Propõe o cardeal secretário de Estado como testemunha de boa-fé, para encontrar uma solução para a violência e os confrontos no país
Roma, 10 de Abril de 2014 (Zenit.org) Ivan de Vargas
O Governo da Venezuela convidou oficialmente nesta
quarta-feira o secretário de Estado da Santa Sé, o cardeal Pietro
Parolin, para participar da Conferência Nacional de Paz convocada pelo
presidente Nicolás Maduro.
"Queremos transmitir o convite do Presidente Nicolás Maduro (...), a
fim de participar nos processos de diálogo entre representantes do
Governo e da oposição venezuelana, através da nomeação da sua pessoa
como testemunha de boa fé", disse a carta enviada pelo Ministério das
Relações Exteriores da Venezuela ao cardeal italiano.
Este pedido surgiu depois da reunião preparatória da terça-feira,
mantida entre o governo e a oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD)
em Caracas, onde os participantes concordaram na necessidade da presença
do Vaticano nos diálogos de paz em nível nacional.
Aceitando, a Santa Sé se uniria aos chanceleres do Brasil, Colômbia e
Equador, membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasur), que
acompanharão a reunião formal entre o Governo e a oposição que ainda não
tem uma data oficial nem uma agenda fixa.
De acordo com várias fontes, parece muito provável que o encontro
seja no Palácio Miraflores, sede da presidência. Mas, juntamente com os
detalhes de logística e de programação a serem definidos, falta superar a
enorme desconfiança que sentem entre si as partes e também colocar-se
de acordo sobre os compromissos a serem tomados.
Na terça-feira, em seu programa semanal de rádio o presidente Maduro
afirmou que não haveria negociações ou acordos, “mas debate”. Em
diversas ocasiões, o herdeiro político de Hugo Chávez se referiu a um
possível diálogo com seus adversários como um momento no qual lhes diria
“algumas verdades” na cara. Além disso, o presidente anunciou que
defenderia a integridade do colectivo. A oposição pede para desmontar a
versão paramilitar desses grupos governamentais e julgar a alguns dos
seus líderes.
Venezuela vive desde o passado 12 de Fevereiro, uma onda de protestos
anti- governamentais que, por vezes, se tornaram violentos e, hoje,
deixaram pelo menos 39 mortos, centenas de feridos e presos.
[Trad.TS]
(10 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
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