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quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Perdão, paz, reconciliação: esse é o canto que brota do coração do povo arménio!"

O card. Sandri falou ontem no concerto oferecido pelo Patriarcado Arménio Católico na Igreja de São Nicolau de Tolentino


Roma, 13 de Abril de 2015 (Zenit.org)


"Nós nos reunimos para ouvir e meditar por meio dos cantos da vossa tradição, no final de um dia histórico que viu reunido sob as abóbadas da Basílica Vaticana os representantes de todo o mundo arménio espalhado por todo o mundo, juntamente com o Sucessor do Apóstolo Pedro, o amado Papa Francisco".

Dessa forma começou a falar o cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, no seu discurso aos participante do concerto oferecido pelo Patriarcado Arménio Católico, realizado ontem à noite na Igreja de São Nicolau de Tolentino (Pontifício Colégio Arménio).

O evento encerrou o dia de oração pelas vítimas do Metz Yeghern e da proclamação de São Gregório de Narek como Doutor da Igreja Universal. Dois coros arménios apresentaram: o Choeur Notre Dame d'Armenie, de Gumry, na República da Arménia, e o Coral Groung do Patriarcado Católico da Cilícia dos Arménios.

"As vozes se elevaram principalmente para ressoar os acordes de gratidão e louvor – disse Sandri – para ser pessoas que expressam a própria identidade desde o baptismo do 301, pela fidelidade de Deus mostrada em tantas vicissitudes da história, e por aquela de tantos filhos e filhas da Nação arménia que passaram pela "grande tribulação", com o nome de Jesus nos lábios e no coração".

O Cardeal recordou, portanto, "a experiência humana da perseguição e extermínio atroz” que há cem anos, mas também outras vezes ao longo da história, colocou o povo arménio perante “o desencadeamento das forças do mysterium iniquitatis”. Pediu também, para “ser e permanecer discípulos de Cristo” e “falar ao mundo da misericórdia do Pai”, a exemplo de Santa Faustina Kowalska.

Porque, ressaltou, "se o pecado e o mal do homem criam como que abismos, vazios – e o martírio do vosso povo é sem dúvida um desses –, como crentes em Cristo somos chamados a espalhar sempre o véu da misericórdia, que nunca é sem verdade e sem justiça. O que cura, reconcilia é o amor de Deus que nos salvou”.

"Por essa razão - acrescentou o prefeito das Igrejas Orientais - ninguém tenha medo: quando se perseguem estes altos valores, quando se restaura um razoável consenso na leitura dos factos históricos, só pode crescer a dignidade e a grandeza de um povo. Esse só pode ser grande e se tornar referência para outros na medida em que cuida da própria história de miséria e nobreza”.

Miséria - explicou Sandri - "quando pisou ou atropelou a inviolável dignidade da pessoa humana”, nobreza “quando a reconhece, a serve e a promove, dentro e fora das próprias fronteiras, além das diferentes visões culturais e religiosas”.

A fé mantida ao longo dos séculos é a prova: "ela nos faz pensar que em tempos de sofrimento e dor, no" vazio "e no aparente silêncio de Deus, de seus corações e seus lábios fluam o canto de súplica, de invocação, e da última entrega”.

"Jesus foi a última palavra nos seus lábios, como aquela dos vinte e um cristãos coptas assassinatos na costa do Mediterrâneo e como em análogas situações na África e no Oriente Médio”, sublinhou o cardeal. E concluiu, invocando ao “nobre” povo da Arménia a intercessão da "Santíssima Mãe de Deus" e do ''Iluminador e novo Doutor da Igreja, São Gregório de Narek".

"Que as suas orações obtenham a reconciliação, a paz, e o perdão”, disse, e “dê consolo, especialmente aos irmãos de Aleppo, aos quais, desde ontem, começou a cair uma chuva de mísseis que está semeando o terror e destruição. Perdão, paz e reconciliação: esta é a canção que flui nesta tarde do coração do povo arménio!”

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