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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Vaticano desmente conversa entre o Papa Francisco e Assad, mas confirma carta a Putin

Carta ao G20: Apelo para uma solução pacífica para a crise da Síria


Roma, 05 de Setembro de 2013


O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, desmentiu nesta manhã a notícia de que o Santo Padre teria falado com o presidente sírio, Bashar Al Assad, conforme publicado pelo jornal argentino Clarin que simplesmente citou "fontes do Vaticano”, mas confirmou o envio de uma carta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, por ocasião da reunião do G20 em São Petersburgo que começa hoje.

O Grupo dos 20 (G -20) é um fórum de 19 países mais a União Europeia, existente desde 1999, e agrupa o G -7 (Canadá, Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) mais a Rússia, G -8, e com a entrada de onze países recém- industrializados compõem o G-20.

Sobre a Síria, o papa Francisco comentou que "o encontro dos chefes de Estado e de Governo das vinte maiores economias [...] não tem a segurança internacional como principal objectivo". No entanto, continua o Santo Padre, não pode deixar de reflectir sobre a situação no Oriente Médio e, particularmente, na Síria. "Infelizmente, dói ver que muitos interesses têm prevalecido desde o início do conflito sírio, impedindo uma solução que evite o massacre desnecessário que estamos presenciando".

Novamente Francisco renovou o seu apelo, desta vez aos líderes do G20, para encontrar formas de ajudar a superar os diferentes contrastes e abandonar toda a vã pretensão de uma solução militar. Bem como " um novo compromisso para prosseguir com coragem e determinação, uma solução pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes interessadas, com o apoio unânime da comunidade internacional. Além disso, é um dever moral de todos os governos do mundo encorajar todas as iniciativas para promover a assistência humanitária às pessoas que sofrem por causa de conflito dentro e fora do país”.

Na carta o Santo Padre recorda que "o contexto actual, altamente interdependente, requer ajuste financeiro mundial, com regras próprias, justas e claras para conseguir um mundo mais justo, que acabe com a fome, ofereça trabalho digno para todos, habitação digna e cuidados médicos necessários”.

Ele também fez referência ao compromisso da presidência do G20deste ano de "consolidação da reforma das organizações financeiras internacionais e da chegada a um consenso sobre padrões financeiros adaptados às circunstâncias actuais". Ele acrescentou que a economia global pode realmente se desenvolver na medida em que seja capaz de "consentir uma vida digna a todos os irmãos, desde os mais idosos até às crianças ainda no ventre materno, não apenas aos cidadãos dos membros do G20, mas para cada pessoa na Terra, mesmo aqueles que estão em situações sociais difíceis ou em lugares mais perdidos”.

Neste ponto, fez referência aos conflitos armados, lembrando que criam "divisões profundas e deixam feridas que necessitam muitos anos para curar". Por isso, recordou o Santo Padre "os muitos conflitos armados que ainda assolam o mundo nos mostra, a cada dia, uma dramática imagem da miséria, da fome, da doença e da morte. De facto, sem paz não há qualquer tipo de desenvolvimento económico. A violência não leva à paz nunca, nem às condições necessárias para tal desenvolvimento”.



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