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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

França: Líderes mundiais e cidadãos contra a brutalidade do terrorismo

Papa adverte que uma cultura que rejeita o outro acaba gerando violência e morte


Roma, 12 de Janeiro de 2015 (Zenit.org)


Cerca de sessenta personalidades políticas, chefes de Estado e de Governo e representantes de organizações internacionais reuniram-se ontem para um protesto em massa contra a violência em Paris. O francês François Hollande, a alemã Angela Merkel, o britânico David Cameron, o espanhol Mariano Rajoy, o húngaro Viktor Orban, a dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt, os primeiros ministros da Itália, Portugal, Bélgica, Grécia, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen; o ministro russo dos Negócios Estrangeiros e presidente de Kosovo, o presidente de Mali, Ibrahim Boubacar Keita, os presidentes de vários países africanos, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, entre outros; a lista é muito longa. Tudo isso sem contar os inúmeros embaixadores, representantes de organizações internacionais e representantes de diferentes denominações religiosas presentes no país.

O número de participantes superou todas as expectativas: 1,5 milhão de pessoas foram às ruas contra a barbárie terrorista na capital francesa e dois milhões em outras cidades. Mas os protagonistas desta acção contra o terror foram os sobreviventes da revista satírica Charlie Hebdo, dizimada pelo ataque jihadista de quarta-feira, que provocou a morte de 12 pessoas, e também os parentes das vítimas do atentado terrorista e do sequestro de sexta-feira no Supermercado Cacher, de comida Kosher, onde quatro pessoas da comunidade judaica foram mortas. Os participantes do protesto, apesar dos momentos em silêncio, não deixaram de aplaudir incessantemente a procissão, e também ao ver alguns carros de polícia (três membros das forças de segurança foram mortos esta semana).

Um dos momentos mais comoventes foi quando Hollande se dirigiu ao grupo de familiares e amigos das vítimas para abraçar Patrick Pelloux, médico e membro da equipe da revista; um policial de Marseille, irmão do agente assassinado após o ataque à revista e parentes dos quatro judeus assassinados na sexta-feira.

No último minuto, o presidente francês e outros líderes se deslocaram para a Grande Sinagoga de Paris, onde participaram de uma cerimónia em luto pelos mortos. Antes da marcha, Hollande recebeu vários líderes desta comunidade. "Estamos determinados a continuar vivendo o nosso judaísmo. Não vamos ceder à violência", disse Roger Cukieman, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França.

Além da participação maciça em Paris, mais de 200.000 pessoas foram às ruas em Lyon; 100.000 em Bordeaux; mais de 40.000 em Perpignan e Saint-Etienne; mais de 14 mil em Tarbes; e cerca de 10.000 em Dammartin, a cidade há 40 quilómetros ao norte de Paris, onde foram mortos na sexta-feira os irmãos Cherif e Kouachi, autores do ataque contra Charlie Hebdo. A manifestação foi precedida por outra espontânea realizada na quarta-feira, horas depois do ataque contra a revista, e sexta-feira, com mais de 700.000 participantes.

Enquanto isso, o Papa Francisco na segunda-feira reiterou a sua firme condenação aos ataques terroristas na França. Durante uma audiência com o corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, disse que “uma cultura que rejeita o outro, rompe os vínculos mais íntimos e verdadeiros, acabando por dissolver e desagregar toda a sociedade, gerando violência e morte”- e acrescentou- “um triste eco disso mesmo, encontramo-lo em numerosos factos referidos nas notícias quotidianas, como o trágico massacre que há dias sucedeu em Paris”.

Os outros «deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objectos» (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 08 de Dezembro de 2014).

“São perigos que quis salientar na Mensagem para o recente Dia Mundial da Paz, dedicada à problemática das múltiplas escravidões modernas. Estas nascem dum coração corrupto, incapaz de ver e fazer o bem, de buscar a paz”, destacou o Papa em seu discurso.

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