Quer atender enfermos de sida no Sri Lanka
Actualizado 1 de Março de 2013
Fernando de Navascués / ReL
A cultura dos países asiáticos está impregnada de uma profunda espiritualidade e apesar do trabalho multisecular dos missionários cristãos muitas vezes resulta difícil evangelizar naquelas terras.
Sem dúvida, Deus não deixa de bendizer e chamar muitos homens e mulheres do continente asiático à fé de Cristo quando Ele quer. É o caso de Young Nihal, um habitante do Sri Lanka que esteve a ponto de fazer-se monge budista, mas para ele Deus tinha um plano diferente: converter-se ao catolicismo e ordenar-se sacerdote com os padres camilos.
“Não sei dizer com exactidão o que me levou ao cristianismo desde o budismo – explica –, de alguma maneira sinto-me escolhido: instintivamente comecei a orar e a fé, como o amor, nasce também sem explicação”.
Young Nihal nasceu há meio século em Ragama, próximo de Colombo, no seio de uma família budista muito pobre. Era o quinto de seis irmãos e o seu pai morreu quando ele tinha apenas 12 anos.
Dedicado ao trabalho doméstico
Nihal quis ingressar num mosteiro budista ainda que finalmente não o fez. Então a sua mãe pediu-lhe que fosse trabalhar para uma família como pessoal doméstico. Com isso poderia manter-se e apoiar a fraca economia familiar. O certo é que o Senhor valeu-se disto para aproximá-lo da fé, pois a família onde entrou ao serviço era católica.
Daquela época, Nihal recorda: “Tive que trabalhar duro e fazer o trabalho doméstico. Dava-me de todo”.
Não obstante, quando podia começou a fazer amigos que também resultaram ser católicos e que iam à paróquia de São Maximiliano: “Fiz-me amigo das famílias, dos sacerdotes e irmãs, e dos meninos da minha idade - explica. Isto foi o que me atraiu à Igreja católica”.
Primeiro amizade, logo missa...
“Naqueles momentos Deus obrava na minha vida, como na conversão de santos como são Inácio de Loyola, são Francisco Xavier e inclusive são Camilo”. Deus ia actuando na sua vida, apesar da aversão ao cristianismo que tinha no seu ambiente.
O contacto era de amizade e ele nunca pensou em fazer-se católico, simplesmente foi um encontro com os católicos da paróquia de São Maximiliano.
Mas em seguida começou a ir à Missa, participar nas celebrações de Natal, cantar cânticos… Até que a família para a qual trabalhava sugeriu-lhe que se baptizasse. Sem dúvida: “Eu não sabia nada do cristianismo – explica Nihal -, assim teve que aprender algo sobre a Igreja Católica antes de aprender o catecismo”.
O seu conhecimento dos cristãos era muito escasso. No seu povoado natal havia-os, mas ele pertencia a uma família budista e não tinha tido maior interesse em aprofundar a sua relação com eles. De facto não distinguia entre católicos, protestantes ou, inclusive, os evangélicos norte-americanos que iam ali com muito dinheiro. Dinheiro que facilita o proselitismo.
Em qualquer caso, o seu contacto com cristãos despertou-lhe a curiosidade e “a sentir bem-estar quando estava entre aqueles muros. Depois de algum tempo encontrei-me, com espanto, rezando à Virgem”.
Pouco depois teve que voltar ao seu povoado natal, onde também havia uma paróquia católica, dedicada esta a São Judas Tadeu. Ali encontrou de novo um ambiente atractivo onde foi fazendo amigos e participando em várias actividades paroquiais.
“Inclusive enviaram-me a estudar no convento das Irmãs da Sagrada Família durante seis ou sete meses. Não sabia nada do cristianismo mas recebi a possibilidade de compreender claramente a fé, o mistério do cristianismo”.
O rejeitar dos próprios
“Do cristianismo atraía-me a beleza do perdão, a alegria de servir aos demais. No budismo deves procurar sé a tua salvação e não tens garantias de obtê-la, enquanto para nós, os cristãos, a salvação é Jesus ressuscitado. Nos momentos de dor isto ajuda-te a ter força”.
Todo este descobrimento, sem dúvida, não era partilhado pela sua família, e talvez por isso mesmo chegaria a valorizar mais essa presença de Deus na sua vida e a força que Dele recebia. Quem mais se opôs à nova vida foi o seu irmão mais velho. As comunidades budistas e católicas convivem juntas, há respeito, mas também dificuldades na vida diária.
Um caminho com dificuldades
Depois de um tempo de aprofundar e formar-se na fé, Nihal acabou baptizando-se, e escolheu como novo nome o de Maximiliano, em recordação de são Maximiliano Kolbe, o mártir de Auschwitz, e também o titular da paróquia na qual começou a conhecer o cristianismo.
Imediatamente surgiu nele a vocação sacerdotal. Deus empenhou-se em ir até o final com Maximiliano. Mas como também sucede nestes casos, tampouco faltaram os problemas, concretamente de saúde. Problemas que retardaram e que poderiam ter deitado por terra todo o percurso.
Mas como quando o Senhor chama, chama. Assim encontrou-se Maximiliano em Roma em 1992. Em São Giovanni Rotondo conheceu os sacerdotes da Ordem de São Camilo (http://camilos.es), os Ministros dos enfermos, congregação fundada em 1582 por são Camilo de Lellis. Foi um “amor à primeira vista”: conhecê-los e decidir-se.
Impactou-lhe a sua entrega aos mais necessitados, aos enfermos. Essa entrega tão difícil de encontrar e compreender hoje em dia. Maximiliano sentiu-se “atraído pela cruz vermelha que levam, pelo símbolo da completa dedicação à assistência dos enfermos”.
Ingressou no seminário e como a cruz sempre está presente no caminho de quem ama e se entrega chegou a uma nova prova: teve um acidente que lhe causou a perda de um olho. Mas passaram oito anos de estudos e em Julho de 2004 ordenou-se sacerdote.
O P. Maximiliano não esquecerá como uma das recordações mais belas foi a celebração da sua primeira missa no Sri Lanka. Foi na paróquia do seu povoado, em São Judas Tadeu. Foi toda a sua família, inclusive o seu irmão mais velho, que tinha sido o mais contrário à sua conversão. Igualmente esteve presente o monge do templo local num clima de festa r de harmonia.
Projectos: um centro contra a sida
O sonho do P. Maximiliano é fundar no seu país natal um centro assistencial para enfermos da sida: “O meu sonho é construir um hospital e um centro para enfermos da sida. Já contamos com umas religiosas. O nosso bispo e a madre superiora disseram que sim, mas não sei o que ocorrerá finalmente. Creio que se se está unido a Deus se podem fazer muitas coisas – confia: “Eu sou a vida, vós os ramos”. Se estou unido a Ele, os ‘ramos’ darão fruto. Quero estar unido a Ele e perder-me Nele. Gosto de trabalhar com os enfermos”.
Sofrer com os que sofrem
“O sofrimento não me faltou nunca – explica o P. Maximiliano-, mas em certo momento, sem que eu saiba ainda como nem porquê, encontrei a alegria e a riqueza da fé e do sacerdócio”.
Por isso sente-se muito a gosto nos camilos. O serviço destes religiosos procura atender a enfermos de todo o mundo na globalidade do seu ser e se empenham na humanização dos serviços assistenciais e sanitários para que os cuidadores ponham, como repetia São Camilo, “mais coração nas mãos”. O seu carisma sintetiza-se em “cuidar e ensinar a cuidar”.
Actualizado 1 de Março de 2013
Fernando de Navascués / ReL
A cultura dos países asiáticos está impregnada de uma profunda espiritualidade e apesar do trabalho multisecular dos missionários cristãos muitas vezes resulta difícil evangelizar naquelas terras.
Sem dúvida, Deus não deixa de bendizer e chamar muitos homens e mulheres do continente asiático à fé de Cristo quando Ele quer. É o caso de Young Nihal, um habitante do Sri Lanka que esteve a ponto de fazer-se monge budista, mas para ele Deus tinha um plano diferente: converter-se ao catolicismo e ordenar-se sacerdote com os padres camilos.
“Não sei dizer com exactidão o que me levou ao cristianismo desde o budismo – explica –, de alguma maneira sinto-me escolhido: instintivamente comecei a orar e a fé, como o amor, nasce também sem explicação”.
Young Nihal nasceu há meio século em Ragama, próximo de Colombo, no seio de uma família budista muito pobre. Era o quinto de seis irmãos e o seu pai morreu quando ele tinha apenas 12 anos.
Dedicado ao trabalho doméstico
Nihal quis ingressar num mosteiro budista ainda que finalmente não o fez. Então a sua mãe pediu-lhe que fosse trabalhar para uma família como pessoal doméstico. Com isso poderia manter-se e apoiar a fraca economia familiar. O certo é que o Senhor valeu-se disto para aproximá-lo da fé, pois a família onde entrou ao serviço era católica.
Daquela época, Nihal recorda: “Tive que trabalhar duro e fazer o trabalho doméstico. Dava-me de todo”.
Não obstante, quando podia começou a fazer amigos que também resultaram ser católicos e que iam à paróquia de São Maximiliano: “Fiz-me amigo das famílias, dos sacerdotes e irmãs, e dos meninos da minha idade - explica. Isto foi o que me atraiu à Igreja católica”.
Primeiro amizade, logo missa...
“Naqueles momentos Deus obrava na minha vida, como na conversão de santos como são Inácio de Loyola, são Francisco Xavier e inclusive são Camilo”. Deus ia actuando na sua vida, apesar da aversão ao cristianismo que tinha no seu ambiente.
O contacto era de amizade e ele nunca pensou em fazer-se católico, simplesmente foi um encontro com os católicos da paróquia de São Maximiliano.
Mas em seguida começou a ir à Missa, participar nas celebrações de Natal, cantar cânticos… Até que a família para a qual trabalhava sugeriu-lhe que se baptizasse. Sem dúvida: “Eu não sabia nada do cristianismo – explica Nihal -, assim teve que aprender algo sobre a Igreja Católica antes de aprender o catecismo”.
O seu conhecimento dos cristãos era muito escasso. No seu povoado natal havia-os, mas ele pertencia a uma família budista e não tinha tido maior interesse em aprofundar a sua relação com eles. De facto não distinguia entre católicos, protestantes ou, inclusive, os evangélicos norte-americanos que iam ali com muito dinheiro. Dinheiro que facilita o proselitismo.
Em qualquer caso, o seu contacto com cristãos despertou-lhe a curiosidade e “a sentir bem-estar quando estava entre aqueles muros. Depois de algum tempo encontrei-me, com espanto, rezando à Virgem”.
Pouco depois teve que voltar ao seu povoado natal, onde também havia uma paróquia católica, dedicada esta a São Judas Tadeu. Ali encontrou de novo um ambiente atractivo onde foi fazendo amigos e participando em várias actividades paroquiais.
“Inclusive enviaram-me a estudar no convento das Irmãs da Sagrada Família durante seis ou sete meses. Não sabia nada do cristianismo mas recebi a possibilidade de compreender claramente a fé, o mistério do cristianismo”.
O rejeitar dos próprios
“Do cristianismo atraía-me a beleza do perdão, a alegria de servir aos demais. No budismo deves procurar sé a tua salvação e não tens garantias de obtê-la, enquanto para nós, os cristãos, a salvação é Jesus ressuscitado. Nos momentos de dor isto ajuda-te a ter força”.
Todo este descobrimento, sem dúvida, não era partilhado pela sua família, e talvez por isso mesmo chegaria a valorizar mais essa presença de Deus na sua vida e a força que Dele recebia. Quem mais se opôs à nova vida foi o seu irmão mais velho. As comunidades budistas e católicas convivem juntas, há respeito, mas também dificuldades na vida diária.
Um caminho com dificuldades
Depois de um tempo de aprofundar e formar-se na fé, Nihal acabou baptizando-se, e escolheu como novo nome o de Maximiliano, em recordação de são Maximiliano Kolbe, o mártir de Auschwitz, e também o titular da paróquia na qual começou a conhecer o cristianismo.
Imediatamente surgiu nele a vocação sacerdotal. Deus empenhou-se em ir até o final com Maximiliano. Mas como também sucede nestes casos, tampouco faltaram os problemas, concretamente de saúde. Problemas que retardaram e que poderiam ter deitado por terra todo o percurso.
Mas como quando o Senhor chama, chama. Assim encontrou-se Maximiliano em Roma em 1992. Em São Giovanni Rotondo conheceu os sacerdotes da Ordem de São Camilo (http://camilos.es), os Ministros dos enfermos, congregação fundada em 1582 por são Camilo de Lellis. Foi um “amor à primeira vista”: conhecê-los e decidir-se.
Impactou-lhe a sua entrega aos mais necessitados, aos enfermos. Essa entrega tão difícil de encontrar e compreender hoje em dia. Maximiliano sentiu-se “atraído pela cruz vermelha que levam, pelo símbolo da completa dedicação à assistência dos enfermos”.
Ingressou no seminário e como a cruz sempre está presente no caminho de quem ama e se entrega chegou a uma nova prova: teve um acidente que lhe causou a perda de um olho. Mas passaram oito anos de estudos e em Julho de 2004 ordenou-se sacerdote.
O P. Maximiliano não esquecerá como uma das recordações mais belas foi a celebração da sua primeira missa no Sri Lanka. Foi na paróquia do seu povoado, em São Judas Tadeu. Foi toda a sua família, inclusive o seu irmão mais velho, que tinha sido o mais contrário à sua conversão. Igualmente esteve presente o monge do templo local num clima de festa r de harmonia.
Projectos: um centro contra a sida
O sonho do P. Maximiliano é fundar no seu país natal um centro assistencial para enfermos da sida: “O meu sonho é construir um hospital e um centro para enfermos da sida. Já contamos com umas religiosas. O nosso bispo e a madre superiora disseram que sim, mas não sei o que ocorrerá finalmente. Creio que se se está unido a Deus se podem fazer muitas coisas – confia: “Eu sou a vida, vós os ramos”. Se estou unido a Ele, os ‘ramos’ darão fruto. Quero estar unido a Ele e perder-me Nele. Gosto de trabalhar com os enfermos”.
Sofrer com os que sofrem
“O sofrimento não me faltou nunca – explica o P. Maximiliano-, mas em certo momento, sem que eu saiba ainda como nem porquê, encontrei a alegria e a riqueza da fé e do sacerdócio”.
Por isso sente-se muito a gosto nos camilos. O serviço destes religiosos procura atender a enfermos de todo o mundo na globalidade do seu ser e se empenham na humanização dos serviços assistenciais e sanitários para que os cuidadores ponham, como repetia São Camilo, “mais coração nas mãos”. O seu carisma sintetiza-se em “cuidar e ensinar a cuidar”.
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