seus irmãos. “Quando entrai para a cadeia andava muito arrebatado, dia e noite, de um sítio para outro, angustiado, ansiava sair. Mas saiu a sentença e estava já fechado o caminho… Condenaram-me por um roubo e por porte ilegal de armas brancas”.
Dizer que os dias, mas em especial as noites, eram um inferno naquele lugar é um tópico que Nalo também padeceu.
“Isolado sentia-me então destinado para o esquecimento”. E se quebrou.
"Deus não me deixava tranquilo"
O quadrilheiro duro estava só… Repassando uma e outra vez na sua mente, disse, o sem sentido da sua história.
“Deus não me deixava tranquilo e começou a mudar a minha forma de vida, e eu, a deixar os vícios; chorava muito e pedia-lhe arrependido, de coração, que enchesse a minha vida, me transformasse. Não queria continuar sendo escravo da droga e com esse ódio que mantinha. O Senhor pode aparecer e mudar-me. Deu-me essa paz interior, essa fortaleza. Não foi fácil, foi uma luta constante, de muito tempo, de dias, meses para deixar os meus vícios, pedindo a Deus”.
“Caminhos da Liberdade”
Nalo alegra-se quando recorda a etapa da sua vida iniciada com a Fundação católica “Caminhos da Liberdade” (www.caminosdelibertad.org).
Devido aos seus méritos, optou pela redução da condenação e pode obter a liberdade condicional em Fevereiro de 2010.
Foi então que os conheceu, porque - por exigência e ajuda do sistema judicial colombiano - Nalo foi também apoiado com um acompanhamento integral à reinserção social desde a entidade católica.
“A ajuda da Fundação foi quando eu saí, com essa liberdade condicional, a começar de novo na rua. Na verdade houve muitas provas, havia numerosos conhecidos que sabiam quem eu era, e que me ofereciam novamente armas e coisas para seguir na maldade. Todas eram propostas más, pu-las de parte, e não lhes fiz caso. Eu tinha outro pensamento, protegido por Deus”.
O poder do Pai Nosso
Hoje, com 42 anos, para este homem…“é um orgulho dizer que pude sair da droga e de elementos bem aditivos”.
Capacitou-se, trabalha e “ainda que tenho os meus anitos”, diz, continua jogando futebol.
Ao finalizar o seu diálogo e quase como um legado, Nalo volta a recordar aquilo que fez dele um homem novo: “A ajuda que eu recebi veio de Deus, pois foi ele Senhor quem me deu o amor à oração do Pai Nosso, que repetido sem descanso me ofereceu a graça, a força, a capacidade de mudar, de retroceder e voltar ao caminho que era quando Ele me criou, junto aos meus seres queridos, disfrutar da vida saudavelmente”.
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