Mais dois e o Colégio dos cardeais eleitores estará completo para entrar na Capela Sistina e começar o tão esperado Conclave que, segundo rumores, já poderia começar na próxima segunda-feira, 11 de Março
Roma,
No briefing quotidiano na Sala de Imprensa do Vaticano, padre
Federico Lombardi explicou aos jornalistas que na quarta Congregação
geral desta manhã estavam presente 153 cardeais, entre eleitores e não
eleitores. Destes, quatro são os novos cardeais que chegaram ontem na
Capital que pronunciaram o juramente hoje: os cardeais Lehmann, Naguib,
Tong Hong e Wetter, o único não eleitor. Com o cardeal de Varsóvia,
Nycz, esperado durante o dia, e o cardeal vietnamita, Pham Minh Mân, que
chegará amanhã - disse Lombardi - "todos os eleitores estarão em Roma."
O porta-voz do Vaticano informou ainda que o Cardeal Decano, Angelo
Sodano, deu os parabéns ao cardeal Coccopalmerio que cumpre hoje 75
anos, para o cardeal Terrazas que chegará amanhã aos 77 anos de idade e
por fim ao card. Kasper que cumprindo ontem 80 anos, é o cardeal eleitor
mais ancião do Conclave. No entanto, o cardeal não é o decano dos
Padres Conclavistas, afirmou Lombardi, pois “não é a idade física que
determina o decanato, mas o pertencer a uma das três Ordens das quais o
Colégio dos cardeais se compõe: a Ordem dos Bispos, dos sacerdotes e dos
diáconos.
Foram 18 as intervenções da quarta Congregação de hoje, relatou
depois o director da Sala de Imprensa, todos “provenientes de diferentes
partes do mundo” e com a duração máxima de 5 minutos, considerando os
inúmeros pedidos de palavra na lista. As intervenções não são
seleccionadas com base a uma ordem estabelecida "por áreas geográficas,
competências ou outro", mas ao pedido de palavra.
Com os de hoje, acrescentou, "chegou-se a um total de 51 cardeais que
falaram nestes dias”. Entre os argumentos abordados: “o tema da Igreja
no mundo de hoje e as exigências da nova Evangelização”; a Santa Sé, os
dicastérios, a relação com os episcopados; e as expectativas e o
perfil do futuro pontífice.
Também foi marcada para amanhã à tarde uma Congregação, útil - disse o
porta-voz - para "aumentar o ritmo do trabalho comum". Enquanto
acontecerá hoje no fim da tarde a oração comum dos cardeais na Basílica
de São Pedro, presidida pelo cardeal Comastri e aberta aos fiéis.
Durante a conferência, foi exibido um vídeo da CTV que mostrou as
imagens da Capela Paulina, da Sala Regia e dos trabalhos em curso na
Capela Sistina, incluindo a montagem de grandes placas para proteger o
antigo piso artístico e a organização de um piso elevado e provisório,
sobre o qual serão colocadas as mesas e as cadeiras dos eleitores.
A “polêmica” nota de um briefing puramente informativo foi a questão
dos mega encontros “paralelos” que os cardeais norte-americanos tiveram
há alguns dias no North American College no Gianicolo (onde estão
hospedados até quando irão à Domus Santa Marta), amplamente frequentados
pela imprensa americana e não somente.
A ideia de O'Malley, Dolan, Di Nardo & co. era de encontrar
diariamente e pessoalmente os meios, para proporcionar a máxima
transparência sem o risco de boatos ou de fontes anónimas desvalorizando
o delicado momento que a Igreja vive.
Evidentemente o objectivo não foi alcançado plenamente, já que no
momento da conferência, justo quando padre Lombardi lembrava “a tradição
do sigilo do Conclave”, chegou na Sala de imprensa a breve comunicação
da porta-voz irmã Mary Ann Walsh, que anunciava: “Durante as
Congregações Gerais expressou-se a preocupação do vazamento de notícias à
imprensa italiana sobre discussões reservadas. Como precaução, os
cardeais decidiram não dar entrevistas”.
Questionado pelos jornalistas sobre o assunto, padre Lombardi
explicou que o caminho com o qual o Colégio cardinalício chega “em
consciência à melhor preparação do Conclave” é um caminho “progressivo”,
onde depois de um momento inicial de “abertura e partilha”, segue um de
“reserva absoluta” que quer “tutelar a liberdade da abordagem e da
reflexão de cada um dos membros do Colégio”. Em todo caso, acrescentou,
“ninguém sonha em dar instruções aos cardeais sobre como lidar com a
imprensa," ainda porque é responsabilidade do Colégio dos Cardeais, como
"corpo único”, orientar ao respeito.
Antecipando uma pergunta certa certamente lhe fariam, padre Lombardi
declarou: “Ainda não se decidiu a data do Conclave”, sublinhando que,
dada a especial situação de Sé vacante, “no Colégio dos cardeais existe a
vontade de uma preparação adequada, séria, profunda, sem pressa”.
Ainda não pareceu apropriado, portanto, “colocar uma votação sobre a
data do Conclave que poderia ser sentida por uma grande parte do Colégio
como uma pressão no que diz respeito à dinâmica de reflexão". Além
disso, acrescentou, "parece-me mais respeitoso e natural esperar que o
corpo dos cardeais eleitores esteja completamente presente, como deveria
ser a partir de amanhã”.
Sobre a reacção da Santa Sé por causa da morte de Hugo Chávez, o
director da Sala de Imprensa informou que o cardeal venezuelano Urosa
Savino já manifestou a sua participação, mas que actualmente não existem
outras mensagens de instituições da Santa Sé ou do núncio de Caracas.
Será a Congregação geral ou aquela particular que avaliará o caso.
in
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