Páginas

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Toxicodependentes mataram o seu filho: ela superou-o acolhendo viciados e ajudando-os a converter-se

A fé de Nancy Orellana formou-se com Santo Alberto Hurtado 

Nancy Orellana, acompanhada de dois voluntários
da sua casa de acolhimento e recuperação
Actualizado 4 de Setembro de 2013

Danilo Picart / PortaLuz


O alcoólico ou o toxicodependente é o Cristo que está caído, e que se deve restaurar, se deve levantar. Se Ele não se manifestasse através das pessoas, onde o ia ver? Onde o ia buscar?”

Nancy Orellana Salazar cada dia se esmera em entregar misericórdia e dignidade aos viciados em recuperação da casa de acolhimento Jesus de Nazaré em Santiago do Chile. A eles oferece as suas energias de mãe.

Primeira Comunhão com Santo Alberto Hurtado

Mas o seu amor aos mais vulneráveis é parte da sua história. A infância de Nancy esteve cheia – segundo nos testemunha - de sinais de Deus, que determinaram a sua vocação de serviço.

O padre Alberto Hurtado casou os meus pais, baptizou-nos e me deu a primeira comunhão quando era menina… Eu andava com os moços correndo atrás dele para que me desse santitos”, recorda.

Nancy chegou muito jovem à população Las Turbinas, localizada num dos bairros mais perigosos da capital chilena, com o desejo de liberar os escravos das drogas. Ela conhecia muito bem a dor que causam os viciados naqueles que os amam.

"Eu era filha de um alcoólico"
“Eu era filha de um alcoólico também. Mas sendo muito jovem consegui, isso sim, que o meu pai deixasse a bebida e as drogas. Nesse tempo era monitora juvenil e graças aqueles que me ajudaram levei-o a um psiquiatra, onde se reabilitou. A minha mãe tomava muita pastilhas e não estava de acordo… Gritava-me não és minha filha. Mas depois ambos estavam agradecidos”.

Nancy cresceu, casou-se, foi mãe e o seu amor a Deus continuava orientando a vida em família. Logo viria uma nova e traumática prova. A sua mãe, o pilar ao qual se aferrava em momentos difíceis faleceu de improviso.

Uns toxicodependentes matam o seu filho
Mas a dor seria maior quando dezassete dias depois, assassinaram um dos seus filhos. O colapso espiritual e psicológico estava a poucos passos...

“Era 1991 e uns rapazes que se tinham drogado misturando álcool e pastilhas aproximaram-se a pedir-lhe dinheiro, e ele negou-se. Golpearam-no até aturdi-lo. Logo, indolentes puseram-no debaixo de um autocarro e... Bom, faleceu”, disse, quebrando-se-lhe a voz.

Mas continua: “Vieram buscar-me a minha casa e quando vi o corpo do meu filho, abracei-o, tomei-o e gritei forte «por mais que o demónio meta a sua cauda, jamais conseguirá que renegue o Senhor!»”.

Ajudar viciados deu-lhe força
Com a ferida aberta, esta mulher longe de encerrar-se na dor e ainda que alguns próximos – recorda - não entendiam as suas razões, fortaleceu-se ajudando a libertar os viciados!

Continuei fazendo o meu trabalho, justamente, para que outra família não vivesse o que eu vivi. Preferi não saber nada daqueles que estavam por trás disto, ainda que me dissessem que estava louca, porque deixei tudo nas mãos de Deus”.

Com a fé dos grandes e “confiando na oração à misericórdia de Deus”, Nancy continuou em frente recebendo um viciado atrás de outro numa precária construção junto à capela Jesus Nazareno no sector de Lo Espejo, na capital chilena.

“Ali eu tinha uma peça que tínhamos feito nós mesmos com os materiais que eram da parte do meu filho e que estavam no pátio; transladei-os para a capela para instalar a minha sala, o meu espaço”.

Com a ajuda de um sacerdote
Logo, o seu encontro com o padre Sergio Naser, encarregado da Pastoral Nacional do Álcool e Drogas do episcopado chileno (www.pastoraldedrogadiccion.cl), foi o alento que necessitava para continuar até hoje no seu apostolado…

“O padre traz pessoas da rua e eu os atendo durante uns quinze dias. Vou-os desintoxicando e daí vão a um tratamento. Partilho com eles e lemos juntos o evangelho. Vão à missa todos os domingos e assistem a retiros de conversão. É parte da regra e norma da casa. Procuro os meios para fazer retiros durante 1 ou 2 vezes ao ano. Chamo a minha família ou aos meus conhecidos para que me ajudem a levar a minha gente. Nunca falta nada, Deus sempre está ali”, explica com o seu doce e maternal rosto iluminado por um sorriso.

Mãe que acolhe e liberta
As actividades mais simples, disse, tem um sentido naqueles que acodem a reabilitar-se. Hoje acompanha quase 30 pessoas e reconhece que se sente “a mamã de todos os rapazes. Alguns me dizem mamãe ou tia. Às vezes vem-me ver nos seus carros e contam as suas realizações. Chegam com bebida e pães, e tomam o chá connosco”.

“As pessoas - disse, ao finalizar o seu diálogo - perguntam-me que se passará quando eu morrer; respondo-lhes que esta casa não é minha. Teresa de Calcutá morreu, mas a sua missão continua. O padre Hurtado morreu e a sua obra continua. Então, porque teria que morrer isto? Ele (Deus) porá aqui outra pessoa, verá quem virá. Por algo a casa se chama Casa de acolhimento Jesus de Nazaré, porque é de Jesus”.


in

Sem comentários:

Enviar um comentário