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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Festival Terras Sem Sombra em Grândola recebe grandes intérpretes premiadas pelo Vaticano


Festival Terras Sem Sombra em Grândola recebe grandes intérpretes premiadas pelo Vaticano

GRÂNDOLA – Dando novos sinais de ruptura com uma linha demasiado convencional na abordagem da música sacra, o Festival Terras sem Sombra apresenta no seu próximo concerto, em Grândola, terra de muitas ressonâncias artísticas, uma experiência estética única: o recital que une duas intérpretes de excepção, Patricia Janecková e Celeste Shin Je Bang, vencedoras – respectivamente com o primeiro e o segundo prémios – do Concurso Internacional de Música Sacra de Roma, de 2014, realizado sob a égide da Santa Sé. O concerto terá lugar na igreja matriz de Nossa Senhora da Assunção, no próximo sábado, 18 de Abril, pelas 21h30. Sob o título “Vinho Velho em Odres Novos: Perspectivas das Novas Gerações sobre a Voz Humana”, faz parte da 11.ª edição do Festival Terras sem Sombra, iniciativa do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, em colaboração com o município e a paróquia locais (como todas as actividades deste projecto, é de entrada gratuita). Domingo, uma acção de salvaguarda da biodiversidade traz ao palco o património geológico da faixa piritosa do Alentejo, habitat privilegiado de muitas manifestações da biodiversidade. Trata-se da primeira vez que a soprano Patricia Janecková e a meio-soprano Celeste Shin JeBang actuam em Portugal, o que torna este promissor concerto uma ocasião histórica. “É difícil conseguir maior contraste entre duas cantoras”, salienta Juan Ángel Vela del Campo, director artístico do Festival: “juntá-las, em Grândola, num recital com estas características, afigurou-se uma oportunidade de ouro, para além de uma clara aposta no futuro do canto”. Vela del Campo, celebrado crítico musical espanhol, integrou, no passado Outono, o júri do Concurso de Música Sacra da Academia Musical Europeia. “Houve unanimidade nas deliberações, algo pouco frequente, e os dois primeiros prémios recaíram em duas cantoras nos antípodas estilísticos”, explicou, acrescentando “é um privilégio poder levar a cabo um encontro musical com estas características”. Patricia Janecková, nascida na Eslováquia em 1998, triunfou em Roma com a sua interpretação da Paixão segundo São Mateus, de J. S. Bach. A crítica tem chamado a atenção para a maturidade musical desta soprano que, desde os quatro anos de idade, encanta sucessivas audiências – mesmo as mais exigentes. De uma entoação e afinação vocal perfeitas, aos 12 anos venceu, com a sua voz cristalina, o concurso da televisão checa e eslovaca, Talentmania, sendo nomeada vencedora absoluta e recebendo o prémio das mãos do célebre tenor eslovaco Peter? Dvorský.? Porém, foi na série “Junge? Talenteder Klassik 2013”, que teve início a sua carreira internacional a solo. Em 2014, distinguiu-se como protagonista de? Buquet,? adaptação de poemas e baladas da literatura checa. O segundo prémio do concurso de Roma foi concedido à meio-soprano Celeste Shin Je Bang, de nacionalidade sul-coreana, que brilhou com Requiem. Natural de Seoul (1982), esta grande cantora tem sido reconhecida internacionalmente, alcançando importantes galardões. Estreou-se no Teatro alla Scala, de Milão, em 2013, no papel de Lucila (La Scala di Seta, de Rossini) e fez Il Piccolo Spazzacamin, de Britten, no papel de Miss Baggot. Outras actuações suas de relevo foram na Petite Messe Solennelle, de Rossini, no Teatro Müvészetek Palotája de Budapeste, sob a direcção de Bruna Casoni, e na Missa en Dó Maior, op. 86, de Beethoven, no Nuovo Teatro dell’Opera, de Florença, sob a direcção de Omer Meir Welber. Complementar entre si, esta dupla será acompanhada pela pianista Julia Grejtáková, outra notável intérprete eslovaca, fautora de brilhante carreira internacional. Um repertório de excelência, cheio de colorido e de profundidade, com obras de Rombi, Handel, Bach, Mozart, Vivaldi, Rossini e Verdi, adequa-se em pleno a um dos mais monumentos religiosos do Alentejo litoral, a Igreja Matriz de Grândola, que tem vindo a ser alvo de obras de restauro e se destaca pela excelência do seu património de artes decorativas. José António Falcão, director-geral do Festival Terras sem Sombra, chama a atenção, por seu turno, para o desafio de apresentar, no Alentejo, “uma região especialmente vocacionada para a música sacra”, premières de repercussão europeia. “Faz todo o sentido reivindicar para a nossa região um papel próprio no panorama da arte dos nossos dias; este festival integra a divisão de topo da música sacra e o concerto do próximo sábado, em Grândola, é uma boa prova disso”, acrescenta Falcão, sublinhando: “o tempo do provincianismo, em termos de vida cultural, já passou; hoje, ou estamos à frente ou ficamos à margem”. 

Frederico Ribeiro


 

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