Patriarca católico de Antioquia com sede em Damasco
| Gregório III Laham |
Actualizado 4 de Setembro de 2013
Pietro Vernizzi / PáginasDigital.es
“Nunca mais guerra! Não mais guerra!”. Assim escreveu ontem de manhã o Papa Francisco no Twitter, enquanto monsenhor Mario Toso, responsável do departamento de Justiça e Paz do Vaticano, sublinhava: "O caminho para resolver os problemas da Síria não pode ser uma intervenção armada. A violência não diminuiria. E mais, corremos o risco de que se estenda a outros países. O conflito na Síria contém todos os ingredientes para explodir em forma de guerra de dimensões mundiais".
Um chamamento que não foi escutado mais além dos Alpes, onde o primeiro-ministro francês Jean-Mrc Ayrault anunciou que apresentará ao Parlamento os documentos confidenciais dos serviços secretos que demonstram a responsabilidade de Assad no uso de armas químicas contra civis.
Mas, para o patriarca católico de Antioquia com sede em Damasco, Gregório III Laham, "desde há dois anos e meio a Síria está atravessando uma tragédia humanitária sem fim: quase 100 mil vítimas, dois milhões de meninos sem casa, 450 mil cristãos exilados, 8 milhões de refugiados. O país está já sumido num inferno e uma intervenção ocidental pioraria a situação".
- Que pensa da opção militar para a qual tende Barack Obama?
- Estou absolutamente em desacordo, como me oponho a qualquer violência, a qualquer uso de armas e qualquer conflito. Não posso fazer nada mais que unir-me à chamada do Santo Padre, que declarou: "Não mais guerra". A Europa poderia fazer mais para resolver os problemas da Palestina, em vez de criar mais desconcerto na Síria. Nós os sírios somos já vítimas e o país já é um inferno, sem necessidade de uma intervenção que piore mais a situação.
- Que sucederá então se Obama põe em marcha os seus planos?
- Haverá ainda mais vítimas e teremos uma guerra regional que envolverá o Líbano, onde há já milhões de refugiados sírios. Para não falar do massacre dos cristãos árabes, que hoje em Amman será realizado um congresso com o rei da Jordânia, Abdallah II. Também no Iraque recentemente tiveram lugar vários atentados. Em resume, todo o Médio Oriente está em chamas e se está transformando num inferno.
- Obama declarou que o seu objectivo é intervir para por fim aos assassinatos de civis...
- Obama pode ficar na sua casa. A Síria é um estado independente, não somos vassalos da América. Se o Ocidente e os demais países estrangeiros deixarem de interferir nas nossas questões internas, a situação voltará a melhorar. Na Síria, cristãos e muçulmanos, chiítas e sunitas, viveram pacificamente durante mais de 1.400 anos.
- Mas na actualidade essa convivência pacífica parece um sonho longínquo...
- O motivo é que todos os dias o Reino Unido, França e Bélgica financiam bandos armados que correm pelo nosso país, enquanto bastaria com que as potencias estrangeiras deixassem de dividir o povo sírio. O verdadeiro problema são os financiamentos que não vão para a oposição política mas sim para bandidos e criminosos de todo o mundo e que chegam à Síria a por em marcha a guerra.
- Se a guerra não é a solução, que via de escape fica ao povo sírio?
- Que o mundo inteiro organize uma grande campanha para preparar a Conferência de Genebra II, de maneira a que se possa encontrar juntos uma solução pacífica de reconciliação e diálogo. O Santo Padre sublinhou claramente que este é o único caminho a seguir. A Conferência estava prevista para o passado Junho, mas vai-se atrasando mês após mês. O mundo joga com a Síria enquanto aqui as pessoas continuam morrendo.
- A Conferência de Genebra II não teve lugar porque Assad está ganhando a guerra, e não quis sentar-se na mesa diplomática...
- Não é verdade. O governo sírio sempre esteve disposto a dialogar e a participar na Conferência de Genebra. O motivo pelo qual as negociações não tiveram lugar é porque falta uma oposição unida e com um programa claro. Os bandos armados tiveram prioridade sobre qualquer outra forma de dissidência, e firmar um acordo de paz com a Al Qaeda seria impossível para qualquer governo.
- O Papa propôs um dia de jejum no sábado 7 de Setembro. Como valoriza esta iniciativa?
- É uma iniciativa magnífica. O meu Patriarcado está preparando uma carta aos fiéis greco-católicos de todo o mundo para pedir-lhes que participem na oração e o jejum organizado pelo Papa. Todas as Igrejas sírias estão chamadas a unir os seus esforços e a acolher os fiéis desde as 19 h até à meia-noite, para permitir-lhes rezar e cantar pela paz.
Pietro Vernizzi / PáginasDigital.es
“Nunca mais guerra! Não mais guerra!”. Assim escreveu ontem de manhã o Papa Francisco no Twitter, enquanto monsenhor Mario Toso, responsável do departamento de Justiça e Paz do Vaticano, sublinhava: "O caminho para resolver os problemas da Síria não pode ser uma intervenção armada. A violência não diminuiria. E mais, corremos o risco de que se estenda a outros países. O conflito na Síria contém todos os ingredientes para explodir em forma de guerra de dimensões mundiais".
Um chamamento que não foi escutado mais além dos Alpes, onde o primeiro-ministro francês Jean-Mrc Ayrault anunciou que apresentará ao Parlamento os documentos confidenciais dos serviços secretos que demonstram a responsabilidade de Assad no uso de armas químicas contra civis.
Mas, para o patriarca católico de Antioquia com sede em Damasco, Gregório III Laham, "desde há dois anos e meio a Síria está atravessando uma tragédia humanitária sem fim: quase 100 mil vítimas, dois milhões de meninos sem casa, 450 mil cristãos exilados, 8 milhões de refugiados. O país está já sumido num inferno e uma intervenção ocidental pioraria a situação".
- Que pensa da opção militar para a qual tende Barack Obama?
- Estou absolutamente em desacordo, como me oponho a qualquer violência, a qualquer uso de armas e qualquer conflito. Não posso fazer nada mais que unir-me à chamada do Santo Padre, que declarou: "Não mais guerra". A Europa poderia fazer mais para resolver os problemas da Palestina, em vez de criar mais desconcerto na Síria. Nós os sírios somos já vítimas e o país já é um inferno, sem necessidade de uma intervenção que piore mais a situação.
- Que sucederá então se Obama põe em marcha os seus planos?
- Haverá ainda mais vítimas e teremos uma guerra regional que envolverá o Líbano, onde há já milhões de refugiados sírios. Para não falar do massacre dos cristãos árabes, que hoje em Amman será realizado um congresso com o rei da Jordânia, Abdallah II. Também no Iraque recentemente tiveram lugar vários atentados. Em resume, todo o Médio Oriente está em chamas e se está transformando num inferno.
- Obama declarou que o seu objectivo é intervir para por fim aos assassinatos de civis...
- Obama pode ficar na sua casa. A Síria é um estado independente, não somos vassalos da América. Se o Ocidente e os demais países estrangeiros deixarem de interferir nas nossas questões internas, a situação voltará a melhorar. Na Síria, cristãos e muçulmanos, chiítas e sunitas, viveram pacificamente durante mais de 1.400 anos.
- Mas na actualidade essa convivência pacífica parece um sonho longínquo...
- O motivo é que todos os dias o Reino Unido, França e Bélgica financiam bandos armados que correm pelo nosso país, enquanto bastaria com que as potencias estrangeiras deixassem de dividir o povo sírio. O verdadeiro problema são os financiamentos que não vão para a oposição política mas sim para bandidos e criminosos de todo o mundo e que chegam à Síria a por em marcha a guerra.
- Se a guerra não é a solução, que via de escape fica ao povo sírio?
- Que o mundo inteiro organize uma grande campanha para preparar a Conferência de Genebra II, de maneira a que se possa encontrar juntos uma solução pacífica de reconciliação e diálogo. O Santo Padre sublinhou claramente que este é o único caminho a seguir. A Conferência estava prevista para o passado Junho, mas vai-se atrasando mês após mês. O mundo joga com a Síria enquanto aqui as pessoas continuam morrendo.
- A Conferência de Genebra II não teve lugar porque Assad está ganhando a guerra, e não quis sentar-se na mesa diplomática...
- Não é verdade. O governo sírio sempre esteve disposto a dialogar e a participar na Conferência de Genebra. O motivo pelo qual as negociações não tiveram lugar é porque falta uma oposição unida e com um programa claro. Os bandos armados tiveram prioridade sobre qualquer outra forma de dissidência, e firmar um acordo de paz com a Al Qaeda seria impossível para qualquer governo.
- O Papa propôs um dia de jejum no sábado 7 de Setembro. Como valoriza esta iniciativa?
- É uma iniciativa magnífica. O meu Patriarcado está preparando uma carta aos fiéis greco-católicos de todo o mundo para pedir-lhes que participem na oração e o jejum organizado pelo Papa. Todas as Igrejas sírias estão chamadas a unir os seus esforços e a acolher os fiéis desde as 19 h até à meia-noite, para permitir-lhes rezar e cantar pela paz.
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