Fernando López de Rego consegue novos testemunhos
| A Beata Teresa de Calcutá fazia novenas de dez orações... Para dar as graças por antecipado! |
Actualizado 8 de Dezembro de 2014
Carmelo López-Arias / ReL
A bibliografia sobre a Beata Teresa de Calcutá (1910-1997) é abundante e diversa, mas que pode ainda enriquecer-se com obras notáveis prova-o a que acaba de publicar Fernando López de Rego: Teresa de Calcutá. A pessoa (Freshbook).
Uma aproximação valiosa porque, sem pretensão hagiográfica alguma, permite que a eloquência intrínseca dos ditos e acções de Agnes Gonxha Bojaxhiu proclame mais a sua santidade que a sua mesma valorização, em qualquer caso já ditada pela Santa Sé ao elevá-la aos altares em 2003, pendente agora do processo de canonização.
E valiosa mesmo assim porque deixa ao leitor um retracto muito verosímil da sua protagonista, "a Teresa pessoa", objecto de busca que confessa o autor: "Uma pessoa que deixou em vida uma onda muito fora do corrente e que provocou umas ondas de tal magnitude que, depois da sua morte, continuam expandindo-se por praticamente todos os países do mundo".
Carmelo López-Arias / ReL
A bibliografia sobre a Beata Teresa de Calcutá (1910-1997) é abundante e diversa, mas que pode ainda enriquecer-se com obras notáveis prova-o a que acaba de publicar Fernando López de Rego: Teresa de Calcutá. A pessoa (Freshbook).
Uma aproximação valiosa porque, sem pretensão hagiográfica alguma, permite que a eloquência intrínseca dos ditos e acções de Agnes Gonxha Bojaxhiu proclame mais a sua santidade que a sua mesma valorização, em qualquer caso já ditada pela Santa Sé ao elevá-la aos altares em 2003, pendente agora do processo de canonização.
E valiosa mesmo assim porque deixa ao leitor um retracto muito verosímil da sua protagonista, "a Teresa pessoa", objecto de busca que confessa o autor: "Uma pessoa que deixou em vida uma onda muito fora do corrente e que provocou umas ondas de tal magnitude que, depois da sua morte, continuam expandindo-se por praticamente todos os países do mundo".
| O
livro de Fernando López de Rego trás, além da sua visão geral da Madre Teresa, nove testemunhos específicos sobre ela com algum dado inédito. |
Além disso, López de Rego (advogado especialista em direito europeu e conhecedor e enamorado da Índia) entrevistou, para conhecê-la melhor, nove pessoas com muito que dizer sobre ela, e cujos testemunhos são uma entrada substanciosa deste volume: Henry D´Souza, arcebispo emérito de Calcutá; Sunita Kumar, sua amiga e porta-voz hindu; Alfred Woodward, o cardiólogo que certificou a sua morte, que durante anos resistiu a falar de Madre Teresa; Anges Maity, a sua primeira menina das barracas; um irmão missionário da Caridade em Calcutá; Sajeda Khatoon, sua vizinha muçulmana; Sor Gertrude, a segunda que a seguiu; Lakshmi, Mongol, Jacob Das, Anil, Kalloo e Philip, seus órfãos; e Sor María Ruah, uma doutora europeia na leprosaria de Shantinagar e única deste elenco que não a conheceu pessoalmente.
Nas páginas de Teresa de Calcutá. A pessoa podem recolher-se muitas anedotas que protagonizou, em ocasiões mais uteis que mil discursos para desenhar um carácter ou a natureza de una missão. Estão aqui dez delas.
Nas páginas de Teresa de Calcutá. A pessoa podem recolher-se muitas anedotas que protagonizou, em ocasiões mais uteis que mil discursos para desenhar um carácter ou a natureza de una missão. Estão aqui dez delas.
1. A alegria de dar
Em certa ocasião, Madre Teresa soube de uma família hindu com oito filhos que não tinha nada para comer. Pegou num pouco de arroz e levou-o; os olhos das crianças brilhavam de fome. A sua mãe pegou no arroz, dividiu e saiu à rua com metade do recebido. Quando regressou e Madre Teresa lhe perguntou o que tinha feito, respondeu simplesmente: "Eles também tem fome". "Eles" era uma família muçulmana vizinha. Madre Teresa comentou logo: "Aquela noite não lhes dei mais arroz, pois queria que eles também pudessem desfrutar da alegria de dar".
2. A caridade, por cima do Papa
Em 29 de Novembro de 1964, Madre Teresa estava convidada para a cerimónia de abertura no caminho ao acto, viu dois moribundos junto a uma árvore, marido e mulher. Deteve-se com eles até que ele morreu nos seus braços. Então a religiosa carregou nos ombros a esposa e a levou a um centro da sua congregação. Mas então, a cerimónia já tinha concluído...
3. Um prémio maior que um milhão de dólares
Quando um jornalista norte-americano a viu atendendo um enfermo com feridas hediondas, disse-lhe que ele não faria isso nem por um milhão de dólares. "Por um milhão de dólares tampouco o faria eu", respondeu Madre Teresa.
4. Aos do "papel social"
As missionárias da Caridade, alguns tinham a lata de reprovar-lhes a atenção prestada aos mais necessitados, alegando que isso os mantinha na miséria. E alegavam a banal comparação de o que é melhor, se oferecer um peixe ou uma cana de pescar.
A beata albanesa tinha clara a resposta: "O que dizem vocês parece-me perfeito, mas os pobres com quais nós trabalhamos estão tão débeis que não tem força nem sequer para suster a cana entre as suas mãos. Se lhes parece, nós alimentamo-los para que adquiram essa força e logo vocês ensinam-nos a manejar a cana".
5. Disparate a um funcionário hostil
Um dia a Madre Teresa foi solicitar uma ajuda ao edifício principal da administração do estado de Bengala Ocidental em Calcutá. O funcionário reagiu de uma maneira muito hostil e humilhante à solicitação. Mas mais tarde, o superior hierárquico desse funcionário estudou a solicitação e decidiu acolhê-la. Quando ela foi receber a soma concedida, o funcionário displicente disse-lhe: "Este dinheiro é para você". Ao que ela respondeu imediatamente: "Não, este dinheiro é para os pobres. Para mim era o seu comportamento do outro dia".
6. "Sem Maria não há Jesus"
Estando na Holanda, um protestante que a visitou junto com a sua esposa comentou-lhe que, na sua opinião, os católicos davam excessiva importância a Maria. "Sem Maria não há Jesus", replicou ela muito na sua linha, breve e de lógica elementar. Deve ter feito pensar o seu interlocutor, porque dias depois recebeu um bonito postal seu com o seguinte texto: "Sem Maria não há Jesus".
7. Passageira de luxo
Nas suas viagens pela Índia, levava consigo uma grande imagem da Virgem de Fátima, quase de tamanho natural, que lhe tinham oferecido. Uma vez colocou-a no trem no assento contiguo, e o revisor queria fazê-la pagar o bilhete a Nossa Senhora. Madre Teresa explicou-lhe que o seu passe gratuito dos Caminhos de Ferro Indianos era para ela e uma acompanhante... E que essa era a sua acompanhante nesse dia. O agente insistiu: as estátuas não falam, e portanto não fazem companhia. "Pois eu falo-lhe e ela escuta-me. E às vezes ela me fala e eu escuto-a a ela". O revisor deu-se por vencido.
8. Objectivo Berlim
Madre Teresa tinha feito o voto de seguir imediatamente a vontade do Senhor nada mais conhecida, de forma que não deixava passar nem um minuto. Assim que, quando em Setembro de 1980 foi a Berlim Oriental abrir a primeira casa da ordem num país comunista, a irmã que devia ficar só tinha permissão para 24 horas. Ambas começaram a recitar a sua oração de intercessão preferida (o Acorda-os, dirigido à Virgem Maria). Quando levavam oito, soou o telefone: tinham-lhe concedido o visto para seis meses.
9. Novenas expresso
Uma mulher de acção como a Madre Teresa não fazia as novenas em nove dias, mas sim num só, repetindo dez vezes o Acorda-os. Porquê dez? Dava por descontado que a petição ia ser atendida e acrescentava uma repetição adicional, a décima, em conceito de acção de graças antecipada.
10. Muito mais que pré-conciliar
Um teólogo que visitava as missionárias da Caridade considerava os seus enfoques espirituais e pastorais próprios de tempos anteriores ao Concilio Vaticano II. Ao despedir-se delas, não pode reprimir o dizer-lhes: "O que estão fazendo vocês é admirável, mas teologicamente estão há duzentos anos". A resposta da Madre Teresa foi instantânea: "Pior ainda. Há dois mil anos".
Em certa ocasião, Madre Teresa soube de uma família hindu com oito filhos que não tinha nada para comer. Pegou num pouco de arroz e levou-o; os olhos das crianças brilhavam de fome. A sua mãe pegou no arroz, dividiu e saiu à rua com metade do recebido. Quando regressou e Madre Teresa lhe perguntou o que tinha feito, respondeu simplesmente: "Eles também tem fome". "Eles" era uma família muçulmana vizinha. Madre Teresa comentou logo: "Aquela noite não lhes dei mais arroz, pois queria que eles também pudessem desfrutar da alegria de dar".
2. A caridade, por cima do Papa
Em 29 de Novembro de 1964, Madre Teresa estava convidada para a cerimónia de abertura no caminho ao acto, viu dois moribundos junto a uma árvore, marido e mulher. Deteve-se com eles até que ele morreu nos seus braços. Então a religiosa carregou nos ombros a esposa e a levou a um centro da sua congregação. Mas então, a cerimónia já tinha concluído...
3. Um prémio maior que um milhão de dólares
Quando um jornalista norte-americano a viu atendendo um enfermo com feridas hediondas, disse-lhe que ele não faria isso nem por um milhão de dólares. "Por um milhão de dólares tampouco o faria eu", respondeu Madre Teresa.
4. Aos do "papel social"
As missionárias da Caridade, alguns tinham a lata de reprovar-lhes a atenção prestada aos mais necessitados, alegando que isso os mantinha na miséria. E alegavam a banal comparação de o que é melhor, se oferecer um peixe ou uma cana de pescar.
A beata albanesa tinha clara a resposta: "O que dizem vocês parece-me perfeito, mas os pobres com quais nós trabalhamos estão tão débeis que não tem força nem sequer para suster a cana entre as suas mãos. Se lhes parece, nós alimentamo-los para que adquiram essa força e logo vocês ensinam-nos a manejar a cana".
5. Disparate a um funcionário hostil
Um dia a Madre Teresa foi solicitar uma ajuda ao edifício principal da administração do estado de Bengala Ocidental em Calcutá. O funcionário reagiu de uma maneira muito hostil e humilhante à solicitação. Mas mais tarde, o superior hierárquico desse funcionário estudou a solicitação e decidiu acolhê-la. Quando ela foi receber a soma concedida, o funcionário displicente disse-lhe: "Este dinheiro é para você". Ao que ela respondeu imediatamente: "Não, este dinheiro é para os pobres. Para mim era o seu comportamento do outro dia".
6. "Sem Maria não há Jesus"
Estando na Holanda, um protestante que a visitou junto com a sua esposa comentou-lhe que, na sua opinião, os católicos davam excessiva importância a Maria. "Sem Maria não há Jesus", replicou ela muito na sua linha, breve e de lógica elementar. Deve ter feito pensar o seu interlocutor, porque dias depois recebeu um bonito postal seu com o seguinte texto: "Sem Maria não há Jesus".
7. Passageira de luxo
Nas suas viagens pela Índia, levava consigo uma grande imagem da Virgem de Fátima, quase de tamanho natural, que lhe tinham oferecido. Uma vez colocou-a no trem no assento contiguo, e o revisor queria fazê-la pagar o bilhete a Nossa Senhora. Madre Teresa explicou-lhe que o seu passe gratuito dos Caminhos de Ferro Indianos era para ela e uma acompanhante... E que essa era a sua acompanhante nesse dia. O agente insistiu: as estátuas não falam, e portanto não fazem companhia. "Pois eu falo-lhe e ela escuta-me. E às vezes ela me fala e eu escuto-a a ela". O revisor deu-se por vencido.
8. Objectivo Berlim
Madre Teresa tinha feito o voto de seguir imediatamente a vontade do Senhor nada mais conhecida, de forma que não deixava passar nem um minuto. Assim que, quando em Setembro de 1980 foi a Berlim Oriental abrir a primeira casa da ordem num país comunista, a irmã que devia ficar só tinha permissão para 24 horas. Ambas começaram a recitar a sua oração de intercessão preferida (o Acorda-os, dirigido à Virgem Maria). Quando levavam oito, soou o telefone: tinham-lhe concedido o visto para seis meses.
9. Novenas expresso
Uma mulher de acção como a Madre Teresa não fazia as novenas em nove dias, mas sim num só, repetindo dez vezes o Acorda-os. Porquê dez? Dava por descontado que a petição ia ser atendida e acrescentava uma repetição adicional, a décima, em conceito de acção de graças antecipada.
10. Muito mais que pré-conciliar
Um teólogo que visitava as missionárias da Caridade considerava os seus enfoques espirituais e pastorais próprios de tempos anteriores ao Concilio Vaticano II. Ao despedir-se delas, não pode reprimir o dizer-lhes: "O que estão fazendo vocês é admirável, mas teologicamente estão há duzentos anos". A resposta da Madre Teresa foi instantânea: "Pior ainda. Há dois mil anos".
| FICHA | TÉCNICA | COMPRA ONLINE |
| Título: | Teresa de Calcuta. La persona | Ocio Hispano |
| Autor: | Fernando López de Rego | |
| Editora: | Freshbook | |
| Páginas: | 251 | |
| Preço: | 18,00 € |
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