Primeira jornada de discussão
Ontem reuniram-se 144 cardeais no Vaticano na primeira jornada de discussão. O caso «vatileaks» foi a estrela da reunião.
Actualizado 6 de Março de 2013
Andrea Tornielli / Vatican Insider
“Vatileaks” cola-se no Conclave. Durante a primeira jornada de discussão à porta fechada e com os telemóveis desligados, os 144 cardeais que se reuniram para falar sobre o futuro da Igreja escutaram pelo menos três vezes o eco tenaz do relatório reservado sobre a fuga de documentos e venenos curiais.
De facto, durante as discussões de ontem pela manhã, foram 3 os cardeais que pediram contar com informação sobre o “Relatio” que preparou a comissão dos cardeais “007”, cujo conteúdo se encontra debaixo chave.
Três cardeais pedem para saber mais...
A petição foi pronunciada pelo alemão Walter Kasper, que acaba de cumprir os 80 anos (por um pouco poderá participar no Conclave) e que pertence à ala dos velhos curiais mais críticos até às gestões da Secretaria de Estado dos últimos anos.
A mesma petição foi feita por dois “papáveis” europeus de peso. O austríaco Christoph Schönborn, arcebispo de Viena que em 2010 criticou abertamente o ex-Secretário de Estado Sodano pela maneira como se ocupou dos casos de abuso durante o último período wojtyliano, e o húngaro Péter Erdö, arcebispo de Budapeste e um dos possíveis candidatos europeus ao Trono de Pedro.
A Curia romana no ponto de mira
Estas petições representam uma vontade partilhada por muitos dos purpurados estrangeiros, que chegaram a Roma com a intenção de discutir profundamente sobre os escândalos que flagelaram a Cúria romana no último período.
Querem as contas claras e também querem ter à disposição todo o tempo necessário, porque estas e outras questões (como as finanças vaticanas) devem ser desvendadas adequadamente. Não é nenhuma casualidade que os arcebispos de Washington e Chicago, Donald William Wuerl e Francis George, tenham sublinhado – ao terminar a primeira das Congregações – que o caso dos “vatileaks” será um dos argumentos de discussão e que os cardeais envolvidos deveriam responder às perguntas colocadas.
Todavia não há detalhes
As petições foram pronunciadas, mas as respostas todavia são muito gerais e não oferecem muitos detalhes. Pelo menos é a impressão de alguns cardeais que escutaram as primeiras réplicas informais do cardeal Julián Herranz, ilustre canonista com uma grande experiência curial e muito estimado por João Paulo II e Bento XVI.
Como se sabe, o Papa emérito não quis dar a conhecer o conteúdo do relatório sobre a fuga de documentos, mas permitiu que os três investigadores (Herranz, Jozef Tomko e De Giorgi) dessem indicações de carácter geral.
Como seja, não há que considerar que os escândalos dos “vatileaks” foram o tema predominante na primeira jornada de discussão. A preocupação de quase todos os presentes é a de encontrar um novo Papa que saiba comunicar-se com o mundo, anunciar o Evangelho positivamente.
«Serviria um Papa como São Francisco – revelou um cardeal à La Stampa no final da segunda congregação –, um homem que saiba sorrir como João Paulo I, que possa mostrar o rostro da misericórdia de Deus. E que saiba reformar a Curia, para fazer que seja mais crível e transparente».
Ontem reuniram-se 144 cardeais no Vaticano na primeira jornada de discussão. O caso «vatileaks» foi a estrela da reunião.
Actualizado 6 de Março de 2013
Andrea Tornielli / Vatican Insider
“Vatileaks” cola-se no Conclave. Durante a primeira jornada de discussão à porta fechada e com os telemóveis desligados, os 144 cardeais que se reuniram para falar sobre o futuro da Igreja escutaram pelo menos três vezes o eco tenaz do relatório reservado sobre a fuga de documentos e venenos curiais.
De facto, durante as discussões de ontem pela manhã, foram 3 os cardeais que pediram contar com informação sobre o “Relatio” que preparou a comissão dos cardeais “007”, cujo conteúdo se encontra debaixo chave.
Três cardeais pedem para saber mais...
A petição foi pronunciada pelo alemão Walter Kasper, que acaba de cumprir os 80 anos (por um pouco poderá participar no Conclave) e que pertence à ala dos velhos curiais mais críticos até às gestões da Secretaria de Estado dos últimos anos.
A mesma petição foi feita por dois “papáveis” europeus de peso. O austríaco Christoph Schönborn, arcebispo de Viena que em 2010 criticou abertamente o ex-Secretário de Estado Sodano pela maneira como se ocupou dos casos de abuso durante o último período wojtyliano, e o húngaro Péter Erdö, arcebispo de Budapeste e um dos possíveis candidatos europeus ao Trono de Pedro.
A Curia romana no ponto de mira
Estas petições representam uma vontade partilhada por muitos dos purpurados estrangeiros, que chegaram a Roma com a intenção de discutir profundamente sobre os escândalos que flagelaram a Cúria romana no último período.
Querem as contas claras e também querem ter à disposição todo o tempo necessário, porque estas e outras questões (como as finanças vaticanas) devem ser desvendadas adequadamente. Não é nenhuma casualidade que os arcebispos de Washington e Chicago, Donald William Wuerl e Francis George, tenham sublinhado – ao terminar a primeira das Congregações – que o caso dos “vatileaks” será um dos argumentos de discussão e que os cardeais envolvidos deveriam responder às perguntas colocadas.
Todavia não há detalhes
As petições foram pronunciadas, mas as respostas todavia são muito gerais e não oferecem muitos detalhes. Pelo menos é a impressão de alguns cardeais que escutaram as primeiras réplicas informais do cardeal Julián Herranz, ilustre canonista com uma grande experiência curial e muito estimado por João Paulo II e Bento XVI.
Como se sabe, o Papa emérito não quis dar a conhecer o conteúdo do relatório sobre a fuga de documentos, mas permitiu que os três investigadores (Herranz, Jozef Tomko e De Giorgi) dessem indicações de carácter geral.
Como seja, não há que considerar que os escândalos dos “vatileaks” foram o tema predominante na primeira jornada de discussão. A preocupação de quase todos os presentes é a de encontrar um novo Papa que saiba comunicar-se com o mundo, anunciar o Evangelho positivamente.
«Serviria um Papa como São Francisco – revelou um cardeal à La Stampa no final da segunda congregação –, um homem que saiba sorrir como João Paulo I, que possa mostrar o rostro da misericórdia de Deus. E que saiba reformar a Curia, para fazer que seja mais crível e transparente».
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TEmos assim que mais que saber anunciar o Evangelho o novo Papa deverá reformar a Igreja no sentido de ser possível anunciar o Evangelho o invés de se andar ocupado com
ResponderEliminar"capelinhas" e poderes pessoais nada de acordo com o espírito cristão. Necessário um Francisco de Assis que saiba dizer não aos que privilegiam o edifício e descuram as comunidades, aos que tornaram as finanças o seu deus interno e dificultam o socorro aos que mais precisam. Rever de forma responsável o papel das mulheres na Igreja, rever de forma arrojada questões como o celibato e orientações de moral, rever e relançar uma visão de pobreza evangélica praticada pela hierarquia onde todo o povo de Deus se reveja, relançar as orientações do Concílio Vaticano II e pensar nos efeitos positivos que haveriam se se convocasse um novo Concilio - são alguns dos temas fortes aue, a meu ver, poderão fazer deste novo Papa um elemento renovador nesta hora em que a História exige mudança.
Gabriel Coelho