O perdão, Deus e a Virgem salvaram-no de suicidar-se
| Nguyen Huu Cao a passou quase 39 anos encarcerado, mas alguns dos seus poemas puderam difundir-se no estrangeiro |
Actualizado 2 de Abril de 2014
AsiaNews / ReL
J.B. Nguyen Huu Cau, de 68 anos, acaba de sair da prisão: passou quase 39 anos nas cadeias e campos de prisioneiros de Hanói, no Vietname.
É um dos detidos políticos que passou mais tempo na cadeia neste regime comunista.
Durante os anos de prisão conheceu a fé católica e fez-se baptizar. Converteu a cadeia que o tinha prisioneiro, de 50 elos, num Rosário que recitava até 5 vezes ao dia.
Só a fé lhe permitiu enfrentar e superar os quase 40 anos de permanência nas cadeias vietnamitas, o seu declive físico marcado pela surdez, uma quase total cegueira, os sofrimentos... Mas o seu espírito depurou-se, fez-se capaz de agradecer a fé, de perdoar aos seus carcereiros.
J.B. Nguyen Huu Cau nasceu em 1945. É poeta, músico, compositor e era capitão do exército da República do Vietname do Sul antes da reunificação de 1975.
Preso no final da guerra, passou 6 anos num campo de reeducação e trabalho.
Prisão por ser poeta crítico
Depois, em 1982, foi encarcerado por causa da sua actividade como poeta e compositor que criava obras às vezes críticas com o regime comunista.
Em 1983 foi condenado à morte. Era um processo artificial criado contra ele por ter denunciado a corrupção difundida entre os graus altos do exército de Hanói e por falar de crimes cometidos por tropas comunistas contra o povo.
Foi acusado de sabotagem, de ter prejudicado "a imagem do regime". Ele declarou-se "não culpado".
No final as autoridades mudaram-lhe a pena para cadeia perpétua.
Viveu anos inteiros em isolamento, na fronteira, num campo de prisioneiros no meio da selva.
Os anos de cadeia marcaram-no profundamente, deixando-o quase incapaz de escutar, cego do olho esquerdo e com graves problemas de vista no direito.
AsiaNews / ReL
J.B. Nguyen Huu Cau, de 68 anos, acaba de sair da prisão: passou quase 39 anos nas cadeias e campos de prisioneiros de Hanói, no Vietname.
É um dos detidos políticos que passou mais tempo na cadeia neste regime comunista.
Durante os anos de prisão conheceu a fé católica e fez-se baptizar. Converteu a cadeia que o tinha prisioneiro, de 50 elos, num Rosário que recitava até 5 vezes ao dia.
Só a fé lhe permitiu enfrentar e superar os quase 40 anos de permanência nas cadeias vietnamitas, o seu declive físico marcado pela surdez, uma quase total cegueira, os sofrimentos... Mas o seu espírito depurou-se, fez-se capaz de agradecer a fé, de perdoar aos seus carcereiros.
J.B. Nguyen Huu Cau nasceu em 1945. É poeta, músico, compositor e era capitão do exército da República do Vietname do Sul antes da reunificação de 1975.
Preso no final da guerra, passou 6 anos num campo de reeducação e trabalho.
Prisão por ser poeta crítico
Depois, em 1982, foi encarcerado por causa da sua actividade como poeta e compositor que criava obras às vezes críticas com o regime comunista.
Em 1983 foi condenado à morte. Era um processo artificial criado contra ele por ter denunciado a corrupção difundida entre os graus altos do exército de Hanói e por falar de crimes cometidos por tropas comunistas contra o povo.
Foi acusado de sabotagem, de ter prejudicado "a imagem do regime". Ele declarou-se "não culpado".
No final as autoridades mudaram-lhe a pena para cadeia perpétua.
Viveu anos inteiros em isolamento, na fronteira, num campo de prisioneiros no meio da selva.
Os anos de cadeia marcaram-no profundamente, deixando-o quase incapaz de escutar, cego do olho esquerdo e com graves problemas de vista no direito.
Uma amnistia por motivos de saúde
Agora, em 22 de Março de 2014, depois de quase 39 anos de cadeia, uma amnistia do presidente Truong Tan Sang permitia-lhe sair da cadeia. Era um acto de compaixão pelas suas condições de saúde, mais que uma reabilitação política.
Nos dias passados ele quis contar a sua própria experiência na cadeia ao diário Catholic News. Falou com especial paixão do tema da fé e da sua conversão ao cristianismo.
"O rito do baptismo, realizado na cadeia, foi na Páscoa de 1986, há já 26 anos, pelas mãos do padre Joseph Nguyen, um jesuíta", explica.
O religioso ensinou-lhe os fundamentos do cristianismo, as orações e o catecismo. Cada dia recitava 7 rosários e 5 vezes o Via Crucis.
A sua cadeia foi o seu rosário
A quantos se lhe aproximavam na cadeia, ele repetia normalmente que estava atado por uma longa cadeia de 50 elos a que chamava o "meu primeiro Rosário... Talvez o mais duro do mundo".
Além disso, um companheiro de cela, o irmão Paul, ofereceu-lhe uma pequena cruz feita com nozes de coco.
Assim "compus também um canto dedicado à Santa Cruz. A Santa Cruz vem até mim, desde os abismos mais profundos do mundo [...] que me susteve nesta prisão terrena".
E acrescenta: "Sempre acreditei no amor de Deus"
Libertado das ataduras e das cadeias das prisões comunistas, o poeta e dissidente vietnamita confessa que "o amor de Deus e da Virgem mudaram-me. Não tenho rancor contra os meus "irmãos e irmãs" (do regime). Todos temos as mesmas raízes. Descendemos do rei Hung Vuong. Por isto devemos amar-nos uns aos outros. E uma vez mais creio na Trindade e na Virgem Maria. Que me ajudou a superar as insidias do destino e me impediu de acabar com tudo suicidando-me durante os anos de cadeia".
Agora, em 22 de Março de 2014, depois de quase 39 anos de cadeia, uma amnistia do presidente Truong Tan Sang permitia-lhe sair da cadeia. Era um acto de compaixão pelas suas condições de saúde, mais que uma reabilitação política.
Nos dias passados ele quis contar a sua própria experiência na cadeia ao diário Catholic News. Falou com especial paixão do tema da fé e da sua conversão ao cristianismo.
"O rito do baptismo, realizado na cadeia, foi na Páscoa de 1986, há já 26 anos, pelas mãos do padre Joseph Nguyen, um jesuíta", explica.
O religioso ensinou-lhe os fundamentos do cristianismo, as orações e o catecismo. Cada dia recitava 7 rosários e 5 vezes o Via Crucis.
A sua cadeia foi o seu rosário
A quantos se lhe aproximavam na cadeia, ele repetia normalmente que estava atado por uma longa cadeia de 50 elos a que chamava o "meu primeiro Rosário... Talvez o mais duro do mundo".
Além disso, um companheiro de cela, o irmão Paul, ofereceu-lhe uma pequena cruz feita com nozes de coco.
Assim "compus também um canto dedicado à Santa Cruz. A Santa Cruz vem até mim, desde os abismos mais profundos do mundo [...] que me susteve nesta prisão terrena".
E acrescenta: "Sempre acreditei no amor de Deus"
Libertado das ataduras e das cadeias das prisões comunistas, o poeta e dissidente vietnamita confessa que "o amor de Deus e da Virgem mudaram-me. Não tenho rancor contra os meus "irmãos e irmãs" (do regime). Todos temos as mesmas raízes. Descendemos do rei Hung Vuong. Por isto devemos amar-nos uns aos outros. E uma vez mais creio na Trindade e na Virgem Maria. Que me ajudou a superar as insidias do destino e me impediu de acabar com tudo suicidando-me durante os anos de cadeia".
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