Jibon William Gomes, criador da Fundação Turning Point
| Jibon William Gomes é inválido desde criança, e numa infância pobre... Hoje a sua experiência leva-o a ajudar os outros |
Actualizado 5 de Dezembro de 2014
Sumon Corraya/AsiaNews
O ser um inválido "ajuda-me a entender os sentimentos e a dor de outras pessoas com invalidez. Graças a esta empatia com o tempo dei-me conta que tinha que fazer algo, para eles e para mim. Foi por isto que criei a Fundação Turning Point: para promover os direitos e ajudar à inclusão das pessoas com incapacidade na sociedade do Bangladesh".
É a história que conta à AsiaNews Jibon William Gomes, de 39 anos de idade, católico, no Dia Internacional das pessoas de mobilidade reduzida que o seu país está celebrando hoje.
A história de Jibon é um grande hino à vida e o compromisso com os demais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, dos cerca de 156 milhões de habitantes do Bangladesh aproximadamente 10% tem algum tipo de invalidez: "A vida de uma pessoa com problemas mentais ou físicos está cheia de obstáculos e desafios. Há milhares de barreiras - reais ou imaginárias - que devem ser superados para poder viver uma vida plena como ser humano. Estas barreiras afectam a vida familiar e inclusive a esfera sexual. Eu sou um deles, enfrentei e enfrento estas barreiras".
Todas as crianças, disse Jibon, "tem direito a nascer num ambiente são e adequado. No meu caso as coisas foram um pouco diferentes: Nasci num quarto de banho. Três dias antes do nascimento, a minha mãe começa a sentir dor intensa e vai a uma clínica dirigida pelos padres do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME) na paróquia de Bonpara. Estamos num remoto distrito, o de Natore".
As Missionárias da Imaculada, congregação feminina associada ao PIME, dão-se conta de imediato que algo está mal: "As irmãs dão-se conta que o menino que a minha madre está levando não está na posição correcta, e decidem enviar a paciente para um hospital longe de Natore porque o parto pode ser difícil. Se havia uma necessidade de uma cesariana, é melhor estar no hospital".
Antes de abordar a longa viagem, a futura mãe vai ao banho, "e nesse momento eu nasci. A minha mãe, tomada por surpresa, faz todo o possível, mas não pode evitar a queda. A cabeça sofre um corte profundo, que provoca a paralisia cerebral. O lado esquerdo do meu corpo vai sofrer para sempre, mas graças à compaixão de Deus estou vivo. A minha mãe chamou-me Jibon a propósito, porque na nossa linguagem significa ´vida´".
Depois de Jibon chegaria também uma pequena irmã, Kushum: "Mas eu era e sou o único filho, o mais velho, e inválido. Os meus pais fizeram o melhor que as circunstâncias lhes permitiam, mas pelos problemas financeiros tem possibilidades muito limitadas. A minha mãe, perante o fracasso do tratamento, encontrou o seu equilíbrio; o meu pai no lugar nunca teve êxito. As tensões familiares, durante a minha infância, foram muito fortes".
Crescendo num povoado, sem nenhuma possibilidade de tratamentos de vanguarda, "dei-me conta de uma maneira gradual de ser diferente dos demais. Doía-me o coração ao ver a minha irmã pequena correr e jogar. Perguntei há minha mãe como era possível, já que ambos éramos seus filhos: perguntei-lhe onde me equivoquei... A minha mãe não respondeu, mas chorava. Uma vez, recordo que disse: "Por favor, por favor, Deus tira-me a vida e dá-lhe um novo Jibon, que corra e jogue. Assim deixa de sofrer”. Recordo o grande abraço depois desta frase...".
Com a idade de seis anos, chega o primeiro grande avanço: "Os meus pais começaram a dar-me livros e cadernos, e a minha mãe ensinou-me a ler e escrever. Dado o meu interesse, pensa em levar-me a uma escola; não podendo ser capaz de mover-me naturalmente isto é impossível. Assim que, com grandes esforços, decide contratar um professor particular".
A partir daí começa um caminho de instrução completa: "Depois de uns anos na escola primária de São José, onde me leva a minha mamã com um triciclo, fui admitido na escola secundária: um bom resultado, o que convenceu os meus pais que me deixaram continuar com os meus estudos".
Em 1997 chega o Diploma em Ciências, e imediatamente depois o curso para converter-se num trabalhador social: no ano seguinte foi contratado pelo Departamento que edita estes seminários, com a tarefa de operador de computador.
Em 2002 a Licenciatura em Psicologia da Universidade Nacional, e em 2003 foi promovido a oficial da programação, em estreito contacto com as pessoas com invalidez.
Em 2005 encontra no seu caminho a Cáritas, que lhe oferece um contracto para desenvolver projectos para pessoas com invalidez: "A missão e visão desta organização deram-me um novo impulso de trabalho para aumentar o potencial das pessoas e romper as barreiras que os travaram foi e é um estimulante de maneira incrível".
O 29 de Dezembro de 2010 é um dia que recorda Jibon como "memorável”. Nesse dia casei-me com Rani Olivia Rodrigues, que se uniu à causa. Agora tenho duas mãos mais para trabalhar, outra cabeça para pensar e outro coração para amar os necessitados". O casal tem um filho pequeno, Newton Ireneo Francisco Gomes.
Em Abril de 2012, decidiu fazer uma nova mudança na sua vida: "Decidi fundar Turning Point´ para criar uma rede que põe em comunicação as distintas organizações que trabalham com as pessoas com invalidez, com o fim de desenvolver programas conjuntos e conectar a cooperação internacional. Gostaria de ser um exemplo vivo para os que lutam por um futuro melhor. A obscuridade e as frustrações que nos separam da esperança podem ser derrubadas".
Sumon Corraya/AsiaNews
O ser um inválido "ajuda-me a entender os sentimentos e a dor de outras pessoas com invalidez. Graças a esta empatia com o tempo dei-me conta que tinha que fazer algo, para eles e para mim. Foi por isto que criei a Fundação Turning Point: para promover os direitos e ajudar à inclusão das pessoas com incapacidade na sociedade do Bangladesh".
É a história que conta à AsiaNews Jibon William Gomes, de 39 anos de idade, católico, no Dia Internacional das pessoas de mobilidade reduzida que o seu país está celebrando hoje.
A história de Jibon é um grande hino à vida e o compromisso com os demais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, dos cerca de 156 milhões de habitantes do Bangladesh aproximadamente 10% tem algum tipo de invalidez: "A vida de uma pessoa com problemas mentais ou físicos está cheia de obstáculos e desafios. Há milhares de barreiras - reais ou imaginárias - que devem ser superados para poder viver uma vida plena como ser humano. Estas barreiras afectam a vida familiar e inclusive a esfera sexual. Eu sou um deles, enfrentei e enfrento estas barreiras".
Todas as crianças, disse Jibon, "tem direito a nascer num ambiente são e adequado. No meu caso as coisas foram um pouco diferentes: Nasci num quarto de banho. Três dias antes do nascimento, a minha mãe começa a sentir dor intensa e vai a uma clínica dirigida pelos padres do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME) na paróquia de Bonpara. Estamos num remoto distrito, o de Natore".
As Missionárias da Imaculada, congregação feminina associada ao PIME, dão-se conta de imediato que algo está mal: "As irmãs dão-se conta que o menino que a minha madre está levando não está na posição correcta, e decidem enviar a paciente para um hospital longe de Natore porque o parto pode ser difícil. Se havia uma necessidade de uma cesariana, é melhor estar no hospital".
Antes de abordar a longa viagem, a futura mãe vai ao banho, "e nesse momento eu nasci. A minha mãe, tomada por surpresa, faz todo o possível, mas não pode evitar a queda. A cabeça sofre um corte profundo, que provoca a paralisia cerebral. O lado esquerdo do meu corpo vai sofrer para sempre, mas graças à compaixão de Deus estou vivo. A minha mãe chamou-me Jibon a propósito, porque na nossa linguagem significa ´vida´".
Depois de Jibon chegaria também uma pequena irmã, Kushum: "Mas eu era e sou o único filho, o mais velho, e inválido. Os meus pais fizeram o melhor que as circunstâncias lhes permitiam, mas pelos problemas financeiros tem possibilidades muito limitadas. A minha mãe, perante o fracasso do tratamento, encontrou o seu equilíbrio; o meu pai no lugar nunca teve êxito. As tensões familiares, durante a minha infância, foram muito fortes".
Crescendo num povoado, sem nenhuma possibilidade de tratamentos de vanguarda, "dei-me conta de uma maneira gradual de ser diferente dos demais. Doía-me o coração ao ver a minha irmã pequena correr e jogar. Perguntei há minha mãe como era possível, já que ambos éramos seus filhos: perguntei-lhe onde me equivoquei... A minha mãe não respondeu, mas chorava. Uma vez, recordo que disse: "Por favor, por favor, Deus tira-me a vida e dá-lhe um novo Jibon, que corra e jogue. Assim deixa de sofrer”. Recordo o grande abraço depois desta frase...".
Com a idade de seis anos, chega o primeiro grande avanço: "Os meus pais começaram a dar-me livros e cadernos, e a minha mãe ensinou-me a ler e escrever. Dado o meu interesse, pensa em levar-me a uma escola; não podendo ser capaz de mover-me naturalmente isto é impossível. Assim que, com grandes esforços, decide contratar um professor particular".
A partir daí começa um caminho de instrução completa: "Depois de uns anos na escola primária de São José, onde me leva a minha mamã com um triciclo, fui admitido na escola secundária: um bom resultado, o que convenceu os meus pais que me deixaram continuar com os meus estudos".
Em 1997 chega o Diploma em Ciências, e imediatamente depois o curso para converter-se num trabalhador social: no ano seguinte foi contratado pelo Departamento que edita estes seminários, com a tarefa de operador de computador.
Em 2002 a Licenciatura em Psicologia da Universidade Nacional, e em 2003 foi promovido a oficial da programação, em estreito contacto com as pessoas com invalidez.
Em 2005 encontra no seu caminho a Cáritas, que lhe oferece um contracto para desenvolver projectos para pessoas com invalidez: "A missão e visão desta organização deram-me um novo impulso de trabalho para aumentar o potencial das pessoas e romper as barreiras que os travaram foi e é um estimulante de maneira incrível".
O 29 de Dezembro de 2010 é um dia que recorda Jibon como "memorável”. Nesse dia casei-me com Rani Olivia Rodrigues, que se uniu à causa. Agora tenho duas mãos mais para trabalhar, outra cabeça para pensar e outro coração para amar os necessitados". O casal tem um filho pequeno, Newton Ireneo Francisco Gomes.
Em Abril de 2012, decidiu fazer uma nova mudança na sua vida: "Decidi fundar Turning Point´ para criar uma rede que põe em comunicação as distintas organizações que trabalham com as pessoas com invalidez, com o fim de desenvolver programas conjuntos e conectar a cooperação internacional. Gostaria de ser um exemplo vivo para os que lutam por um futuro melhor. A obscuridade e as frustrações que nos separam da esperança podem ser derrubadas".
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