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segunda-feira, 11 de março de 2013

Os dez mandamentos do casal cristão

Conselhos para durar e ser felizes

Centrados em Deus e centrados um no outro, isso está claro, mas como consegui-lo? Alguns textos vêm em nosso auxílio.

Actualizado 9 de Março de 2013

C.L. / ReL


Vivien Hoch, professor e filósofo, redactor chefe de Itinerarium, recolheu, a modo de Tabelas da Lei, dez mandamentos (alguns bíblicos, mas não todos) que sugere tenham presentes os casais cristãos para não perder nunca de vista os fins e os frutos do sacramento que receberam. A cada um deles acrescenta um comentário, que sintetizamos aqui.

O princípio básico é o seguinte: "Para maior glória de Deus, Cristo, Verbo do Pai, escolheu desde sempre pelo Espírito Santo os homens para conduzi-los pelo mundo e, mediante a sua graça, para que fundassem uma família unida pelo Amor na perfeição sobrenatural, à imagem da Santíssima Trindade, e na perfeição natural, à imagem da Sagrada Família".

Qual é o caminho para alcançar esse fim?

I - Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente (Mt 22, 37).
Esta é a razão última pela qual está o homem sobre a face da terra. Portanto, Deus, o seu Amor e a Redenção que nos concedeu graciosamente mediante a morte do seu Filho único deve ser o objecto, princípio e fim de todas as nossas actividades, dado que disso dependem a nossa felicidade ou nossa infelicidade, a nossa vida ou a nossa morte.

II - Por cima de tudo está o amor (Col 3, 14-15).
Por o Amor por cima de tudo consiste em adaptar o primeiro mandamento à nossa vida de casal. A vida de casal é uma longa e difícil morte de um mesmo, dando-se todo ao outro. Quanto mais se sacrifica um pelo outro, mais morre a si mesmo e mais vive Deus nele. Na vida de casal há que por o Amor por cima de todas as coisas, e sobretudo por cima de um mesmo.

III - Esse Amor não pode desaparecer, porque vem de Deus (cfr. I Jn 4, 7).
Mediante o seu Filho Unigénito, Deus salvou-nos de nós mesmos para abrir-nos ao Amor, que é Ele mesmo. Justo porque escolheu para nós o destino do Amor, este destino é eterno, e portanto indestrutível. Se o Amor parece faltar, ou perder-se, ou mudar, somos nós que o percebemos assim, mas não é Ele na realidade. Ele é incorruptível, enquanto nós somos corruptíveis e mudamos. Qualquer coisa que empreendamos, há que fazê-lo com a convicção inquebrantável de que o Amor existirá sempre no casal. Portanto não se deve formular nem como hipóteses que tudo possa terminar algum dia. Todo o pensamento desse tipo vem do demónio, que tenta sempre dividir e confundir os corações.

IV - Em e por esse Amor, formaremos uma só carne (Gn 2, 24).
Como o Amor é o princípio da coesão do casal, duas partes que fora do Amor são distintas, Nele formam um único princípio, um único ser, com tudo o que isso implica: essencialmente, uma única vontade, e por conseguinte a supressão de toda a vontade própria. O que um quer por sua própria conta, sem o avale do outro ou sem dar-se a conhecer, não vale nada.

V - O princípio de vida do nosso matrimónio será o da vida trinitária de Deus.
Há que viver um do outro, e o outro do um, sendo cada um a imagem mais brilhante possível do que há de mais brilhante no outro: uma procissão única, ininterrompida e eterna de Amor. Um só ser em três pessoas: o marido, a mulher e a sua vida divina.

VI - Seremos como deuses o um para o outro (cfr. Jn 10, 34).

Não consiste em idolatrar o outro, mas sim em respeitá-lo enquanto temos escolhido chegar a Cristo através dele. Considerar o outro como um deus é considerar-se a si mesmo como inferior, mais débil, escravo. Em cada incompreensão, considerar-se causa da incompreensão, considerar que os erros vêm de um mesmo e ver o outro como puro e imaculado. Nesse sentido, cada aparição do outro será um momento sagrado, e por isso é a família a relação entre ambos seres será também sagrada.

VII - Nenhuma palavra, pensamento ou acção ficará oculta (cfr. Mt 6, 6).
Viver numa única vontade significa já não viver nunca só. É impossível ocultar-se algo a si mesmo. Tampouco no casal. Desde o momento no qual pensamos não abrir o nosso coração ao outro sobre algo, vem o demónio e é um anúncio de grandes males. Os sentimentos e as paixões sugerem constantemente milhares de coisas que um teme confiar à outra parte. Mas não há que confundir o Amor com a vida sentimental e passional, e o melhor modo de não perder-se nestas últimas é sacrificá-las por completo, com sofrimento mas sem vergonha, oferecendo-as por Amor ao outro. A Deus não se lhe pode ocultar nada, e se fazemos do outro o nosso caminho para chegar a Deus, seria contraditório ocultar-lhe algo.

VIII - A desgraça de um será dos dois, a alegria de um será dos dois (Suma Teológica I-II, 28, 2).
Dois seres, cada um com a sua personalidade, mas vivendo numa só carne e uma só vontade, vivem o dobro das coisas e com intensidade dupla. Viver o dobro das alegrias é viver o dobro de Deus, partilhar um facto ou uma paixão o faz mais intenso. Mortos a si mesmos, os dois seres de um casal vivem a mesma vida divina debaixo da mesma modalidade, não podem portanto viver uma mesma coisa de forma diferente.

IX - O afastamento só pode ser temporal e material (cfr. Ps 138).
Uma mesma carne, uma mesma vida divina e uma mesma vontade nos dois seres não pode separar-se, ainda que ambos os seres possam estar afastados temporal e materialmente. Vivem uma mesma vida divina, mas essa vida divina é frágil e o demónio deste mundo é forte. Não convém afastar-se demasiado tempo nem com demasiada frequência, e é bom que, estando separados, só pensem um no outro.

X - Só Deus julga os nossos esforços comuns e unidos até Ele (cfr. Ps 138).
São Paulo nos disse que os sofrimentos do tempo presente não são nada comparados com a glória prometida. Mas às vezes, durante esse longo e difícil caminho, Deus, na sua infinita bondade, se permite visitar-nos, e uma só dessas visitas converte toda a infelicidade num capricho infantil. Assim que no caminho que aqueles que se amam escolheram, tanto para a sua missão familiar como para o seu apostolado no mundo, terão que ser santos, mas não aos olhos do mundo, mas sim aos olhos de Deus.


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