Junto ao chamado a orar e jejuar, diplomacia e política
| Reunião no passado dia 29 de Agosto com o Rei Abdulá da Jordânia e a rainha Rania, tratando o tema da Síria |
Actualizado 5 de Setembro de 2013
ReL
O Papa Francisco está decidido a empregar as armas diplomáticas, comunicativas e pastorais da Igreja para que os países do mundo "abandonem qualquer pretensão de uma solução militar" na Síria.
Além de convocar a uma vigília de oração e jejum para este sábado, pôs em marcha uma série de mensagens no debate social e internacional.
Mensagens a 9 milhões de seguidores
Por um lado, mostrou-se contundente estes dias na sua conta do Twitter, de influência nada desprezível, dado que a seguem 9 milhões de pessoas em 9 idiomas. Em 3 de Setembro publicou duas mensagens:
- Condeno com especial firmeza o uso das armas químicas.
- Que o grito da paz se levante com força em todas as partes da terra #prayforpeace
E em 4 de Setembro:
- Com todas as minhas forças, peço às partes em conflito que não se fechem nos seus próprios interesses. #prayforpeace
Mas o Papa Francisco não é só um ciberactivista e o pastor espiritual de 1.200 milhões de católicos, mas sim o Chefe de um Estado que é uma grande potência diplomática mundial.
Reunião com os embaixadores
Esta quinta-feira o secretário vaticano de Relações com os Estados, Dominique Mamberti, reuniu os embaixadores de 71 países acreditados perante a Santa Sé com um encargo: que transmitem aos seus respectivos Governos a necessidade do cessar imediato da violência.
A diplomacia vaticana não nega que o regime de Bachar El Asad usasse armas químicas em 21 de Agosto: Mamberti explica que a Santa Sé espera que os responsáveis desse uso prestem contas perante a justiça, e pede aos países que não se calem contra estes crimes.
Mas adverte - em consonância com o que disseram os patriarcas católicos, ortodoxos e siríacos dos distintos países do Médio Oriente - que a crise da Síria “corre o perigo de ter consequências imprevisíveis em outras partes do mundo” e alerta para proliferação de “grupos extremistas”. Pede tanto à população síria como aos grupos de oposição que tomem distância destes grupos e não validem o terrorismo.
Os bispos dos EUA, militantes
Nos Estados Unidos, onde o "prémio Nobel da Paz" Barack Obama tenta convencer a população da necessidade de uma intervenção militar estadunidense na Síria, os bispos estadunidenses dirigiram uma mensagem muito firme e clara aos católicos para pedir-lhes que pressionem os seus representantes no Congresso para que, quer sejam republicanos ou democratas, votem contra a intervenção militar.
Além disso, o comité de Justiça e Paz dos bispos estadunidenses escreveu ao secretário de estado John Kerry com um pedido claro: "o povo sírio necessita uma solução política que termine a luta e acredita num futuro para todos os sírios, que respeite os direitos humanos e a liberdade religiosa. Pedimos aos EUA que trabalhem com outros governos para obter um cessar-fogo, iniciar negociações sérias, levar assistência humanitária neutral e imparcial e animar a construir uma sociedade inclusiva na Síria que proteja os direitos de todos os seus cidadãos, incluindo os cristãos e outras minorias".
Carta do Papa a Putin e ao G-20
O Papa quis fazer-se também presente na Rússia, que acolhe a reunião de países do G-20, e o fez escrevendo ao presidente anfitrião, Vladimir Putin, que também se opõe à intervenção norte-americana (como o faz com contundência a Igreja Ortodoxa Russa) e falou várias vezes da situação dos cristãos nos países do Oriente cada vez que um destes se desestabiliza, algo que Obama não costuma fazer.
“Aos líderes dos Estados membros do G20”, escreve o Papa, “peço-lhes que não fiquem indiferentes perante o drama que vive desde há tempo a querida população síria (…). Desgraçadamente, dói constatar que demasiados interesses prevaleceram desde que começou o conflito na Síria, impedindo encontrar uma solução que evitasse o inútil massacre a que estamos assistindo”.
Francisco urge ao G20 a “encontrar as vias para superar os diferentes enfrentamentos e que se abandone qualquer pretensão de uma solução militar”, e pede "um novo compromisso a perseguir, com valentia e determinação, uma solução pacífica através do diálogo e a negociação entre as partes interessadas com o apoio unânime da comunidade internacional".
Ajuda mundial humanitária
"Por outra parte", acrescenta, "é um dever moral de todos os governos do mundo alentar toda a iniciativa para promover a assistência humanitária às pessoas que sofrem por causa do conflito dentro e fora do país".
O Papa usa uma linguagem forte: “Há demasiados interesses particulares no conflito da Síria”, que impediram “encontrar uma solução que evite o inútil massacre a que estamos assistindo”, afirma.
Vida digna desde o seio materno
Nesta mensagem ao G20 não só falou da situação na Síria, mas sim que o Papa fez também um chamamento em defesa dos pobres, os anciãos e inclusive uma alusão ao aborto pedindo aos países ricos que se esforcem em procurar "uma vida digna a todos os seres humanos, desde os mais anciãos às crianças ainda no ventre materno, não só aos cidadãos dos membros do G20, mas sim a cada habitante da Terra, até aqueles que se encontram nas situações sociais mais difíceis ou nos lugares mais perdidos".
O Papa não chamou Al Assad
O porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, desmentiu na manhã de quinta-feira que o Santo Padre tenha comunicado telefonicamente com o presidente sírio, Bachar Al Assad, como publicou o diário argentino Clarín, que se limitou a citar ´fontes vaticanas´.
ReL
O Papa Francisco está decidido a empregar as armas diplomáticas, comunicativas e pastorais da Igreja para que os países do mundo "abandonem qualquer pretensão de uma solução militar" na Síria.
Além de convocar a uma vigília de oração e jejum para este sábado, pôs em marcha uma série de mensagens no debate social e internacional.
Mensagens a 9 milhões de seguidores
Por um lado, mostrou-se contundente estes dias na sua conta do Twitter, de influência nada desprezível, dado que a seguem 9 milhões de pessoas em 9 idiomas. Em 3 de Setembro publicou duas mensagens:
- Condeno com especial firmeza o uso das armas químicas.
- Que o grito da paz se levante com força em todas as partes da terra #prayforpeace
E em 4 de Setembro:
- Com todas as minhas forças, peço às partes em conflito que não se fechem nos seus próprios interesses. #prayforpeace
Mas o Papa Francisco não é só um ciberactivista e o pastor espiritual de 1.200 milhões de católicos, mas sim o Chefe de um Estado que é uma grande potência diplomática mundial.
Reunião com os embaixadores
Esta quinta-feira o secretário vaticano de Relações com os Estados, Dominique Mamberti, reuniu os embaixadores de 71 países acreditados perante a Santa Sé com um encargo: que transmitem aos seus respectivos Governos a necessidade do cessar imediato da violência.
A diplomacia vaticana não nega que o regime de Bachar El Asad usasse armas químicas em 21 de Agosto: Mamberti explica que a Santa Sé espera que os responsáveis desse uso prestem contas perante a justiça, e pede aos países que não se calem contra estes crimes.
Mas adverte - em consonância com o que disseram os patriarcas católicos, ortodoxos e siríacos dos distintos países do Médio Oriente - que a crise da Síria “corre o perigo de ter consequências imprevisíveis em outras partes do mundo” e alerta para proliferação de “grupos extremistas”. Pede tanto à população síria como aos grupos de oposição que tomem distância destes grupos e não validem o terrorismo.
Os bispos dos EUA, militantes
Nos Estados Unidos, onde o "prémio Nobel da Paz" Barack Obama tenta convencer a população da necessidade de uma intervenção militar estadunidense na Síria, os bispos estadunidenses dirigiram uma mensagem muito firme e clara aos católicos para pedir-lhes que pressionem os seus representantes no Congresso para que, quer sejam republicanos ou democratas, votem contra a intervenção militar.
Além disso, o comité de Justiça e Paz dos bispos estadunidenses escreveu ao secretário de estado John Kerry com um pedido claro: "o povo sírio necessita uma solução política que termine a luta e acredita num futuro para todos os sírios, que respeite os direitos humanos e a liberdade religiosa. Pedimos aos EUA que trabalhem com outros governos para obter um cessar-fogo, iniciar negociações sérias, levar assistência humanitária neutral e imparcial e animar a construir uma sociedade inclusiva na Síria que proteja os direitos de todos os seus cidadãos, incluindo os cristãos e outras minorias".
Carta do Papa a Putin e ao G-20
O Papa quis fazer-se também presente na Rússia, que acolhe a reunião de países do G-20, e o fez escrevendo ao presidente anfitrião, Vladimir Putin, que também se opõe à intervenção norte-americana (como o faz com contundência a Igreja Ortodoxa Russa) e falou várias vezes da situação dos cristãos nos países do Oriente cada vez que um destes se desestabiliza, algo que Obama não costuma fazer.
“Aos líderes dos Estados membros do G20”, escreve o Papa, “peço-lhes que não fiquem indiferentes perante o drama que vive desde há tempo a querida população síria (…). Desgraçadamente, dói constatar que demasiados interesses prevaleceram desde que começou o conflito na Síria, impedindo encontrar uma solução que evitasse o inútil massacre a que estamos assistindo”.
Francisco urge ao G20 a “encontrar as vias para superar os diferentes enfrentamentos e que se abandone qualquer pretensão de uma solução militar”, e pede "um novo compromisso a perseguir, com valentia e determinação, uma solução pacífica através do diálogo e a negociação entre as partes interessadas com o apoio unânime da comunidade internacional".
Ajuda mundial humanitária
"Por outra parte", acrescenta, "é um dever moral de todos os governos do mundo alentar toda a iniciativa para promover a assistência humanitária às pessoas que sofrem por causa do conflito dentro e fora do país".
O Papa usa uma linguagem forte: “Há demasiados interesses particulares no conflito da Síria”, que impediram “encontrar uma solução que evite o inútil massacre a que estamos assistindo”, afirma.
Vida digna desde o seio materno
Nesta mensagem ao G20 não só falou da situação na Síria, mas sim que o Papa fez também um chamamento em defesa dos pobres, os anciãos e inclusive uma alusão ao aborto pedindo aos países ricos que se esforcem em procurar "uma vida digna a todos os seres humanos, desde os mais anciãos às crianças ainda no ventre materno, não só aos cidadãos dos membros do G20, mas sim a cada habitante da Terra, até aqueles que se encontram nas situações sociais mais difíceis ou nos lugares mais perdidos".
O Papa não chamou Al Assad
O porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, desmentiu na manhã de quinta-feira que o Santo Padre tenha comunicado telefonicamente com o presidente sírio, Bachar Al Assad, como publicou o diário argentino Clarín, que se limitou a citar ´fontes vaticanas´.
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