Uma actividade do Movimento de Retiros de Conversão
Actualizado 2 de Setembro de 2013
Danilo Picart / PortaLuz
É segunda-feira pela tarde e José Namuncurá, 57 anos, alegra-se de que a base do cimento que preparou se tenha fortalecido em tão poucos dias. É construtor e junto com um ajudante novato estão trabalhando para habilitar o terraço de uma casa, que logo se converterá num consultório médico.
Avança veloz, mas com precisão, brilhando a sua experiência e não deixando espaço para a fadiga. Sem dúvida, para obrar com dedicação naquela faena, teve que aprender a cimentar o seu coração e a reconhecer-se como filho de Deus.
Naufragou por mais de vinte anos nos mares do alcoolismo, desatando consequências fatais para ele e a sua família.
O seu avô dava-lhe aguardente
“Antes era aficionado aos amigos e ao copo”, lança José ao ringue do diálogo, e os seus olhos castanhos-claros emocionam-se com facilidade.
“Eu nasci no campo, então o meu avô, segundo ele para que me fizesse mais homem, aos 7 anos deu-me a provar aguardente e desde esse momento comecei a gostar”.
Teve que deixar inconclusos os seus estudos na sua natal Valdivia, para tomar as ferramentas do arado e colaborar com a economia da casa.
“Não sabia ler nem escrever quando comecei a trabalhar aos 11 anos para ajudar aos meus sete irmãos. Então o meu pai não dava ganho para pagar-lhes a todos e eu, como era o homem mais velho, tive que assumir as coisas para que os meus irmãos pudessem estudar”.
Álcool na juventude e família
Transitou a sua juventude bebendo e gozando nas orgias com os amigos. Nem o início da sua vida matrimonial pode aplacar o seu vício. “Houve uma vez em que levantei a mão há minha esposa, mas procurei nunca mais voltar a fazê-lo. Vivemos o processo mais amargo, quando perdi o crescimento dos meus 3 filhos mais velhos”.
Mas no só isso perdeu pelo álcool Namuncurá. Só com os filhos, angustiada pelas limitações da pobreza e arrastando o pesar de um marido alcoólico, a sua esposa padeceu um aborto espontâneo… “Nunca estive quando ela necessitou. Um dia eu estava como sempre, com os amigos, bebendo, uma tarde de sábado, e ela, com três meses de gravidez, estando só tomava coisas pesadas, fazia forças e perdeu o nosso filho. A minha senhora enfrentou-o mal, estava superada e queria suicidar-se, mas não o fez porque pensou nos seus três meninos por quem devia lutar”.
Uma filha, e um retiro muito especial
Resignado pela vida, o abominável calvário do alcoolismo o tinha imergido numa rotina de vida que o extraviou da realidade. Sem dúvida, esta rotina já tinha os seus dias contados. “Entre os tragos mais fortes que provava estava o pisco. De facto cheguei a ter uma úlcera vomitando sangue. Logo a minha filha mais velha fez-me entender que era vergonhoso que eu tomasse [bebesse], porque ela tinha iniciado um namoro e não queria apresentar-me nessas condições ao seu namorado”.
Em 1994, José e a sua esposa são convidados por um dos seus amigos a viver uma experiência com Cristo, chamada Retiros de Conversão.
(O Movimento Retiros de Conversão nasceu em 1981 no Chile, a partir da experiência na ajuda a alcoólicos do padre José Valdés Covarrubias e uns laicos, incluindo vários taxistas militantes dos Cursilhos de Cristandade).
O seu analfabetismo impediu de ler os textos bíblicos, mas ficou ferido com os testemunhos de outras pessoas.
Testemunhos na praia
“Recordo que foi numa praia chamada Algarrobo, quando as pessoas partilharam parte da sua vida, reflecti e motivou-me a deixar o alcoolismo. O testemunho que mais me marcou era um homem que tinha quase os mesmos sintomas que eu, porque não podíamos viver se não tomássemos um trago. Senti-me reflectido neles, explicaram-me e por graça de Deus pude ver, sim, compreendi o que estava perdendo-me e isso foi o que me levou a mudar, a entender de que se é mais feliz sem álcool no seu sangue”.
“Cometi erros e graças ao perdão através da confissão, senti a presença de Deus. A minha vida antes era um caos”, disse chateado José, que junto à sua esposa Josefina, iniciou um caminho na Igreja que sanou as feridas do coração.
Hoje é catequista e ajuda os outros
“Tudo foi um milagre porque eu já ia direitinho para o caixão (morte). Dei as graças a Deus e agora trabalho para Ele. Fui catequista com a minha senhora na paróquia O Senhor de Renca, em Santiago de Chile e na actualidade sou ministro da comunhão. Isso faço-o por agradecimento, porque Ele pôde mudar a minha vida”.
Acompanha aqueles que recorrem ao movimento e entrega o seu testemunho dentro dos exercícios espirituais, para que outras pessoas possam “perseverar” tal como o fez ele.
Cristo, médico... E alfabetizador
Precisa que o seu melhor médico foi Cristo e somente quando pediu perdão ante Deus, pode levantar a vista, reconheceu-se filho e como um menino, aprendeu a ler e a escrever, graças aos seus irmãos de comunidade.
“As primeiras palavras que aprendi a ler foram os Evangelhos na Bíblia.
Para mim, a Bíblia é como uma biblioteca que me ensinou a viver de novo”.
| José Namuncurá deixou o álcool em Retiros de Conversão, aprendeu a ler na Bíblia e ajuda hoje outros alcoólicos |
Danilo Picart / PortaLuz
É segunda-feira pela tarde e José Namuncurá, 57 anos, alegra-se de que a base do cimento que preparou se tenha fortalecido em tão poucos dias. É construtor e junto com um ajudante novato estão trabalhando para habilitar o terraço de uma casa, que logo se converterá num consultório médico.
Avança veloz, mas com precisão, brilhando a sua experiência e não deixando espaço para a fadiga. Sem dúvida, para obrar com dedicação naquela faena, teve que aprender a cimentar o seu coração e a reconhecer-se como filho de Deus.
Naufragou por mais de vinte anos nos mares do alcoolismo, desatando consequências fatais para ele e a sua família.
O seu avô dava-lhe aguardente
“Antes era aficionado aos amigos e ao copo”, lança José ao ringue do diálogo, e os seus olhos castanhos-claros emocionam-se com facilidade.
“Eu nasci no campo, então o meu avô, segundo ele para que me fizesse mais homem, aos 7 anos deu-me a provar aguardente e desde esse momento comecei a gostar”.
Teve que deixar inconclusos os seus estudos na sua natal Valdivia, para tomar as ferramentas do arado e colaborar com a economia da casa.
“Não sabia ler nem escrever quando comecei a trabalhar aos 11 anos para ajudar aos meus sete irmãos. Então o meu pai não dava ganho para pagar-lhes a todos e eu, como era o homem mais velho, tive que assumir as coisas para que os meus irmãos pudessem estudar”.
Álcool na juventude e família
Transitou a sua juventude bebendo e gozando nas orgias com os amigos. Nem o início da sua vida matrimonial pode aplacar o seu vício. “Houve uma vez em que levantei a mão há minha esposa, mas procurei nunca mais voltar a fazê-lo. Vivemos o processo mais amargo, quando perdi o crescimento dos meus 3 filhos mais velhos”.
Mas no só isso perdeu pelo álcool Namuncurá. Só com os filhos, angustiada pelas limitações da pobreza e arrastando o pesar de um marido alcoólico, a sua esposa padeceu um aborto espontâneo… “Nunca estive quando ela necessitou. Um dia eu estava como sempre, com os amigos, bebendo, uma tarde de sábado, e ela, com três meses de gravidez, estando só tomava coisas pesadas, fazia forças e perdeu o nosso filho. A minha senhora enfrentou-o mal, estava superada e queria suicidar-se, mas não o fez porque pensou nos seus três meninos por quem devia lutar”.
Uma filha, e um retiro muito especial
Resignado pela vida, o abominável calvário do alcoolismo o tinha imergido numa rotina de vida que o extraviou da realidade. Sem dúvida, esta rotina já tinha os seus dias contados. “Entre os tragos mais fortes que provava estava o pisco. De facto cheguei a ter uma úlcera vomitando sangue. Logo a minha filha mais velha fez-me entender que era vergonhoso que eu tomasse [bebesse], porque ela tinha iniciado um namoro e não queria apresentar-me nessas condições ao seu namorado”.
Em 1994, José e a sua esposa são convidados por um dos seus amigos a viver uma experiência com Cristo, chamada Retiros de Conversão.
(O Movimento Retiros de Conversão nasceu em 1981 no Chile, a partir da experiência na ajuda a alcoólicos do padre José Valdés Covarrubias e uns laicos, incluindo vários taxistas militantes dos Cursilhos de Cristandade).
O seu analfabetismo impediu de ler os textos bíblicos, mas ficou ferido com os testemunhos de outras pessoas.
Testemunhos na praia
“Recordo que foi numa praia chamada Algarrobo, quando as pessoas partilharam parte da sua vida, reflecti e motivou-me a deixar o alcoolismo. O testemunho que mais me marcou era um homem que tinha quase os mesmos sintomas que eu, porque não podíamos viver se não tomássemos um trago. Senti-me reflectido neles, explicaram-me e por graça de Deus pude ver, sim, compreendi o que estava perdendo-me e isso foi o que me levou a mudar, a entender de que se é mais feliz sem álcool no seu sangue”.
“Cometi erros e graças ao perdão através da confissão, senti a presença de Deus. A minha vida antes era um caos”, disse chateado José, que junto à sua esposa Josefina, iniciou um caminho na Igreja que sanou as feridas do coração.
Hoje é catequista e ajuda os outros
“Tudo foi um milagre porque eu já ia direitinho para o caixão (morte). Dei as graças a Deus e agora trabalho para Ele. Fui catequista com a minha senhora na paróquia O Senhor de Renca, em Santiago de Chile e na actualidade sou ministro da comunhão. Isso faço-o por agradecimento, porque Ele pôde mudar a minha vida”.
Acompanha aqueles que recorrem ao movimento e entrega o seu testemunho dentro dos exercícios espirituais, para que outras pessoas possam “perseverar” tal como o fez ele.
Cristo, médico... E alfabetizador
Precisa que o seu melhor médico foi Cristo e somente quando pediu perdão ante Deus, pode levantar a vista, reconheceu-se filho e como um menino, aprendeu a ler e a escrever, graças aos seus irmãos de comunidade.
“As primeiras palavras que aprendi a ler foram os Evangelhos na Bíblia.
Para mim, a Bíblia é como uma biblioteca que me ensinou a viver de novo”.
in
Sem comentários:
Enviar um comentário