Encabeçados por Ludovine de la Rochére
| Ludovine de la Rochère, cabeça visível de Manif pour Tous. |
Actualizado 9 de Março de 2014
C.L. / ReL
Êxito total do acto celebrado este sábado na Mutualité de Paris. Encheu-se com mais de mil pessoas, mas não se tratava de fazer número, mas sim de articular por fim, com objectivos, estratégias e nomes próprios atrás, o que foi o grande movimento de resistência civil na França durante os últimos meses contra o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por pares homossexuais.
Manif pour Tous atingiu a imagem pública do presidente François Hollande e da sua ministra da Justiça Christiane Taubira (responsável da lei mais contestada nas ruas gaulesas no último meio século) com duas características: a persistência e a transversalidade. E depois de centenas de manifestações massificantes e, nas últimas semanas, de reuniões preparatórias nas quais participaram mais de cinco mil activistas por todo o país entre Outubro e Dezembro de 2013, a voz da rua transformou-se numa iniciativa, Grenelle de la Famille, com o fim de preparar uma lei alternativa à anunciada pelo governo e em defesa, sobretudo, da filiação das crianças, a principal ameaçada.
C.L. / ReL
Êxito total do acto celebrado este sábado na Mutualité de Paris. Encheu-se com mais de mil pessoas, mas não se tratava de fazer número, mas sim de articular por fim, com objectivos, estratégias e nomes próprios atrás, o que foi o grande movimento de resistência civil na França durante os últimos meses contra o matrimónio entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por pares homossexuais.
Manif pour Tous atingiu a imagem pública do presidente François Hollande e da sua ministra da Justiça Christiane Taubira (responsável da lei mais contestada nas ruas gaulesas no último meio século) com duas características: a persistência e a transversalidade. E depois de centenas de manifestações massificantes e, nas últimas semanas, de reuniões preparatórias nas quais participaram mais de cinco mil activistas por todo o país entre Outubro e Dezembro de 2013, a voz da rua transformou-se numa iniciativa, Grenelle de la Famille, com o fim de preparar uma lei alternativa à anunciada pelo governo e em defesa, sobretudo, da filiação das crianças, a principal ameaçada.
Educado por um pai e uma mãe
Entre os seus "princípios não negociáveis", sobre os quais interrogaram políticos eleitos para definir a orientação do voto, está a definição do matrimónio como um compromisso "entre um homem e uma mulher durável no tempo para amar-se, fundar uma família e educar os seus filhos".
Entre os seus "princípios não negociáveis", sobre os quais interrogaram políticos eleitos para definir a orientação do voto, está a definição do matrimónio como um compromisso "entre um homem e uma mulher durável no tempo para amar-se, fundar uma família e educar os seus filhos".
São dez princípios de um Manifesto pela família e pela criança, entre os quais destacam que, "no seu interesse superior, a criança tem direito a ser educada pelo seu pai e a sua mãe ou, se se vê privado da sua família de origem, por um pai e uma mãe adoptivos", e que "o Estado não pode em nenhum caso privar deliberadamente umas crianças desse direito". Diversas associações homossexuais apoiaram no seu momento a Manif pour Tous na oposição à adopção por pares do mesmo sexo, o ponto que deu ao movimento a sua força mais além de convicções religiosas ou ideologias políticas.
De facto, no acto da Mutualité havia associações católicas e protestantes e personalidades tão diversas como Charles Beigbeder, empresário candidato à câmara de Paris, ou o filósofo Fabrice Hadjadj (autor de A fé dos demónios ou Tenha você êxito na sua morte), além de dirigentes das mobilizações como Tugdual Derville, Albéric Dumont e, sobretudo, Ludovine de la Rochére, a mulher de 43 anos, professora de História, chefe de comunicação da Fundação Jerôme Lejeune e presidente de Manif pour Tous, além de estrela emergente da vida pública francesa.
"Temos vindo para ficarmos"
Ludovine sintetizou muito bem o espírito do movimento nas suas primeiras palavras: "Somos um actor da vida pública de uma espécie nova", que colheu com o seu pé mudado os partidos tradicionais. E que podem presumir, além disso, que o sistema que conduziu ao Grenelle pour la Famille, a base das consultas e propostas cidadãs, contrasta com a intolerância do governo, "que nem consulta nem escuta".
"Nem a esquerda socialista, nem a direita tradicional, defendem a família como nós cremos que há que defendê-la, como um dos fundamentos da nossa sociedade", afirmou De la Rochère: "Um pai, uma mãe, uns filhos, um projecto comum, uns valores familiares comuns. Numa sociedade complexa como a nossa esse projecto central na vida das nossas sociedades, desde há séculos, está ameaçado por muitas razões. Nós cremos que é importante defender esses valores".
"Temos vindo para ficarmos!", proclamou Ludovine perante o entusiasmo dos presentes, que sabem que a sua presença no debate civil incomoda a esquerda no Eliseu, mas também os partidos da direita que querem fugir de questões como o matrimónio gay, o direito dos pais à educação dos seus filhos ou o aborto.
"Está-se tentando destruir a família. Como cristãos, não podemos calar-nos", explicavam à La Croix dois assistentes ao acto.
38 propostas concretas
Para começar a trabalhar, o Grenelle de la Famille publicou o citado Manifesto pela Família e pela Criança descarregável em PDF: 48 páginas que incluem 38 propostas concretas sobre as que vão obrigar a pronunciar-se nos próximos meses todos os seus dirigentes políticos. Para muitos deles, e não só nem principalmente socialistas, o pesadelo do compromisso acaba de começar.
De facto, no acto da Mutualité havia associações católicas e protestantes e personalidades tão diversas como Charles Beigbeder, empresário candidato à câmara de Paris, ou o filósofo Fabrice Hadjadj (autor de A fé dos demónios ou Tenha você êxito na sua morte), além de dirigentes das mobilizações como Tugdual Derville, Albéric Dumont e, sobretudo, Ludovine de la Rochére, a mulher de 43 anos, professora de História, chefe de comunicação da Fundação Jerôme Lejeune e presidente de Manif pour Tous, além de estrela emergente da vida pública francesa.
"Temos vindo para ficarmos"
Ludovine sintetizou muito bem o espírito do movimento nas suas primeiras palavras: "Somos um actor da vida pública de uma espécie nova", que colheu com o seu pé mudado os partidos tradicionais. E que podem presumir, além disso, que o sistema que conduziu ao Grenelle pour la Famille, a base das consultas e propostas cidadãs, contrasta com a intolerância do governo, "que nem consulta nem escuta".
"Nem a esquerda socialista, nem a direita tradicional, defendem a família como nós cremos que há que defendê-la, como um dos fundamentos da nossa sociedade", afirmou De la Rochère: "Um pai, uma mãe, uns filhos, um projecto comum, uns valores familiares comuns. Numa sociedade complexa como a nossa esse projecto central na vida das nossas sociedades, desde há séculos, está ameaçado por muitas razões. Nós cremos que é importante defender esses valores".
"Temos vindo para ficarmos!", proclamou Ludovine perante o entusiasmo dos presentes, que sabem que a sua presença no debate civil incomoda a esquerda no Eliseu, mas também os partidos da direita que querem fugir de questões como o matrimónio gay, o direito dos pais à educação dos seus filhos ou o aborto.
"Está-se tentando destruir a família. Como cristãos, não podemos calar-nos", explicavam à La Croix dois assistentes ao acto.
38 propostas concretas
Para começar a trabalhar, o Grenelle de la Famille publicou o citado Manifesto pela Família e pela Criança descarregável em PDF: 48 páginas que incluem 38 propostas concretas sobre as que vão obrigar a pronunciar-se nos próximos meses todos os seus dirigentes políticos. Para muitos deles, e não só nem principalmente socialistas, o pesadelo do compromisso acaba de começar.
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