Jesuita sírio revela a realidade do país à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
Roma, 06 de Setembro de 2013
"Uma intervenção militar não vai levar a lugar nenhum. Cada
uma das partes envolvidas deve entender que a crise não será resolvida
da maneira que deseja. Todos são perdedores e ninguém é vencedor, nem
nunca será”.
Padre Nawras Sammour, responsável pelo Oriente Médio e África do
Norte do Serviço Jesuíta para os Refugiados, condena uma possível acção
militar na Síria. Ao telefone com Ajuda à Igreja que Sofre de Damasco, o
clérigo nascido em Aleppo declara que "um ataque levaria, sem dúvida, a
um aumento da violência: uma onda horrível que por força se estenderia
aos países vizinhos, contagiando toda a região do Oriente Médio". Para o
jesuíta a crise é muito complexa para ser resolvida por uma operação
militar da qual ninguém pode prever os resultados a longo prazo.
Enquanto isso, na capital síria, muitas vezes sem electricidade", todo
mundo vive em espera, embora a vida continue mais ou menos como antes
da ameaça de guerra". Não há uma opinião unânime sobre a possibilidade
de uma intervenção, mas muitos começaram a estocar alimentos e nas
últimas duas semanas, aqueles que tiveram a chance, preferiram abandonar
o país. "Quem, como eu, prefere permanecer na Síria, evita sair para o
exterior por medo de ficar bloqueado por causa das hostilidades. Junto
com alguns irmãos nós cancelamos uma viagem ao Líbano justamente por
essa razão”. Os jesuítas ajudam mais de 17 mil famílias Sírias, o 80%
das quais são de muçulmanos.
As palavras do Papa Francisco são de grande esperança para os
cristãos. “O apelo do Santo Padre tem sido excelente", afirma padre
Sammour, narrando como também na Síria serão muitos o que aderem à
jornada de jejum pedida pelo Pontífice nesse 07 de Setembro. Na casa dos
jesuítas de Damasco começará com as vésperas de amanhã à tarde. “Agora,
mais do que nunca, precisamos de oração”, acrescenta o religioso
elogiando as muitas iniciativas da Igreja universal para promover a paz.
Também a Semana de oração organizada por Ajuda à Igreja que Sofre, que
aderirá também à jornada de jejum no próximo sábado.
As palavras do Papa não foram apreciadas somente pela comunidade
cristã. Também o grande Mufti da Síria, Ahmad Badreddin Hassou,
manifestou o desejo de poder orar no próximo sábado na Praça de São
Pedro. "A linguagem do Papa Francisco é entendida por qualquer pessoa
que defenda os valores da paz e da integração - observa o jesuíta - e,
felizmente, muitos sírios amam e respeitam os próprios concidadãos,
independentemente de credo ou origem social. Embora as informações
divulgadas pelos meios de comunicação tentem mostrar uma outra coisa”. O
religioso critica os meios de informação – “sempre à caça de
extremistas” – e opõe à eles a preciosa obra da Igreja, que tenta dar
voz ao desejo de unidade da “maioria silenciosa” da nação. Esperando
saber o que vai acontecer nos próximos dias, padre Sammour pede à
comunidade internacional para olhar para o seu país com menos
superficialidade. "A Síria não é um mapa no Google Earth. Não é um
território para ser invadido ou para ser liberto. Não é meramente um
lugar, mas um mosaico maravilhoso. A Síria é antes de mais nada todo um
conjunto de pessoas: os sírios. E espero que isso seja finalmente tomado
em consideração”.
Roma, 05 de Setembro de 2013
"Ajuda à Igreja que Sofre" ( AIS ), Fundação de direito pontifício
fundada em 1947 pelo Padre Werenfried van Straaten, destaca-se como a
única organização que realiza projectos para apoiar a pastoral da Igreja
onde ela é perseguida ou privada de meios para cumprir a sua missão. Em
2012 recolheu mais de 90 milhões de euros nos 17 países onde tem
Escritórios Nacionais e já realizou mais de 5.604 projectos em 140
países.
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