O presidente da Conferência episcopal explica que deve ser o Governo que solicite a participação da Santa Sé na mesa de diálogo
Roma, 09 de Abril de 2014 (Zenit.org)
O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV),
mons. Diego Padrón, disse nesta terça-feira que o Governo de Nicolás
Maduro não fez “um pedido formal” ao Vaticano para ser mediador na crise
política que o país enfrenta nas últimas semanas. “Enquanto não haja um
pedido formal do Governo, que até agora não aconteceu, não é possível
dizer nada concreto”, afirmou monsenhor Padrón.
Em uma entrevista com Shirley, programa do canal de notícias
Globovisión, o prelado da Venezuela reconheceu que "ainda não se
materializou" essa mediação "porque não é que realmente o Vaticano tenha
se oferecido como mediador”, mas que em função da situação do país “e
tendo recebido o pedido” da aliança de partidos opositores “a resposta
foi positiva”.
O arcebispo de Cumaná explicou que, neste cenário, o secretário de
Estado e antigo núncio na Venezuela, o cardeal Pietro Parolín, “está
disposto a intervir”, mas reiterou que tem que ser o Governo que
solicite essa mediação.
Pessoalmente, mons. Padrón destacou a importância de estabelecer um
diálogo entre o Governo e a oposição. Neste sentido, observou que “caso
não se dê“ as condições para o diálogo “é preciso busca-las”.
"Ambos os sectores devem reconhecer-se, não se pode ir dialogar sem
ter uma agenda clara, é preciso superar a desconfiança, mas o bem do
país exige acções concretas”, acrescentou.
Na sua opinião, a paz no país "será o resultado de um longo caminho".
"A oposição deve fazer uma análise mais aprofundada das 'guarimbas' e
quais são as causas que estão por trás, (...), mas a imposição do Plano
da Pátria tem sido causa fundamental do que estamos vivendo”,
sentenciou.
O prelado venezuelano referiu-se também às relações da Igreja com o
presidente da República, Nicolás Maduro, e indicou que, embora “não
sejam quentes” como o eram quando estava no poder Hugo Chávez, o atual
mandatário “atenuou o tom”.
As declarações do presidente da CEV ocorrem depois de que os membros
da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) e o Governo
manifestaram a sua aprovação à ideia de que um representante do Vaticano
sirva de “terceiro de bona fide” no diálogo entre as partes.
Este acordo foi alcançado perante uma comissão de ministros da União
de Nações Sul-Americanas (Unasur), que visitou recentemente o país para
acompanhar e ajudar na solução do conflito.
Venezuela vive uma crise política há quase dois meses, o que foi
manifestado em uma onda de protestos que deixou pelo menos 39 mortos,
centenas de feridos e presos.
[Trad.TS]
(09 de Abril de 2014) © Innovative Media Inc.
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