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sexta-feira, 8 de março de 2013

Contrataram-na de ventre de aluguer; depois pedem-lhe para abortar: ela foge e salva a menina

Pagavam-lhe 10.000 dólares extra para matar o bebé

Actualizado 8 de Março de 2013

CNN / Aciprensa /ReL

Um casal estadunidense contratou Crystal Kelley, uma jovem desempregada que necessitava dinheiro desesperadamente, para que lhes alugasse o seu ventre e lhes gerasse um bebé. Iam-lhe pagar 22.000 dólares.

Este casal não identificado já tinha tido outros filhos através da fertilização in vitro. Tinham dois embriões congelados e decidiram contratar um ventre de aluguer para ter mais um filho.

A implantação realizou-se em Outubro de 2011 e pouco depois souberam que teriam uma menina. Depois de uma inicial alegria pelo êxito da implantação, a relação entre Kelley e os pais que a contrataram tornou-se hostil ao aparecerem os sinais das complicações na saúde da pequena.

Eles decidiram que não lhes interessava o bebé: tinham descoberto que teria alguns problemas de saúde. Não passava o controlo de "perfeição" dos "compradores". A bebé tinha lábio leporino, paladar fendido, um quisto no cérebro e complicações no coração.

Assim o casal ofereceu 10.000 dólares adicionais a Crystal para que abortasse o bebé "imperfeito".

Mas ela negou-se. “Disse-lhes que não podia fazê-lo. Eu era a que sentia as suas patadas, os seus movimentos. Era uma lutadora e eu ia lutar por ela”, disse-lhes.

Ao não poder obriga-la a abortar, os pais da menina disseram a Kelley que ao nascer abandonariam o bebé, que a deixariam nas mãos do estado.

Crystal Kelley decidiu que “não podia permitir que se convertesse num desses meninos incapacitados que são esquecidos e se perdem no sistema”. Em segredo, abandonou o estado de Connecticut rumo ao Michigan, onde as leis estatais são distintas: ali, a lei estabelece que ela seria a mãe da bebé.


Crystal Kelley e a menina que gerou;
observa-se o defeito do lábio leporino
e paladar fendido, que se soluciona com cirurgia
Devido à sua difícil condição económica, Kelley decidiu que a menina necessitava uma família que a pudesse cuidar, e a outorgou em adopção a um casal conhecido, que lhe ofereceu o seu apoio emocional durante esse tempo difícil. Estes novos pais adoptivos estão encantados com a menina.

Os especialistas prognosticam que inclusive se a menina superasse os seus problemas médicos há uns 50% de possibilidades de que não possa caminhar, falar ou usar as suas mãos normalmente, os seus pais adoptivos asseguram que “desperta todas as manhãs com um sorriso contagioso”.

“Saúda o seu mundo com um constante sentido de entusiasmo”, assegura a sua mãe adoptiva actual. “Na última instância, nos aferramos à fé de que dando-lhe amor, oportunidade, estímulo, à bebé, ela será a que nos mostrará o que é possível para a sua vida e o que ela é capaz de fazer”, disse numa detalhada reportagem publicada pela CNN.

Há poucos dias, o porta-voz e secretário-geral da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), Mons. Juan Antonio Martínez Camino, advertiu que o aluguer de ventres para gerar um bebé é um “tratamento injusto”, porque “os seres humanos não são objecto de produção, não são coisas que se produzem nem reses que se reproduzem".


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