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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Os documentos do pontificado do Papa Francisco

Quatro são os documentos mais importantes escritos durante o pontificado do Papa Francisco: os primeiros dois foram escritos por ele. Os outros dois pela Secretaria do Sínodo dos Bispos.


Crato, 15 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Vitaliano Mattioli


Todos sabem  que  uma das tarefas dos Papas é de confirmar os fieis na fé, isto é: ao Papa pertence o “múnus magisterii”, “a missão de ensinar”. É por isso que os Papas escrevem Cartas encíclicas e outros documentos.

Papa Francisco neste ano e meio do seu pontificado escreveu só dois documentos.

O primeiro é a encíclica Lumen fidei (A luz da fé), 29 de Junho de 2013, a conclusão do Ano da Fé. Na verdade este documento foi preparado antes por Bento XVI. Mas depois da sua renúncia achou melhor não publicá-lo e o entregou ao seu sucessor. Papa Francisco recebeu este escrito e o publicou fazendo algumas mudanças e acrescentando algumas paginas, como ele mesmo  diz no n. 7: “Estas considerações sobre a fé — em continuidade com tudo o que o magistério da Igreja pronunciou acerca desta virtude teologal pretendem juntar-se a tudo aquilo que Bento XVI escreveu nas cartas encíclicas sobre a caridade e a esperança. Ele já tinha quase concluído um primeiro esboço desta carta encíclica sobre a fé. Estou-lhe profundamente agradecido e, na fraternidade de Cristo, assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto alguma nova contribuição”.

Por isso podemos concluir que quase todo o texto apresenta o pensamento teológico de Bento XVI. Mas uma vez que o Papa Francisco o assinou, faz parte do seu magistério.

O segundo documento é a Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (A alegria do Evangelho), 24 de Novembro de 2013. 

Estas  palavras ‘Exortação Apostólica’ muitas vezes indicam um documento feito e assinado pelo Papa na conclusão dum Sínodo dos Bispos. Bento XVI convocou um Sínodo no ano 2012. Mas por causa da sua renúncia, não teve tempo de escrever o documento conclusivo. Este foi escrito pelo Papa Francisco. Nesta Exortação ele faz referência a este Sínodo: “À escuta do Espírito, que nos ajuda a reconhecer comunitariamente os sinais dos tempos, celebrou-se de 7 a 28 de Outubro de 2012 a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Mas depois acrescenta: “Com prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para redigir esta Exortação. Para o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do Sínodo; consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja”. Mas logo depois exprime o desejo de não estar ligado às sugestões dos bispos: “Aqui escolhi propor algumas directrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. 

Já o estilo do documento exprime a personalidade do Papa Francisco. É um documento muito comprido: 288 parágrafos. O  tema não é único, mas são apresentados vários argumentos: a transformação missionária da Igreja, o compromisso comunitário, o anuncio evangélico, a dimensão social da evangelização, evangelizar com espírito.

Uma pessoa que é acostumada a ler os discursos deste Papa, pode logo verificar como este documento é totalmente escrito por ele, refere a sua doutrina e o seu estilo literário.

Logo depois da sua eleição expressou o desejo de convocar um sínodo extraordinário sobre a família. O Papa expressou  o desejo de conhecer a situação c, real, sobre a família hoje no mundo e sobre as suas dificuldades. A Secretaria do Sínodo no mesmo ano 2013 escreveu um “Documento de preparação - Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”, que enviou a todos os Bispos. O texto, depois duma parte descritiva,  apresenta um questionário com 39 perguntas. Este documento foi sugerido pelo Papa mas não foi escrito por ele.

A Secretaria analisou e sistematizou todas as respostas recebidas. Este trabalho serviu para  escrever o outro documento: “Instrumentum Laboris - Instrumento de trabalho”. Este texto, escrito  neste ano 2014 pela Secretaria e longo 44 paginas, é o texto base que deve ser discutido durante o Sínodo de Outubro.

Para concluir: quatro  são os documentos mais importantes escritos durante o pontificado do Papa Francisco: os primeiros dois foram escritos por ele. Os outros dois  pela Secretaria do Sínodo dos Bispos.          

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