É correto proibir totalmente o uso da rede, ou seria sensato definir uma fronteira de fruição?
Roma, 07 de Abril de 2015 (Zenit.org) Osvaldo Rinaldi
A rede hoje é algo "natural" para as novas gerações. Há um
número crescente de nativos digitais e, consequentemente, torna-se cada
vez maior o número de crianças e adolescentes que utilizam os novos
meios de comunicação. Então, um dever colocar certas perguntas: é
correto proibir totalmente o uso da rede, ou seria sensato definir uma
fronteira de fruição?
É óbvio que não é possível, e não seria nem sequer correto proibir
totalmente o uso da rede, mas é necessário colocar alguns limites, para
evitar expor as novas gerações a perigos e armadilhas que constituem uma
séria ameaça para as suas vidas.
Por esta razão, um dos deveres de um pai com os filhos é a educação na utilização da rede.
A primeira forma de educação é a do exemplo e testemunho pessoal.
Como um pai pode dizer ao seu filho para não usar muito as redes
sociais, quando ele, em vez de ficar perto de seu filho para ajudá-lo
com a lição de casa, está no sofá lendo informações de seu interesse em
algum site?
Dados estatísticos mostram que os pais, mesmo que não pertençam à
geração de nativos digitais, estão cada vez mais atraídos pelas seduções
da rede. Em média, um pai e uma mãe consideram tablets e smartphones
ferramentas indispensáveis para a vida, a tal ponto de considera-las
essenciais também para os seus filhos.
Os tablets, os smartphones são considerados meios primários de
comunicação, quase que comparados aos nossos órgãos sensitivos e
comunicativos. Estamos testemunhando o fenómeno da conaturalidade do
meio, considerado quase como um "órgão biónico" integrado na nossa
pessoa, com a função específica de anexar o mundo exterior virtual com a
realidade biológica.
Esta tese se demonstra quando se permanece por alguns dias sem um
aparelho que me conecte à internet, ou quando a conexão à rede não está
disponível por várias razões, surge um sentimento de mutilação, que
falta algo de importante e vital.
A forma eficaz de educação é antes de tudo dar o exemplo, e em
segundo lugar ensinar a usar sabiamente a rede. Muitos jovens utilizam a
rede de forma inadequada, quando acedem várias redes sociais para
brigar ou para falar mal dos outros.
A rede deveria ser usada para comunicações curtas, que excluem a
esfera privada e afectiva, porque o coração da comunicação não é só a
mensagem, mas o sentimento, o transporte e a modalidade de como se
expressam os próprios pensamentos.
É fundamental o acompanhamento dos pais também no uso da rede, porque
é uma área da sua vida na qual passa boa parte do seu tempo livre. Dar
uma liberdade absoluta ou uma total confiança a uma criança ou a um
adolescente é sinónimo de desinteresse e descompromisso por parte dos
pais.
O acompanhamento na utilização da rede é a forma dos pais
permanecerem próximos do seu filho. Dado que a rede é algo virtual, o
acompanhamento deve se traduzir em permanecer, por breves, mas
frequentes, momentos do dia, fisicamente ao lado do filho para
verificar, sem ser muito invasivo, se ele está seguindo as sugestões
dadas.
Às vezes, essas verificações periódicas são insuficientes. As novas
gerações são inteligentes e conseguem encontrar a maneira para passar
por cima das recomendações dos pais. A missão de um pai e de uma mãe é
não poupar esforços para proteger seus filhos dos muitos perigos que se
escondem, silenciosos, nas portas das suas vidas.
Precisamente por este motivo, os pais, que se preocupam com o destino
de seus filhos, não têm vergonha e deixam de usar os "parent control”
(controle dos pais), tanto para bloquear o acesso a certos tipos de
sites, quanto para receber diariamente os informes diários sobre o uso
dos aplicativos utilizados e por quanto tempo.
Quando a tecnologia coloca um limite e controle na sua utilização,
repara todas as vezes que responsabiliza muito o usuário da rede, que,
se for menor de idade, é provável que seja imaturo e despreparado para
entender as consequências de suas acções.
Mesmo que as escolhas sejam feitas virtualmente, através de uma tela,
as consequências têm impactos sobre a alma de quem as faz. E,
infelizmente, vemos que o meio virtual é muitas vezes o princípio da
fraude, do engano, e permite entrar em contacto com pessoas indesejadas.
Livrar as crianças das armadilhas insidiosas da rede é parte
integrante da missão educativa dos pais. Este é um dos temas que deveria
ser incluído nos cursos de preparação ao sacramento do matrimónio e
deveria se tornar frequentes argumentos de congressos nas paróquias.
(07 de Abril de 2015) © Innovative Media Inc.
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