Páginas

quinta-feira, 9 de abril de 2015

«Eu só lhe pedi Luz»

Pintora portuguesa foi baptizada na Basílica de S. Pedro, em Roma, durante a Vigília Pascal, a convite do Papa Francisco. Helena Lobato recorda que tudo começou numa fase muito difícil da sua vida, durante a qual procurou várias orientações para a ajudarem a resolver os seus problemas e “não encontrou as respostas certas nos conselhos humanos”.

“Um dia, eu estava a almoçar, a ver o telejornal, e quando fizeram a retrospectiva do primeiro ano do pontificado do Papa Francisco, daquilo que ele era, como ali chegou, as mudanças que tinha operado, as grandes obras que ele tinha feito, eu chorava compulsivamente». Foi ao ver esta reportagem na televisão, que a pintora se decidiu a escrever pedindo-lhe Luz.

Nesse momento levantou-se da mesa, foi para o escritório e escreveu uma carta ao Papa. «Sempre a chorar, agarrei em folhas brancas, numa caneta, sentei-me no lugar onde eu faço a criação das minhas pinturas e comecei a escrever, directo. Não houve rascunho, não houve tentativas. Nada. Enviei uma carta, com cerca de cinco folhas manuscritas.”

Helena Lobato não esquece que foi uma “carta escrita com lágrimas, de uma maneira muito particular, muito chorada, a partir não tanto da cabeça mas mais do coração e do desespero em que se encontrava”.

“Escrevi à mão com a única preocupação de lhe transmitir a minha vida e as minhas dúvidas”. Perguntei se o Santo Padre de alguma maneira poderia, na sua oração com Deus, pedir que Ele desse uma Luz a pessoas como eu”. 

Depois de ter deixado a carta nos correios, regressou a casa e deu-se conta do que tinha acabado de fazer. «Dei por mim a pensar: Mas o que é que tu foste fazer? Tu não és baptizada, não pertences à Igreja, não és crente, não és nada. O que é que foste fazer?” Mas pronto, já estava e nunca pensou que aquela carta viesse a ter resposta.

Porém, o Santo Papa não só lhe respondeu como ainda a convidou para ser baptizada, em Roma, durante a Vigília Pascal, na Basílica do Vaticano, para aí receber a verdadeira Luz, que é Cristo. 

A pintora fez a sua preparação para o baptismo na Paróquia da Cova da Piedade onde o Pároco José Gil Pinheiro a integrou num grupo de catequese de adultos, disponibilizando-se para tratar de todas as démarches necessárias e acompanhou-a a Roma. 

“É essa a esperança que o Papa nos passa, por vezes na Igreja havia um distanciamento que levava as pessoas a esmorecer. Aquilo que aconteceu comigo acho que seria impensável em outra fase da Igreja. Esta abertura, a recepção que o Papa faz a muitas pessoas, a sua postura toca almas e corações e puxa, tem um magnetismo muito grande”. “Esta história já não é minha, é de Deus em mim”, refere emocionada a pintora recém baptizada.

Mas um facto é que todas estas pequenas atitudes e acontecimentos vão tornando mais vivo o pulsar da humanidade, crente ou não, desencadeando uma onda de esperança e de confiança numa sociedade sofrida, desencantada e desamparada como aquela em que nos encontramos mergulhados, mas não afundados.

Se por cada homem que faz mal, vem tanta desgraça ao mundo, se por gestos tresloucados ficamos entristecidos e desalentados, também por cada um que se salva temos de nos alegrar e rejubilar.

Afinal o mal nunca leva a melhor e a força do bem é muito mais poderosa e contagiante, por isso, fomentar as virtudes e impulsionar boas acções tem de ser o caminho a seguir, em qualquer idade ou latitude em que o ser humano se encontre. 

Pode parecer discurso retrógrado, mas as notícias e as imagens que todos os dias nos invadem são a prova provada de que algo precisa de mudar e todos nós temos de ter parte activa nessa mudança, lançando sementes de paz, de amor e de bem fazer. A seu tempo darão frutos, umas mais, outras menos, mas sempre hão-de ser contributo numa melhoria de vida, de segurança, de tranquilidade, de justiça e de verdade, ingredientes indispensáveis para viver em felicidade, ambição suprema de todo o humilde mortal.

Maria Susana Mexia




Sem comentários:

Enviar um comentário